terça-feira, 19 de agosto de 2014

Isso é Jornalismo! (65)

Na última segunda-feira (18), as seleções juvenis -- até 20 anos -- de Brasil e Argentina se enfrentaram pelas semifinais de um Torneio Amistoso na Espanha. A seleção brasileira venceu (2x1), conquistando a classificação para a decisão.

Apesar de o jogo ter tido várias chances de gol, a partida ficou marcada pelas confusões entre os atletas de ambos os selecionados.

Já fizemos diversas críticas às abordagens do GloboEsporte.com quando se trata de equipes (sejam times do país ou seleções) argentinas. No entanto, dessa vez é preciso reconhecer o tom das duas matérias sobre o confronto.

Em nenhum momento dos textos -- foram dois, aqui e aqui -- houve sinais daquele maniqueísmo tradicional nesses casos, algo do tipo "brasileiros só querem jogar bola e argentinos só querem arrumar brigas".

Do contrário, foram lúcidos e imparciais a ponto de destacar a duríssima entrada do jogador Thalles e a confusão iniciada: "Um momento de descontrole dos brasileiros esquentou os ânimos (...). Compagnucci (...), parado com força exagerada, terminou no chão. Thalles claramente ignorou a bola para acertar o rival. Em seguida, Matheus acertou um chute, derrubando o meia".

Mais importante que o lance, porém, é o momento em que ele aconteceu: eram apenas 7 minutos do primeiro tempo! Em seguida (o juiz  não apitou falta), o jogador argentino Sánchez dá um carrinho criminoso no atacante brasileiro Gabriel.

A situação descrita na(s) matéria(s) é a da foto abaixo: a distância que separa os jogadores (Matheus, Brasil, e Compagnucci, Argentina) da bola e a posição do pé do brasileiro, não necessita maiores explicações.

Matheus (camisa 8) dá entrada violenta em Compagnucci (14)
Neste vídeo, do "Tá na Área", fica muito clara a sequência. Novamente, elogiamos a imparcialidade na apresentação: o comentarista chega a demonstrar ("Nossa...") surpresa com a agressão do brasileiro.

Após a falta do argentino (essa sim assinalada pelo árbirto), há uma aglomeração e as típicas agressões se sucedem: um jogador argentino, suplente, chuta por baixo um brazuca, enquanto um jogador brasileiro, também reserva, tenta acertar soco num hermano, que não o viu.

Com a confusão, dois atletas (um argentino e um brasileiro) acabaram sendo expulsos.

Treze minutos depois, outro lance lamentável e isolado de um jogador brasileiro: Thalles tenta dar um soco no zagueiro argentino após disputa de bola na área. Este vídeo mostra claramente o lance.

Novamente, fica o elogio ao texto do GE.com, que relatou a agressão: "O clima continuou quente (...) Thalles tentou acertar um soco em um zagueiro argentino, mas o árbitro não viu".

Houve uma terceira expulsão no jogo: Sánchez, autor do carrinho que originou a confusão aos 8 minutos, "levou o segundo cartão e foi expulso por uma falta mais fraca", grafa o GE.

Outra vez citando a matéria, "a segunda etapa teve menos violência e mais futebol. Os dois times criaram boas chances, os argentinos chegaram a ser superiores em alguns momentos, mas, aos 23 minutos, Danilo assegurou a vitória com um golaço."

Portanto, parabéns aos atletas brasileiros pela vitória e, acima de tudo, parabéns ao GloboEsporte.com por ter praticado o bom jornalismo.

A rivalidade sempre existirá, e confusões continuarão comuns no futebol: o que não podemos fazer é caricaturar anjos e demônios.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Muito Além do Futebol... (95)

Arte exposta no muro de uma escola (!) em Piracicaba, São Paulo. Foto enviada por José Liborio.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Duetos (89)

Enquanto houver vida, há esperança. Matéria da TV Globo do Paraná: "Escolas da fronteira promovem harmonia entre Brasil e Argentina".


A educação é e sempre foi o caminho para tudo. Confira o video completo aqui.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Off-Topic (15)

Das imagens que o brasileiro tem de si mesmo - e não faz nenhuma questão de negar -, uma das mais clássicas é a da "memória curta". Esse argumento é usado, especialmente, para falar dos políticos: "não se lembra em quem votou" ou "reelegeu esse cara, que fez isso e aquilo".

Outra imagem que vem sendo resgatada e bastante difundida é a da "síndrome de vira-lata", usada para descrever a ideia de que o "nosso não presta" e o que é de fora é "sempre bom".

Essas duas imagens se uniram na ocasião da morte do ator Robin Williams (segunda-feira, 11).

Robin Williams foi um grande ator, seja em comédias ou em dramas: protagonizou filmes históricos, indo de "Sociedade dos poetas mortos" a "Uma babá quase perfeita", passando por "Amor além da vida", "Bom dia, Vietnã", "Homem Bicentenário" e "Férias no trailer".

Logo que anunciado o falecimento do artista, as redes sociais se tornaram palco de lamentos profundos, e milhões de "fãs" brasileiros surgiram.

5 anos atrás, porém, o que Robin Williams mais tinha no Brasil era uma legião de odiadores, pessoas que sugeriam boicote a seus filmes, falando que na verdade ele era um ator medíocre, e muitos ainda fizeram referência aos problemas de dependência química que o atinigiram - como foi o caso da maldosa e tendenciosa edição do Bom Dia, Brasil.

O motivo: Robin Williams fez uma piada de mau gosto sobre a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 (Chicago foi a concorrente finalista nessa disputa).

Relembre:


Se bem observado, o comentário de Robin Williams, na verdade, ofende MUITO MAIS os membros do Comitê Olímpico Internacional (ora, quem se vende por shows de striptease e cocaína é o quê?!).

Um ano depois, quando divulgava o filme "Surpresa em Dobro", o ator deu uma entrevista para um canal brasileiro, e fez mais algumas anedotas sobre o povo e os costumes locais:


Sem problemas, ninguém mais lembra. Robin Williams agora é muito querido e amado pelos brasileiros. Todos os problemas que teve - e, em último caso, causaram sua morte - já estão esquecidos, em nome de sua grande obra. A semana na TV aberta promete várias reprises e lembranças de filmes estrelados pelo ator. E seus comentários sobre o Brasil, na verdade, já entraram para uma galeria infinda de estrangeiros (famosos) que "falaram mal" do país.

Já se tornou clássico o caso do astro do UFC Chael Sonnen (que já mais de uma vez caiu em exames antidopping): visando promover sua(s) luta(s) com Anderson Silva, Sonnen destilou veneno não apenas contra o rival mas também contra outros lutadores da nacionalidade de Silva e também sobre o Brasil. "Aqui, a dança das Paraolimpíadas se chama capoeira e cocaína se chama brunch [lanche]", disse o americano.

Ao saber da polêmica que a frase causou (nova legião de odiadores e afins), o lutador "retratou-se" dizendo: "Se eu tivesse a mais remota ideia de que existem computadores no Brasil, não teria feito isso". Em outra oportunidade, Sonnen afirmou que "[no Brasil] se você baixar a cabeça, te roubam a carteira".

Então, depois de tudo isso, o que acontece? Isso mesmo! Sonnen é convidado a ser uma das estrelas principais do "TUF", reality show de MMA filmado no Brasil e transmitido pela Rede Globo. Não bastasse, ainda dá uma entrevista super polida e é coberto de elogios pela "primeira dama da TV Nacional", Angélica.

Ídolos brasileiros: Wanderley Silva, Isabel, Hortência e Chael Sonnen
O que há em comum entre Robin Williams e Chael Sonnen, além de serem famosos? São dos EUA.

Em 2010, em entrevista sobre o filme "Mercenários" (produzido no Brasil), Sylvester Stallone declarou: "Lá você pode explodir tudo, que as pessoas te agradecem e ainda te dão um macaco de presente".

Em resumo: se você for famoso e estrangeiro, está autorizado a falar mal do Brasil, dos brasileiros, do que for. A revolta vai durar uns dois dias e meio, irá gerar pequenos surtos patrióticos, mas depois tudo volta ao normal. E você ainda será adulado pelos mesmos que te apedrejavam.

A menos que você seja argentino, meu camarada!

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Recordar é viver:


1) Jornalista argentina comenta episódio de "Os Simpsons" no Brasil
2) Revista Veja comenta relação de Diego Maradona com o Brasil