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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Off-Topic (20)

No dia em que se noticia que ninguém menos que Al Pacino é fã da seleção argentina de futebol, e que uma jornalista brasileira (novamente) sofre todos os tipos de ataque com cunho racista, resulta curioso lermos uma postagem como esta no já citado blog Transmissões.

Eles defendem que os brasileiros que torcem pela Argentina "são, em geral, supremacistas étnicos enrustidos". Vão mais longe: aqueles que afirmam torcer pela seleção de futebol do país vizinho o fazem porque não podem insultar negros à vontade.

Sim, é esse o cálculo que eles fazem. Psicopatia social em estado alarmante.

"Seu sonho era poderem insultar negros - sobretudo os negros de seu país - o quanto quisessem, como quisessem, da maneira que quisessem.

Infelizmente, não podem. (...) O que lhes resta? Apoiar aqueles que berram. E manter o sonho de poder agredir negros à vontade.

Escondem isso sob a capa de uma preferência pessoal pela seleção argentina
".

Vai ver Al Pacino é racista, também -- ou então aqueles que atacaram Maria Júlia são todos integrantes de alguma "Torcida Organizada da Argentina no Brasil".

Em tempo: comentário postado na notícia sobre a preferência de Al Pacino:
eduardo (17h05)
era um grande artista. errou ao se casar com uma argentina e publicar isso.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Off-Topic (19)

Em tempos onde o governo brasileiro atual afirma que a Argentina (e demais países do Mercosul) é um dos principais parceiros político-econômicos do Brasil e onde parte da população pede por Impeachment da atual presidente e eventual intervenção militar, é importante estudarmos mais a fundo como foi a relação Brasil-Argentina, em âmbitos governamentais, na época do Regime Militar.

O estudo (disponível neste link) "O Brasil e a Argentina entre a cordialidade oficial e o projeto de integração" fala da política externa do Governo Ernesto Geisel (de 1974 a 1979).

Um trecho: "Argumenta-se que, entre 1974 e 1979, Ernesto Geisel e seu chanceler, Antônio Francisco Azeredo da Silveira, puseram em xeque o lugar da Argentina no cálculo estratégico da política exterior brasileira, questionando a validez do típico marco conceitual do Itamaraty para orientar as relações com Buenos Aires – a cordialidade oficial. A cordialidade oficial representa o conjunto de princípios e concepções que informou a diplomacia brasileira para Buenos Aires com o objetivo primordial de evitar que a dinâmica entre os dois principais poderes da América do Sul levasse a uma rota de colisão."

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Off-Topic (18)

*Postagem número 500 da história do blog.

"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.

Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá! 
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".

Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?

"Chorando desde Itália até hoje"

Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi
símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).

"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...

Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".

Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:



"Maradona é maior que Pelé"

A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".

Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.

Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".

Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?

Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".

De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".



Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".

"A musiquinha deles"

"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.

Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.

Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".

Melhorada?!

Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.

O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"

No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Off-Topic (17)

Gostaríamos de recomendar o seguinte artigo, publicado na Revista "Caminhos de Geografia": "Migração de argentinos para o Brasil: o caso de Armação de Búzios (RJ)".

Armação de Búzios (RJ)
Um resumo: "Apresenta-se um estudo de caso, cujo objetivo consiste em avaliar e compreender of fluxo migratório de argentinos para o município de Armação dos Búzios (RJ). A análise possui por fim compreender as conseqüências do processo de re-territorialização dos imigrantes e a sua implicação na formação das redes sociais no novo ambiente. Para tal, foram realizadas entrevistas, de caráter qualitativo, com o escopo de traçar o perfil do imigrante, a motivação do movimento migratório e a formação de redes sociais."

A autora, Jimena Harguindeguy, comentou em um artigo que falava sobre argentinos: "Sou argentina, mas moro no Brasil desde meus 3 anos de idade. Não possuo sotaque, nunca estudei na argentina. Sou mais brasileira que argentina, mas já sofri discriminação. Sempre sou apontada como "a argentina", mesmo que num nível "light". (...) Estou fazendo minha monografia de fim de curso (em Geografia) sobre os Argentinos em Búzios (RJ). Citarei esta matéria, pois percebi nos entrevistados muitas reclamações de discriminação."

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Off-Topic (16)

O preconceito do bem

Certa vez, numa aula de Literatura, o Professor afirmou: “também existe o preconceito do bem, sabiam?”. A turma fez aquela tradicional cara de paisagem, então o Mestre continuou: “Sim: preconceito não é apenas ter imagem ruim de grupos, pessoas: também pode haver imagens boas que são preconceituosas”. O silêncio continuava, e ele prosseguiu: “É, isso mesmo! Vou chocar vocês agora: sabiam que tem japonês vagabundo, safado, criminoso? Pois é! Nem todo japonês é honesto e educado, tem muito fdp por lá também”.

Verdade: há milhões de japoneses prestativos, humildes, amigáveis e solidários. Mas há, também, muitos facínoras, desumanos, lunáticos, pervertidos, fraudadores e mentirosos (todas as notícias linkadas são recentes). Em resumo, um japonês não é “uma pessoa melhor” por ter os olhos puxados ou porque nasceu naquela ilha de 378 mil km²: o que acontece é que, lá, contravenções e crimes menores são punidos mais rigorosamente, e há maior e melhor acesso à educação.

Porém, nem isso impede que o mau-caráter muitas vezes vença e vigore.

Conca: jogador que mais atua no Campeonato Brasileiro
Falando sobre Argentina e Brasil, temos pelo menos dois “preconceitos do bem” bastante difundidos.

Quatro anos atrás, Muricy Ramalho teceu elogios ao jogador Darío Conca, falando sobre sua dedicação e doação à equipe do Fluminense: “não perde nenhum jogo, é o que mais treina, não fica questionando”. O treinador viu nessas qualidades individuais do meio-campista uma característica inata dos argentinos: “Isso é do argentino. Os clubes europeus preferem [jogadores argentinos] porque eles não reclamam de saudade, não sofrem com o frio, não ligam pra comida, se o bife está duro” -- distinção semelhante foi feita pelo técnico uruguaio Gerardo Pelusso.

Conca não é propriamente uma exceção – vários argentinos, no futebol brasileiro ou europeu, e em diversas outras profissões, demonstram essa “capacidade de adaptação”, maturidade e devoção aos compromissos –, porém, existem muitos argentinos preguiçosos, mimados e inconvenientes.

Brasileiros: um povo feliz e acolhedor
Quanto aos brasileiros, o preconceito do bem mais comum certamente é aquele do “povo alegre e amistoso”, que em último grau vai se confundir com a “receptividade” a diferentes culturas, etnias, religiões, etc. Seguramente muitos estrangeiros e minorias se sentiram acolhidos no Brasil, mas tratar isso como um fato não passa de propaganda e pode ser bastante perigoso, não à toa existem estudos e análises sobre esse mito.

Conforme dissemos no texto sobre o Mundial, a Copa do Mundo realizada no Brasil fomentou e reforçou muitos estereótipos. Dentre essas muitas imagens, uma, positiva, foi a mais propagada: a dos “alemães bonzinhos”.

Os elogios começaram muito antes, falando da simpatia de Schweinsteigger, Klose e companheiros. Lukas Podolski, por exemplo, assumiu a alcunha de “meio brasileiro”, postando mensagens em português e fotos interagindo com a cultura local (da novela à feijoada) em seu Instagram. No entanto, surgiu na internet uma epidemia de pequenos textos falando da hombridade e "caráter superior" dos alemães.

Lukas Podolski, "o mais brasileiro dos alemães"

Já antes da humilhante vitória por 7 a 1, “bombou” o seguinte post:

"Vou torcer para a Alemanha. Por que?
Há 6 meses, os alemães chegaram e…
- Compraram um terreno,
- Construíram um hotel,
- Construíram um centro de saúde,
- Construíram um campo de futebol,
- Doaram uma ambulância,
- Criaram um programa de escola em tempo integral em Cabralia,
- Fizeram uma estrada para interligar o centro de treinamento,
- Não trouxeram funcionários alemães, contrataram as pessoas da cidade,
- Gerando 250 empregos diretos no local de treinamento,
Depois a seleção alemã chegou e…
- Quando não estavam treinando, estavam socializando com as pessoas na cidade e na praia,
- Participaram de festas com a população,
- Interagiram com os índios e atenderam suas demandas,
- Vestiram a camisa do time local (o Bahia),
Dá pra não torcer pra esses caras?"

bandeira da "Brasilemanha", no Rio de Janeiro
A maioria das seleções “atendeu o público”, etc. Doações em dinheiro ou material para hospitais? Muitas equipes também fizeram. E que seleção trouxe funcionários do próprio país para trabalhar no hotel/CT onde tenham se hospedado?! Até aí, nada de especial.

Com a eliminação brasileira e, um dia depois, a classificação argentina à Final, o texto ficou ainda mais popular e passou a ter o título “Por que torcer pela Alemanha na final”, acrescentando informações sobre a vitória diante do Brasil:

- Nunca desrespeitaram os brasileiros,
- Combinaram no intervalo do jogo em diminuir o ritmo para não desrespeitar a seleção anfitriã,
- Mostraram que seus ídolos são os nossos jogadores do passado,
- Pediram desculpas após a goleada, e tiveram classe para ganhar

Nada muito diferente do que vimos três anos atrás, quando o Barcelona goleou o Santos na final do Mundial de Clubes, certo? Porém, os maiores elogios aos alemães se deram quanto aos gastos do “próprio bolso” em prol da “comunidade local” e “deixados como herança”:

- Vão deixar tudo que construíram para a população da cidade.

Uma série de mentiras misturadas com falta de apuração dos fatos gera o que chamamos desinformação.

Governador da Bahia e o chefe da delegação alemã
Primeiro ponto: em dezembro do ano passado foi noticiado que o Governo Estadual da Bahia iria pagar parte das despesas da seleção alemã durante sua hospedagem. Os gastos dos cofres públicos foram calculados em torno de R$ 1 mi, e incluíram a construção de todo o centro de mídia utilizado pela federação.

Outra apuração jornalística, depois que os boatos do “hotel construído e doado” ganharam mais força, revelou que o Centro de Treinamento já existia havia cinco anos (!) e era, na verdade, um projeto imobiliário. Reportagem da Folha de S. Paulo, no começo do ano, falava de “receio e esperança” dos moradores locais com o empreendimento.

Entretanto, a grande revelação aconteceu semana passada, já um mês depois do fim da Copa do Mundo: a empresa (alemã) contratada pela delegação alemã é acusada de calotes em vários prestadores de serviço (brasileiros), chegando à casa de 1 milhão de reais, incluindo 6.3 mil em contas de luz. Depois da repercussão e reconhecimento da dívida, o grupo contratado ainda acusou o Banco Central pelos problemas de pagamento!

E agora, por onde anda o famigerado "Autor Desconhecido" do viral “Por que torcer pela Alemanha”?...

Alemães não são “bonzinhos”, como quiseram pintar, e também não são “nazistas”, como já foram pintados. Alemães são pessoas: nem melhores nem piores que argentinos ou brasileiros. Simplesmente vivem num país melhor organizado e mais rígido em suas leis.

Brasileiros e Alemães: "Temos que torcer pra eles"

Queriam torcer pela seleção alemã contra a argentina? Perfeito, sem problemas! O time alemão é gigante historicamente e, nos últimos anos, é o que apresenta o melhor futebol coletivo. Assim, torcer pela beleza do jogo deles era a única justificativa aceitável.

O resto é hipocrisia. Ou síndrome de Estocolmo.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Off-Topic (15)

Das imagens que o brasileiro tem de si mesmo - e não faz nenhuma questão de negar -, uma das mais clássicas é a da "memória curta". Esse argumento é usado, especialmente, para falar dos políticos: "não se lembra em quem votou" ou "reelegeu esse cara, que fez isso e aquilo".

Outra imagem que vem sendo resgatada e bastante difundida é a da "síndrome de vira-lata", usada para descrever a ideia de que o "nosso não presta" e o que é de fora é "sempre bom".

Essas duas imagens se uniram na ocasião da morte do ator Robin Williams (segunda-feira, 11).

Robin Williams foi um grande ator, seja em comédias ou em dramas: protagonizou filmes históricos, indo de "Sociedade dos poetas mortos" a "Uma babá quase perfeita", passando por "Amor além da vida", "Bom dia, Vietnã", "Homem Bicentenário" e "Férias no trailer".

Logo que anunciado o falecimento do artista, as redes sociais se tornaram palco de lamentos profundos, e milhões de "fãs" brasileiros surgiram.

5 anos atrás, porém, o que Robin Williams mais tinha no Brasil era uma legião de odiadores, pessoas que sugeriam boicote a seus filmes, falando que na verdade ele era um ator medíocre, e muitos ainda fizeram referência aos problemas de dependência química que o atinigiram - como foi o caso da maldosa e tendenciosa edição do Bom Dia, Brasil.

O motivo: Robin Williams fez uma piada de mau gosto sobre a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 (Chicago foi a concorrente finalista nessa disputa).

Relembre:


Se bem observado, o comentário de Robin Williams, na verdade, ofende MUITO MAIS os membros do Comitê Olímpico Internacional (ora, quem se vende por shows de striptease e cocaína é o quê?!).

Um ano depois, quando divulgava o filme "Surpresa em Dobro", o ator deu uma entrevista para um canal brasileiro, e fez mais algumas anedotas sobre o povo e os costumes locais:


Sem problemas, ninguém mais lembra. Robin Williams agora é muito querido e amado pelos brasileiros. Todos os problemas que teve - e, em último caso, causaram sua morte - já estão esquecidos, em nome de sua grande obra. A semana na TV aberta promete várias reprises e lembranças de filmes estrelados pelo ator. E seus comentários sobre o Brasil, na verdade, já entraram para uma galeria infinda de estrangeiros (famosos) que "falaram mal" do país.

Já se tornou clássico o caso do astro do UFC Chael Sonnen (que já mais de uma vez caiu em exames antidopping): visando promover sua(s) luta(s) com Anderson Silva, Sonnen destilou veneno não apenas contra o rival mas também contra outros lutadores da nacionalidade de Silva e também sobre o Brasil. "Aqui, a dança das Paraolimpíadas se chama capoeira e cocaína se chama brunch [lanche]", disse o americano.

Ao saber da polêmica que a frase causou (nova legião de odiadores e afins), o lutador "retratou-se" dizendo: "Se eu tivesse a mais remota ideia de que existem computadores no Brasil, não teria feito isso". Em outra oportunidade, Sonnen afirmou que "[no Brasil] se você baixar a cabeça, te roubam a carteira".

Então, depois de tudo isso, o que acontece? Isso mesmo! Sonnen é convidado a ser uma das estrelas principais do "TUF", reality show de MMA filmado no Brasil e transmitido pela Rede Globo. Não bastasse, ainda dá uma entrevista super polida e é coberto de elogios pela "primeira dama da TV Nacional", Angélica.

Ídolos brasileiros: Wanderley Silva, Isabel, Hortência e Chael Sonnen
O que há em comum entre Robin Williams e Chael Sonnen, além de serem famosos? São dos EUA.

Em 2010, em entrevista sobre o filme "Mercenários" (produzido no Brasil), Sylvester Stallone declarou: "Lá você pode explodir tudo, que as pessoas te agradecem e ainda te dão um macaco de presente".

Em resumo: se você for famoso e estrangeiro, está autorizado a falar mal do Brasil, dos brasileiros, do que for. A revolta vai durar uns dois dias e meio, irá gerar pequenos surtos patrióticos, mas depois tudo volta ao normal. E você ainda será adulado pelos mesmos que te apedrejavam.

A menos que você seja argentino, meu camarada!

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Recordar é viver:


1) Jornalista argentina comenta episódio de "Os Simpsons" no Brasil
2) Revista Veja comenta relação de Diego Maradona com o Brasil

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Off-Topic (14)

Já falamos muito sobre o que brasileiros pensam a respeito dos argentinos, e vice-versa. E que tal saber o que os alees pensam...

sobre os argentinos:


sobre os brasileiros:

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Off-Topic (13)

“Se a Teoria da Relatividade estiver correta, a Alemanha afirmará que sou alemão, a Suíça dirá que sou cidadão suíço e a França me chamará de cidadão do mundo. Mas se ela fracassar, os franceses me chamarão de suíço, os suíços de alemão e os alemães dirão que sou judeu.”
(Albert Einstein)

Terminada a Copa do Mundo, é hora de fazer um balanço do torneio. Dentro de campo, temos pouco a apontar: o título ficou em ótimas mãos, e os selecionados de Argentina e Brasil, que começaram com imagens opostas, terminaram também vistos de maneiras diferentes. Mas ambos derrotados.

De acordo com a linha proposta pelo nosso blog, iremos nos focar na parte de fora dos gramados, mais precisamente com relação às torcidas e aos povos que se fizeram presentes nesse mundial.

Como já apontado pelo sociólogo Ronaldo Helal em postagem anterior, se agravou ainda mais a rivalidade Brasil e Argentina. Se, do lado brasileiro, isso sempre foi bastante aflorado, da parte dos argentinos a “surpresa” com a torcida contra dos brasileiros em TODOS os jogos fez aumentar o sentimento – ainda que os brazucas sigam abaixo dos ingleses na “preferência” dos Hermanos.

Entretanto, como costumamos dizer aqui, essa rixa está indo cada vez mais “muito além do futebol”.

Muitos foram os relatos indignados de brasileiros ao comentar sobre os argentinos, seja por seu comportamento nos estádios durante os jogos ou pela sua presença fora deles, naquilo que a imprensa oportunamente batizou de “invasão” antes mesmo da chegada dos vizinhos.

Pessoas me disseram, mais de uma vez, que ficaram profundamente irritadas.  Um amigo próximo me disse: “o que vi, li e ouvi deles, é digno de asco”. Outra amiga, lamentou: “tentei gostar dos argentinos, mas não consegui”. E uma colega de trabalho decretou: “ficou provado como o povo argentino é &#%$@”.

Não se pode dizer que seja incompreensível. Houve, mesmo, motivos que em certa medida explicassem esses sentimentos.

Na partida entre Argentina e Bósnia, no Maracanã, dois argentinos foram presos após realizarem ofensas de cunho racista. No mesmo jogo, um grupo de argentinos pulou um muro no estádio indo a um setor para o qual não tinha ingresso. Em outro jogo, em Porto Alegre, um grupo bateu em um brasileiro e roubou-lhe a entrada.

Argentino imita macaco para fotógrafo brasileiro
Tivemos, também, inúmeros casos de brigas dentro dos estádios, muitas delas motivadas e iniciadas por argentinos, além de vandalismo nas arenas. Fora dos limites dos jogos, houve muitas reclamações dos brasileiros quanto à presença de argentinos nas praias do Rio de Janeiro, sem contar casos referentes ao trânsito e ingressos.

Por fim, os comentários racistas na internet, ofendendo brasileiros após a derrota argentina na final.

Em suma, foram muitas e variadas situações desagradáveis que infelizmente tiveram argentinos como protagonistas. Em nenhum momento questionamos isso, tampouco estamos fazendo defesa de tais atos.

Vocês tratam os argentinos como coitadinhos, uns santos”, dizem alguns. “Vocês escondem casos de ofensas e agressões da parte deles”, nos acusam outros. Há, ainda, quem nos cobre a cada MERDA que um argentino faça, como se nós tivéssemos responsabilidade e autoridade por outras vidas além das nossas próprias.

Não, absolutamente não.

O outro lado

Aqui, nosso objetivo não é mostrar que os brasileiros foram os maiores responsáveis por coisas ruins no mundial: nosso objetivo – como, aliás, é o objetivo geral deste blog, literalmente alternativo em terras brasileiras – será o de expor o outro lado da história, onde argentinos foram submetidos a situações vergonhosas, e a “grande mídia” (bem como as mídias covardes) não fez NENHUMA questão de mostrar.

Esse ódio que muitos brasileiros têm de argentinos vem da imprensa e da publicidade, em grande parte, e é transmitido por gerações. Assim, chega-se ao ponto de se odiar uma pessoa simplesmente por conta de sua origem, sem jamais tê-la conhecido. Aí, quando acontece uma Copa do Mundo no “seu” país e muitos daqueles que você odiava sem saber exatamente por que razão vem e aprontam, você se sente aliviado: “eu não falei?! eles são assim mesmo!!!”.

Daniel Cassol, brasileiro, gaúcho, escreve para o excelente site Impedimento. No texto “O que deu pra ver da final?”, contou que “Houve provocações e xingamentos dos dois lados, é bom que se diga. Lá pelo segundo tempo, com a cerveja emprestando valentia, houve prenúncios de brigas e alguns safanões. (...) fiquei prestando atenção no comportamento dos brasileiros presentes no Maracanã. Foi raivoso na maior parte do tempo (...). Ofensas gritadas com o fígado. Um comportamento besta”.

Ele ainda narrou uma história no mínimo curiosa: “No sábado, uma argentina moradora do Rio de Janeiro me contava que tentou levar o filho para assistir a uma partida da Copa com o colega de escola, brasileiro. “Não vejo jogo com argentinos”, foi a resposta.”. Alexandre Peniche, brasileiro, carioca, trabalha para uma das empresas parceiras da FIFA. Em e-mail ao blog, contou o que viu: “Vi 3 jogos da Argentina nos estádios. Vi brigas entre argentinos e brasileiros nos jogos que fui, mas devido a provocação mútua. Em momento algum brasileiro ou argentino partiam pra cima”.

Briga entre argentino e brasileiro na praia de Copacabana
Sebástian Bezzo, argentino, residente em São Paulo, em e-mail ao blog contou que assistiu à finalíssima na Fan Fest local: "Eu era um completo intruso! 99% dos presentes eram brasileiros, e uns 96% torciam pela Alemanha: camisas, bandeiras, caras pintadas, vuvuzelas, etc. Não podia acreditar! (...) A hostilidade foi constante e a alegria pelo gol alemão foi inusitada. (...) Houve muitas provocações e comentários nada agradáveis."

Merisa Piras, brasileira, carioca, foi voluntária durante a Copa do Mundo no Maracanã. Em depoimento em sua página pessoal, disse: “Vocês não tem ideia do que eu vi estes caras [argentinos] aguentarem de provocação ontem no Maracanã. Fiquei com vergonha de ser brasileira por causa de alguns brasileiros. (...) Xingaram, chamaram pra briga e eles ficaram na deles. (...) E quero agradecer a dois argentinos que vieram ao meu socorro após eu ser quase agredida fisicamente por um bêbado brasileiro que teimava em entrar na fila preferencial”.

Acreditar que argentinos tenham sido responsáveis solitários por brigas e confusões nos estádios é, acima de tudo, desonesto (como desonesto seria afirmar que é “tudo culpa dos brasileiros”). Ao longo da Copa, houve diferentes relatos de agressões de brasileiros a argentinos durante as partidas.

Neste vídeo, da BBC Brasil, é possível perceber que argentinos são agredidos na semifinal, diante da Holanda. Neste outro, temos dois argentinos, sozinhos, sendo ofendidos e posteriormente atacados por um grupo de brasileiros nos corredores do Maracanã, dia da Final. No duelo entre Argentina e Bélgica, em que um grupo de argentinos bateu em um brasileiro, ficou provado que o torcedor da seleção brasileira atirou um copo de cerveja nos argentinos iniciando a confusão. Houve, também, esse relato de pai (64 anos) e filho (32), agredidos por torcedores brasileiros no jogo Argentina X Bósnia.

Pai e filho argentinos agredidos no Maracanã
Mais preocupante, porém, são as situações que aconteceram fora dos estádios, o que torna as ofensas e ataques inexplicáveis.

O alpinista Pedro Hauck, de Curitiba, conta em seu blog que estava caminhando pelas ruas da cidade com uma amiga argentina quando, ao perceber que eles estavam falando castelhano, um transeunte se aproximou e xingou-a de "puta", em seguida chamando-o para brigar.

Tivemos de tudo: um homem (brasileiro!) sendo assassinado porque trajava camisa da seleção argentina durante Brasil X Alemanha em Minas Gerais; um argentino baleado em bar de Porto Alegre; outro tendo os dedos da mão quebrados porque empunhava a bandeira de seu país, em Belo Horizonte; uma jornalista argentina empurrada e xingada no Rio, e o carro de um hermano sendo apedrejado em Brasília.
 
Comentários em cada uma dessas notícias afirmavam que os argentinos "sem dúvida mereceram", outros diziam que eles "devem ter provocado" ou que "argentino bom é argentino morto". O jornalista brasileiro Guga Chacra escreveu em seu twitter, após a vitória da Alemanha: "lamentável e deprimente a quantidade de tweets racistas contra os argentinos, inclusive de formadores de opinião".

Até que chegamos ao cúmulo de ver mexicanos espancados por serem “confundidos” com argentinos, na semana passada.

Diante de tudo isso, só podemos, pois, dar graças a Deus: Ele não permitiu uma final Brasil e Argentina.

A César o que é de César

O jornalista brasileiro Daniel Oticica, do blog “Argentina, etc”, aponta que a mídia argentina criticou bastante a realização da Copa do Mundo no Brasil, afirmando que “Lidera a lista [de argumentos] a morte violenta de 2 argentinos, figuras públicas na Argentina, ligados diretamente ao ambiente do esporte. Soledad y "El Topo" foram vítimas de fatalidades, produto da combinação de violência social e de trânsito”.

“El Topo” era o apelido de Jorge Luiz Lopez. O jornalista argentino, de 38 anos, morreu em um acidente de trânsito em Guarulhos: o taxi que o levava foi atingido por um veículo desgovernado, que era conduzido por criminosos em fuga, perseguidos pela polícia. Dois dos três personagens eram adolescentes. A esposa de Lopez relatou erros e omissões no atestado de óbito.

Soledad (cujo nome completo era Maria Soledad Fernandez) – e outros dois colegas, também argentinos – morreu em outro acidente de trânsito, em Minas Gerais: a jornalista argentina, de 26 anos, faleceu quando o carro no qual ela estava capotou e caiu numa ribanceira de cerca de seis metros. Segundo foi apurado, o veículo de Soledad foi atingido por trás por outro automóvel, com intenção de roubo. Não houve préstimo de socorro.

O carro que atingiu o veículo da argentina seria encontrado pela polícia quilômetros depois, num posto de gasolina. Os dois homens que estavam dentro do Golf alegaram que foram atingidos por um caminhão. Eles já tinham passagem pela polícia. Foi feita a perícia e comprovou-se que era mesmo aquele o carro que causou o choque que vitimou os jornalistas.

Houve, ainda, registro de outros dois acidentes em estradas brasileiras envolvendo argentinos: num deles, ocorrido no Paraná, uma van que levava uma família de argentinos foi atingida por um veículo que tentava fazer uma conversão perigosa. Segundo a motorista do carro, ela “não viu a van”. Dessa vez, felizmente não houve vítimas fatais, ainda que seis pessoas tenham ficado feridas.

Família argentina que teve a van atingida por motorista brasileira
No outro, que aconteceu no Rio Grande do Sul, um Fiat Uno, carro dos argentinos, bateu na traseira de um trator (absolutamente proibido em estradas!) durante a madrugada, causando a morte de um dos passageiros e ferimentos graves nas outras duas pessoas que estavam no veículo.

Como visto, TODOS os quatro acidentes foram causados por motoristas brasileiros. Seria, em alguma medida, justo que os parentes das vítimas acusassem “o povo brasileiro”?

A Copa teve 64 jogos: será que somente 7 tiveram problemas?

Um determinado jornalista, já citado aqui no blog algumas vezes e que é MUITO PIOR que o Galvão Bueno quando o assunto é a “rivalidade” com a Argentina, chegou a dizer que “turistas de TODOS os outros países vieram para torcer numa boa, MENOS os argentinos”. 

Uma covardia tremenda, para dizer o mínimo. 

Ele também falou que os brasileiros envolvidos em brigas foram atacados “a troco de ABSOLUTAMENTE NADA, no máximo um grito de pentacampeão”. Finalizando, afirmou que “não houve problemas EM NENHUM DOS JOGOS sem ser os da Argentina”.

Será, mesmo?

Que fique claro, novamente: não estamos dizendo que sejam inventados ou falsos os depoimentos. Aliás, lamentamos profundamente por quem tenha sido agredido, física ou moralmente, por algum argentino durante essa Copa. O que estamos falando é sobre as generalizações e, mais que elas, a total falta de vontade de conhecer outras possibilidades.

Em primeiro lugar, é importante lembrarmos que estádios de futebol não são ambientes onde se espera o melhor das pessoas: há muito passaram a ser locais hostis, de ofensas verbais, gestuais, e palco de agressões físicas.

Some-se a isso o fato de não haver qualquer espécie de divisão de torcida (fato absolutamente INÉDITO no Brasil e que NUNCA tornará a acontecer nem mesmo em jogos de campeonatos estaduais). Mais uma: lembrem-se que a FIFA OBRIGOU o governo brasileiro a LIBERAR a venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios, fato que é CONTRA A LEGISLAÇÃO!

Cristina Corso Ruaro, promotora de Justiça que atuou no plantão do Juizado na Copa em alguns jogos, afirmou que "Em todos os casos atendidos, constatou-se que os infratores haviam ingerido bebidas alcoólicas, o que resultou em condutas inconvenientes, que ferem o Estatuto do Torcedor e o Código Penal".

Como depoimento pessoal, posso falar somente sobre o jogo entre Argélia e Rússia. Nele, vi três argelinos serem presos, um por haver acendido um sinalizador após o gol da seleção argelina, e dois por terem lutado com os seguranças que vieram retirar o autor do disparo.

Mais próximo de mim, numa região da Arena da Baixada que parecia ser meio “vip”, em três momentos distintos foram vistas pessoas se levantando e xingando uns aos outros, até que viessem novamente os seguranças e os arrastassem – muitas vezes, era preciso dois ou três para conter os brigões.

Esses torcedores não eram nem argelinos nem russos: alguns usavam uma camisa amarela com detalhes verdes, outros trajavam roupas de diferentes cores, outros vestiam camiseta dos times locais.

Meu irmão foi ao jogo Austrália x Espanha e viu também diferentes focos de briga, até mesmo entre australianos e seguranças. Além disso, o já épico Alemanha 7x1 Brasil teve 17 detidos, e "em vários momentos ocorreram trocas de socos e chutes entre torcedores".

Portanto, em apenas três partidas isoladas, “100% de aproveitamento” em confusões, sem que nenhuma delas envolvesse argentinos.

Que coisa, não?!

O senso das proporções

De acordo com a lista divulgada pela Embratur, a Argentina foi o país com maior número de turistas vindo ao Brasil: quase 167 mil, no total. A massiva quantidade (esse número representa a soma do segundo e terceiro colocados na lista), o tempo de presença no país (a Argentina teve jogos 29 dias distantes entre si) e o número de cidades visitadas (foram cinco capitais, sendo duas partidas em SP e duas no RJ) já serve para se compreender que a quantidade de problemas será diretamente proporcional.

Briga entre espanhóis e brasileiros em Curitiba
No entanto, fazendo uma rápida e simples pesquisa sobre ocorrências policiais e afins nos jogos da Copa do Mundo de 2014, percebe-se que não houve apenas uma, mas várias nacionalidades envolvidas em situações lamentáveis. Dentro dos estádios e fora deles.

Vejamos.

Mexicanos, 5º colocados na lista com 40.5 mil turistas: no jogo contra a Croácia, houve briga generalizada; em outra partida, contra Camarões, torcedores invadiram um setor de vendas e roubaram cervejas; Na partida diante do Brasil, dois foram presos por agressões a policiais; e após a eliminação diante da Holanda, brigas nos arredores do estádioUruguaios (9ª posição, 35 mil visitantes) também se envolveram em várias situações nas partidas da Celeste: houve brigas no confronto do Uruguai contra a Itália; torcedores do país foram expulsos do estádio e houve muitos feridos em brigas nos corredores na eliminação uruguaia, contra a Colômbia.

Nessa mesma partida, colombianos (4º maior número de visitantes, 49 mil) foram presos por invadirem o estádio; no jogo diante da Costa do Marfim, um grupo foi preso após abordagem policial. Isso sem contar uma grave ocorrência durante os treinos da seleção do país. Os vizinhos chilenos (3º colocados em número de turistas, 54.5 mil) ficaram marcados pela invasão ao Maracanã, onde havia mais de 80 envolvidos. No jogo contra a Austrália, em Cuiabá, um torcedor foi preso ao soltar rojões. Ainda, quatro foram presos por uso de credenciais falsas.

Não foram somente latino-americanos (britânicos, 40.4 mil, franceses, 40 mil, e alemães, 35.6 mil, aparecem da 6ª à 8ª colocações no ranking de turistas, respectivamente): no Rio de Janeiro, houve vários focos de briga no jogo da França, resultando em policiais feridos e franceses presos. Tivemos dois alemães detidos por conta de briga em Brasília e um terceiro por vandalismo em Fortaleza. Vários torcedores da Inglaterra quebraram um corrimão do estádio de Manause no jogo de São Paulo houve um ataque racista a um compatriota.

Cada um dos países citados acima também teve nativos envolvidos em outros casos vergonhosos, fora dos gramados: mexicanos foram presos após assediarem sexualmente uma brasileira e outros por venderem ingressos falsos. Uruguaios invadiram o hotel onde a seleção estava e deixaram parte do patrimônio depredadoDois ingleses foram presos em Belo Horizonte ao aplicarem golpe em taxista e um dos chefes da máfia de ingressos era inglês. Um alemão foi detido por venda ilegal de ingressos em Belo Horizonte, e outros dois foram presos no aeroporto de Guarulhos ao roubar uma obra de arte.

Houve prisão de colombianos por pichação de prédios em Belo Horizonte, brigas e assaltos na capital mineira, além de venda ilegal de ingressos. Em algumas dessas vendas também estavam envolvidos franceses. Outro francês foi preso por porte de drogas e tentativa de suborno e antes de ontem houve uma prisão por pedofilia em Fortaleza. Já chilenos figuraram nas páginas policiais do país por furtos no Rio de Janeiro, em Campinas e em Brasília, além de um grave caso de estupro no Mato Grosso.

Há outras várias situações relacionadas às nacionalidades citadas e também a diferentes estrangeiros (inclusive vindos de países que não participaram da Copa), até mesmo de japoneses, que deram um fantástico exemplo de educação, mas que também se envolveram em confusões dentro e fora dos estádios.

Seria absolutamente covarde e torpe se alguém, baseado nessas informações, dissesse que “ficou com nojo de mexicanos”, passasse a não gostar de chilenos porque eles são criminosos...”, achasse que “os franceses não respeitam autoridades...”, considerasse provado que o povo inglês é isso”, os uruguaios aquilo, os colombianos tal coisa, alemães não sei o quê...

Isso não existe.

“As acusações pareciam tão excessivas que, com medo de cometer uma injustiça, fiquei em um estado de incerteza (...). Parecia, à primeira vista, que só uma parte dos judeus aprovava essas atitudes e que a grande maioria condenava aqueles princípios (...). Porém, mesmo que eu ainda tivesse algumas dúvidas, todas elas acabavam diante da atitude de alguns judeus. (...) Poderia haver algum problema em nossa nação em que pelo menos um deles não estivesse envolvido?”
(Adolf Hitler)