domingo, 23 de agosto de 2015

Duetos (100)

Fito Paez e Paulinho Moska: hermanos. Canção lançada em 2015.

sábado, 15 de agosto de 2015

Raça X Nacionalidade (99)

No dia 26/07, o programa Pânico da Rede Bandeirantes, dentro do quadro Pânico's Chef - paródia do reality show culinário Master Chef -, apresentou ao mundo um personagem denominado Africano, interpretado por Eduardo Sterblitch.


         
A bizarra criação se fez representar pelo ator com o corpo pintado de preto, protagonizando atitudes primitivas, animalescas, comportando-se de forma insana, e até irracional, através de danças, gritos, grunhidos, gestos, entre outros, nos remetendo em pleno século XXI a xenofóbica e reprovável prática do black face, criação “cultural” norte-americana do final do século XIX e início do século XX, onde no meio teatral atores de raça branca pintavam-se com carbono ou carvão para representar de forma desrespeitosa e pejorativa, sátiras à raça negra.

Porém, o preconceituoso ato não se limitou a uma única vez: no último dia 09/08, o Africano apresentou-se ao vivo no palco do programa, repetindo as megalomanias discriminatórias, como podemos constatar no vídeo abaixo:



A aparição não tardou a repercutir e causar indignação àqueles que se preocupam com a dignidade do próximo – no caso, com os afrodescendentes – e com a luta pelos direitos iguais: mais de 2,5 mil internautas denunciaram imediatamente, e criou-se o grupo “Repúdio ao Racismo do Personagem Africano no Pânico na Band", onde o público criticou o preconceito e discutiu formas de tirar o personagem do ar: "Repudiamos a maneira nojenta em que retratam os povos da África a fim de intensificar o mito de que tudo que vem da Africa e todo seu povo não tem educação e merece gargalhadas de escárnio", disseram os organizadores da página.

Além da repercussão nas redes sociais, a Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, ligada ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou denúncia à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, solicitando providências contra o quadro racista.

Consta na denúncia: [o personagem] não possui expressão, aproximando-se de um selvagem, razão pela qual os internautas começaram a denunciar o assunto nas redes sociais. [...] além da prática lamentável do chamado ‘black face’, esse programa coloca o personagem como um ser imbecilizado, o que contribui para a baixa autoestima das pessoas, a estereotipização de segmentos da população e traz os resquícios da escravidão —ressaltou Humberto Adami, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. Humberto ainda fez questão de frisar: [...] As pessoas que produzem o personagem, o próprio ator ou as que estão rindo disso não percebem toda a carga de racismo, que tem origem na escravidão. [...] Por que não se faz isso com judeus? Porque sabem que a reação será imediata. Fazem isso com comunidades que, tradicionalmente, têm mais dificuldade para apontar o dedo para a violação de seus direitos básicos.

A atitude do programa repercutiu em âmbito internacional, especificamente em um site do Senegal, o Seneweb, que publicou no último domingo um vídeo com o personagem seguido da manchete: O Brasil é um país racista? Vejam como eles zombam dos africanos!.

Utilizando-se sempre do argumento de que o objetivo central do programa é entreter e levar ao humor aos lares brasileiros, a produção do programa manifestou-se publicando que o quadro também apresenta sátiras de “mexicanos, chineses e árabes” – como se justificasse: O programa Pânico está no ar há 12 anos na televisão brasileira e jamais teve a intenção de ofender seus telespectadores com nenhuma de suas atrações, mas sim levar entretenimento com seu humor característico, afirmou a publicação.
         
Em seu perfil no Facebook, Sterblitch procurou desculpar-se: Não sou racista e também estou chorando... A quem deixei triste ou pior, peço desculpas por minha ignorância. Que, pelo menos, eu sirva de exemplo para que isso não aconteça mais, declarou.
Em lamentável contrapartida social, diante do ocorrido, temos o  dever de discutir vários pontos fundamentais:

A respeito da representação do dia 29/07, o apresentador do bizarro programa e também radialista, Emílio Surita, relembrou ao público como foi lançada a mais nova criação. Transcrevemos:

Vocês se lembram do Africano? O Africano fez um grande sucesso no Pânico’s Chef da semana passada, não foi isso mesmo?! (Vrololololáaaa!!! – responde Sterblitch, caracterizado do personagem). Então, por gentileza, rodem o VT para que vocês entendam qual o desafio do Africano, hoje, aqui no programa […]

Ato contínuo, repassando imagens do domingo anterior, onde o personagem bebia água como um animal, sinalizava rituais religiosos com desdém e deboche, e dançava de forma circense, foi dado prosseguimento:

Desde que surgiu o Pânico’s Chef, um personagem especial se destacou, mesmo sem proferir qualquer palavra que se possa entende [...] O Africano embrulhou o estômago dos jurados e conquistou o coração do público. Uns dizem que ele recebe uma entidade, outros que sofre espasmos musculares mas a maioria aposta que sua performance é apenas uma dança esquisita. O Africano, essa figura ímpar da TV brasileira agora vai lançar um desafio para nossa audiência. Você, que está assistindo o Pânico agora, poderá fazer uma dança mais esquisita que a do Africano [...], finaliza o apresentador convidando o telespectador para enviar um vídeo com uma forma de dançar pior do que a do Africano.

Tão depressa, figuras como essa, abaixo, mandaram sua contribuição ao ato:

Além de qualquer coisa, é importantíssimo lembrar que no exato momento em que era exibido quadro, nada menos do aproximadamente 12 mil pessoas “curtiam” a situação no facebook, bem como foram disseminados diversos comentários favoráveis ao crime cometido em rede nacional e horário nobre dominical.

Da mesma forma, discussões intermináveis são representadas por pessoas que como em um passe de mágica, retiram por conta própria o direito dos demais de ficarem indignados. No Brasil, atualmente, é uma espécie de moda, diga-se: “retirar” o direito das pessoas de se indignar com situações reprováveis; quem se indigna, invariavelmente tem contra sí o rótulo de reacionário, “chorão”, hipócrita, e por aí vai: não “se pode” mais achar absurda a postura de uma coletividade cada mais tendente à futilidade e a separação dos blocos que não se adequam com as “novas tendências”.
Em segundo lugar, não custa lembrar, por exemplo, que tal atitude racista e discriminatória não é pioneira na televisão brasileira; quem não se recorda da personagem Adelaide, do programa Zorra Total, da rede Globo?

Por fim, e como de hábito, deixamos um questionamento para reflexão geral: até onde serão capazes de chegar as ideias das direções desses programas de “entretenimento” (?!)? Qual o limite da ânsia que visa angariar a maior quantidade de pontos de audiência do público que os prestigia? Alguém ficará surpreso, se em nome de afagar a mente distorcida, preconceituosa e tendenciosa sempre a atitudes más, se algum personagem, de fato, num futuro não muito distante, for vítima de um homicídio (ao vivo) – já que atos de tortura, inclusive, não são mais novidade, inclusive no próprio picadeiro do Pânico -, por representar alguma classe excluída da sociedade?

Nós não, infelizmente.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Duetos (100)

Imagem que correu o mundo na última semana: o Papa argentino e uma católica brasileira. E viva a verdadeira "rivalidade"!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Isso é Jornalismo? (60)

Mais um capítulo do "vamos botar alguma coisinha contra argentinos aqui pra chamar a atenção e daí depois a gente arruma".

Na página principal do site GloboEsporte.com noticiou-se a primeira partida de Lukas Podolski - aquele que quis virar 'brasileiro por adoção' na Copa do Mundo - em seu novo clube. A manchete: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski é agredido por argentinos".

Essa foi a chamada. Nada sobre gols, assistências, participação em campo, presença dos torcedores, etc.

Clicando no link, abre-se a matéria e o título já é um pouco diferente: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski faz gol, mas briga com argentinos".

É importante frisar, é claro: argentinos.

Mudança de enfoque: agora, menciona-se um pouco da performance em campo do jogador, e além disso temos que, em vez de "ser agredido", ele "brigou". Ora, ser agredido e brigar de fato são coisas diferentes: "quando um não quer dois não brigam", dizem.

Mas, tendo agredido ou brigado, não importa: foi com argentinos. Não esqueçam.

Aí vem a descrição da matéria, e a coisa parece ainda mais distante do que sugeria a chamada inicial: "Numa discussão com o zagueiro Cabral, o alemão chegou a dar um tapa no defensor, e em seguida levou o troco".

A confusão se estende, e talvez a matéria se baseie no que acontece em seguida: "Depois, recebeu um soco de Augusto Fernández, que chegou por trás".

Confira o video:


Não nos custa lembrar um pouquinho do histórico de Lukas Podolski, inclusive contra companheiros de seleção.

Em tempo: se o GE.com existisse em 1995, provavelmente diriam: "Edmundo é agredido por argentinos"...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Off-Topic (21)

No dia em que se noticia que ninguém menos que Al Pacino é fã da seleção argentina de futebol, e que uma jornalista brasileira (novamente) sofre todos os tipos de ataque com cunho racista, resulta curioso lermos uma postagem como esta no já citado blog Transmissões.

Eles defendem que os brasileiros que torcem pela Argentina "são, em geral, supremacistas étnicos enrustidos". Vão mais longe: aqueles que afirmam torcer pela seleção de futebol do país vizinho o fazem porque não podem insultar negros à vontade.

Sim, é esse o cálculo que eles fazem. Psicopatia social em estado alarmante.

"Seu sonho era poderem insultar negros - sobretudo os negros de seu país - o quanto quisessem, como quisessem, da maneira que quisessem.

Infelizmente, não podem. (...) O que lhes resta? Apoiar aqueles que berram. E manter o sonho de poder agredir negros à vontade.

Escondem isso sob a capa de uma preferência pessoal pela seleção argentina
".

Vai ver Al Pacino é racista, também -- ou então aqueles que atacaram Maria Júlia são todos integrantes de alguma "Torcida Organizada da Argentina no Brasil".

Em tempo: comentário postado na notícia sobre a preferência de Al Pacino:
eduardo (17h05)
era um grande artista. errou ao se casar com uma argentina e publicar isso.