segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Off-Topic (20)

Lembramos desta bela canção ("Racismo é burrice"), de Gabriel, O Pensador. Um trecho:

"Racismo, preconceito e discriminação em geral; 
É uma burrice coletiva sem explicação 
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união 
Mas demonstra claramente 
Infelizmente
Preconceitos mil, de naturezas diferentes 
Mostrando que essa gente 
Essa gente do Brasil é muito burra 
E não enxerga um palmo à sua frente 
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente 
Eliminando da mente todo o preconceito 
E não agindo com a burrice estampada no peito
(...)

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver 
E o racismo está dentro de você 
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca 
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca 
E desde sempre não pára pra pensar 
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar 
E de pai pra filho o racismo passa 
Em forma de piadas que teriam bem mais graça 
Se não fossem o retrato da nossa ignorância 
Transmitindo a discriminação desde a infância"

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Muito Além do Futebol... (100)

Ontem, 13 de fevereiro, tivemos uma partida válida pelo Aberto de São Paulo - torneio ATP 250 - entre o brasileiro João Souza (mais conhecido pela alcunha de Feijão) e o argentino Leonardo Mayer.

João Souza, o "Feijão"
Feijão já foi mencionado em nosso blog: há quase quatro anos, depois de sua primeira convocação para a Copa Davis - o Brasil jogaria com o Uruguai -, Feijão afirmou que "tinha de estar preparado" para enfrentar a torcida local, pois era óbvio (sic) que o iriam "chamar de macaco".

Houve o jogo e nenhum relato de ofensas semelhantes. Vida que segue.

Mayer também foi tema por aqui: exatamente três anos atrás, também pelo Aberto de SP, ele foi alvo de muitas ofensas e provocações dos torcedores brasileiros presentes no ginásio. A situação foi tão clara que Thomaz Belucci, maior tenista brasileiro da atualidade, pediu-lhe desculpas.

O confronto de 2015 entre Feijão e Mayer começou antes mesmo da partida: após classificar-se para enfrentar o argentino, Feijão pediu:  "quero que ele caia nessa pilha da torcida".

Leonardo Mayer
Veio o jogo, Feijão venceu. Mayer não reclamou do adversário ou inventou desculpas para a derrota, mas criticou a torcida: "Em nenhum outro lugar no mundo a torcida é tão desrespeitosa quanto aqui. Que bom que são apenas dois torneios e depois não precisamos mais voltar para cá", disse. Segundo a reportagem, Mayer "foi vaiado, xingado, atrapalhado... A torcida no Ibirapuera (SP) precisou ser contida por diversas vezes pela arbitragem do jogo".

Feijão respondeu, dizendo: "Não tenho nada a dizer do Mayer, mas se vocês forem para outros lugares, vão ver que ninguém fica só batendo palminha. (...) Mas, se o Brasil tem a pior (torcida) ou não, não acho. Ele queria o quê? A torcida do lado dele? Acha que na Argentina, contra ele, não vão aplaudir meu erro? Duvido".

Como no caso da Copa Davis, em 2011, Feijão decreta como fato uma situação hipotética, aventada por ele.

Leonardo Mayer não disse que Feijão receberia flores se disputassem uma partida no país vizinho, mas afirmou: "Gostaria sim de enfrentar o Feijão na Argentina, pela Copa Davis. Pelo menos o público lá é mais educado e entende do esporte. Aqui há muita gente que não entende de tênis".

De fato, brasileiro acha que todos os esportes, seja ginástica rítmica ou turfe, são como o futebol: é mais importante ofender o adversário do que apoiar os seus.

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PS: tivemos outros dois casos bastante semelhantes envolvendo tenistas argentinos em quadras brasileiras: Juan Monaco (relembre clicando aqui) e Guido Pella (aqui).

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Raça X Nacionalidade (95)

Mais um episódio do país sem preconceito e que, segundo a propaganda estatal, respeita todas as raças, origens, grupos, culturas e religiões...


Islamofobia no Brasil: muçulmanas são agredidas com cuspidas e pedradas


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Raça X Nacionalidade (94)

Dois dias atrás, Marcos Guilherme, jogador da seleção brasileira sub-20, faz acusação de racismo: Facundo Castro, atleta uruguaio, o teria chamado de "macaco" cinco vezes.


"Ah, esses uruguaios... Racistas!"

Marcos Guilherme e Fabiana Claudino: dois retratos do Brasil

No dia seguinte, Fabiana Claudino, jogadora da seleção brasileira de vôlei, faz acusação de racismo: foi chamada de macaca por um torcedor, que também lhe ofereceu banana.

O caso também repercutiu na imprensa internacional.

Embora sem sua identidade revelada, sabe-se que o torcedor não era uruguaio...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Duetos (97)

No dia 21 de janeiro, o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) pronunciou-se sobre o apagão ocorrido um dia antes e quais eram as perspectivas para evitar que tornasse a ocorrer: "Deus é brasileiro e vai mandar alguma chuva".

Tudo errado: além de tentar se eximir de suas responsabilidades, o ministro recorre ao velho jargão popular que insiste em declarar o Brasil como um lugar especial, único no mundo -- leia mais aqui.

No entanto, o mais importante a se notar é que a tal ajuda não veio dos céus: veio de terras vizinhas.

O Valor Econômico expõe em manchete: "Um dia após apagão, Brasil importa até 1.000 MW da Argentina". O texto aponta que "houve intercâmbio internacional da Argentina para o Brasil, a pedido da Operador Nacional de Sistema Elétrico das 10h23 às 12h e depois das 13h às 17h para contribuir no atendimento".

Outro ponto interessante é que o órgão não revelou quando foi a última vez que isso precisou ser feito. 

Confira o relatório completo do ONS clicando aqui.