segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Raça X Nacionalidade (90)

 

A estúpida declaração do político: "Trato de ser tolerante, porém DETESTO FUTEBOL, e o fenômeno idiotizante que produz... Detesto ainda mais porque as pessoas estorvam e inundam as avenidas para fazer com que se demore duas horas para chegar em casa... E tudo para ver um MACACO... Brasileiro, mas ainda macaco. Isso já é um circo ridículo."

Ronaldinho Gaúcho se manifestou sobre a situação: "Basta!". De fato, é algo que está se tornando incontrolável ao mesmo tempo que é e sempre foi inaceitável.

Não nos custa lembrar de uma situação idêntica, só que ao contrário, ocorrida ano passado...

A única diferença: a declaração de Treviño Nuñez repercutiu em todos os lugares. A de Piraci Oliveira, quem ficou sabendo?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Muito Além do Futebol... (98)

Deu no GloboEsporte.com, hoje.


06/10/2014 07h18 - Atualizado em 06/10/2014 09h20
Diego Tardelli relata voo com rivais argentinos: "Nem olhamos na cara"

(...)No voo, que saiu de São Paulo e fez escala em Dubai, totalizando mais de 24 horas de locomoção, a delegação brasileira se encontrou com integrantes da comissão técnica argentina. Estreante no duelo, Diego Tardelli já incorporou o espírito da rivalidade desde o avião.

- Algumas pessoas vieram no mesmo voo, nem olhamos na cara porque sabemos da rivalidade que há num Brasil x Argentina. Sempre vai existir.

O volante Elias foi um passageiro mais cordial. Ele confirmou a companhia dos adversários na segunda parte da viagem, de Dubai até Pequim, mas foi mais brando sobre os parceiros de avião.

- A comissão deles estava no nosso voo, mas foi super tranquilo, amigável. Na hora do jogo, nós nos esquecemos disso. (...)


Será que os dois atletas da seleção tomaram dois aviões diferentes?

PS: Diego Tardelli tem esse nome por causa de Maradona.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Off-Topic (18)

*Postagem número 500 da história do blog.

"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.

Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá! 
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".

Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?

"Chorando desde Itália até hoje"

Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi
símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).

"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...

Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".

Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:



"Maradona é maior que Pelé"

A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".

Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.

Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".

Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?

Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".

De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".



Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".

"A musiquinha deles"

"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.

Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.

Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".

Melhorada?!

Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.

O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"

No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Raça X Nacionalidade (89)

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas, "o racismo no Brasil é institucionalizado". Ainda de acordo com o material da ONU, "o racismo permeia todas as áreas da vida, no entanto (...) ainda existe o mito da democracia racial".

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Duetos (93)

Três semanas atrás, o lutador Santiago Ponzinibbio (cuja história já relatamos aqui) venceu o combate no UFC e declarou amor por suas duas nações: a de origem, Argentina, e onde foi acolhido, Brasil.

Ponzinibbio com as bandeiras dos dois países