Semana passada, Zverev estava jogando o Aberto de Buenos Aires, na Argentina, e foi eliminado cedo, perdendo para o local Francisco Cerúndolo, que seria vice-campeão do torneio.
Aspas para Zverev: "O único problema é que o público não sabe como se comportar durante uma partida de tênis e isso é um pouco triste porque a organização é brilhante, o torneio é excelente e as pessoas que trabalham aqui são incríveis, mas o público dificulta muito para você se não for argentino".
Zverev se tornou o queridinho do Brasil, de imediato. Dois dias depois, já tinha matéria no mesmo site falando sobre a amizade dele com atletas brasileiros e "conselhos" do alemão para o prodígio João Fonseca.
Chamou muita atenção, também, o fato de que, na mesma reportagem em que ele criticou a torcida portenha, havia menção ao dinamarquês Holger Rune, com o seguinte termo: "reclama dos argentinos".
Ora, será que ao falar de "atmosfera" ele estava falando do vento? como a entrevista de Rune foi curtíssima, vale ler o original: Do original em inglês, para quem quiser checar: "The event is well organised, but the courts are not that good. Otherwise, everything is fine. Good atmosphere, fantastic weather, pretty good."
Foi mesmo uma reclamação ou está mais para um elogio?...
Se erraram com Rune, podem ter errado, ou omitido, também com Zverev.
Aos fatos:
1) A matéria do Globo Esporte OMITE (intencional ou coincidentemente?) uma parte da frase de Zverev: "Eu amei a Argentina". Confira a matéria do Portal Tênis Brasil.
2) Se Zverev tem "amizade com brasileiros", é muito bom. Mas em nenhum momento foi divulgada a experiência do tenista alemão na Bombonera, que lhe rendeu posts e homenagens (reprodução BandSports).
Afinal, ele gostou da Argentina ou não?
Para a Globo, foi um trauma. Mas felizmente ele chegou ao Rio nesta semana.
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PS: Zverev não é propriamente um grande exemplo, como sabemos. Mas o importante é que ele "falou mal" dos argentinos e curte "uma resenha" com os brasileiros.
Vale lembrar que o tenista é acusado por sua ex-esposa (com quem fez acordo, pagando mais de 1 milhão de reais para encerramento do processo) e também por uma ex-namorada de agressão física e verbal.
A última semana foi um prato cheio para quem gosta de rótulos e "definições definidoras definitivas", conforme o lado da moeda em que esteja - ou prefira.
Nos EUA, o candidato a presidente que é tachado de "inimigo da democracia" sofre uma tentativa de assassinato clamorosa.
Ainda nos EUA, mas por mero acidente geográfico-logístico neste caso, vimos imagens dos jogadores da seleção argentina entoando um cântico que ataca a "legitimidade" dos jogadores da seleção francesa e usa de tom pejorativo para se referir a transexuais.
No Brasil, o presidente que é defendido como um baluarte da democracia, da igualdade e do respeito entre gêneros, classes e origens afirma, em reunião ministerial, que "se for corinthiano, tudo bem [bater na mulher]".
Ainda em terras brasileiras, além da fala de Lula, movimentaram as redes as notícias sobre duas situações: os bonecos dependurados (simulando enforcamento) no Engenhão e a onda de memes sobre o Ministro da Fazenda.
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Os 5 fatos mencionados acima têm personas públicas envolvidas, com maior ou menor grau de intensidade. E, apesar de aparentemente desconexos, fazem parte de uma grande teia.
Senão, vejamos.
NO ALVO
Na América, até que não restasse mais nenhuma dúvida dada a seriedade do caso, espalhou-se um questionamento sobre a veracidade do atentado a Donald Trump.
No Brasil, uma situação constrangedora aconteceu durante Jornal da Globo News, quando um especialista disse que ainda não era possível afirmar que houve mesmo um atentado - talvez porque, como afirmou o deputado André Janones, era tudo um grande esquema mundial da "extrema-direita".
A tentativa de homicídio qualificado para com o candidato "da extrema-direita" levou o atual presidente a desistir de oficializar sua candidatura, mesmo após ter enfrentado imensas críticas e até mesmo uma suspensão no financiamento de sua campanha - antes do atentado, inclusive.
Criou-se, à época, uma narrativa de que o que estaria por trás dos pedidos - até mesmo editoriais de grandes jornais - de desistência da candidatura era nada menos do que puro etarismo, isto é, o preconceito e a discriminação por conta da idade de alguém (ironia das ironias, o adversário é apenas 3 anos e meio mais jovem).
Com a desistência oficial, motivada pura e simplesmente pelo medo da ascensão de intenções de voto no adversário, a probabilidade é que Biden seja substituído justamente por sua vice: mulher, negra e filha de imigrantes. Representante, portanto, de tudo que o adversário não gosta e dissemina preconceito.
ATAQUE ORQUESTRADO
Os memes com relação ao ministro da fazenda brasileiro agora têm um novo adversário: a narrativa de que se trata de pura desinformação criada e fomentada pela "extrema-direita", para desviar atenção do publico e criar rejeição para com o governo.
A Folha de S. Paulo se ocupou de chamar uma empresa especializada para efetivar análise do fluxo dos memes, procurando confirmar se era possível provar a origem "de extrema-direita", mas a conclusão foi de que foram mesmo espontâneos.
Ora, se o Brasil é chamado até mesmo pela propaganda estatal de país com multiculturalidade e, portanto, com preconceitos apenas relativos e nunca diretos - e, consequentemente, característica máxima do brasileiro é a "autopiada" e a "capacidade de rir das tragédias e encontrar caminhos para seguir" -, a produção dos memes e piadas não seriam apenas um reflexo natural?
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Membros da torcida botafoguense penduraram dois bonecos estampando as fotos de duas personalidades importantes do futebol brasileiro: Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, e Leila Pereira, presidente da S.E. Palmeiras. Ambos os bonecos simulavam um enforcamento, e estavam dispostos no estádio Nilton Santos, o Engenhão.
Ainda que houve repercussão na imprensa - e o tom foi, sim, de reprovação ao ato -, pouco ou nada se teve da associação mais intrínseca da representatividade dos personagens: Rodrigues, baiano/negro; Pereira, mulher. Em outras palavras, mesmo no tom crítico nãos e viu misoginia/xenofobia/racismo no ato promovido pelos botafoguenses, e nem mesmo a histórica disputa político-econômica entre RJ e SP foi entendida como pano de fundo.
Ano passado, a torcida do Atlético de Madrid realizou ato muito semelhante, colocando um boneco representando Vinícius Junior dependurado debaixo de uma faixa, que dizia: "Madrid odeia o Real". Não houve, lá, quando da repercussão do ato no Brasil, nenhum entendimento de que se tratava de rivalidade esportiva, econômica ou política (o próprio uso do termo Madri por parte dos torcedores do Atleti em contraposição ao 'Real' já demonstra esse cunho) como pano de fundo, mesmo que o racismo tenha sido inegável.
ERA SÓ UMA PIADA
A fala de Lula, é bom salientarmos, encontrou reprovação quase unânime na mídia. Justiça seja feita, a Globo adotou tom bastante crítico à "piada" realizada, e enxergou nela um caminho torto para a "legitimização da violência doméstica", uma vez que o presidente tentou 'amenizar' para os corinthianos como ele.
É óbvio que o entorno do presidente, formado tanto por seus ministérios quanto por seus militantes (em alguns casos, se confundem, mas aqui estamos falando do discurso adotado na defesa de sua fala), não hesitou em usar o famoso "ruim, mas não tanto": para Anne Moura, Secretária de Mulheres do governo, Lula "foi infeliz" ao usar '"tom jocoso", mas nunca, jamais, em tempo algum e de forma alguma incentivou a violência contra as mulheres.
Foi a mesma defensiva (e não defesa) utilizada por Gleisi Hoffman quando, nas eleições de 2022, Lula disse, no palanque, "Quer bater em mulher? vá bater noutro lugar, mas não em casa nem no Brasil". Hoffman afirmou que foi "uma frase mal colocada". Lá, a imprensa adotou o termo "gafe" ou "escorregada" para descrever a fala do então candidato.
O histórico de falas do tipo por parte de Lula vem de longe e não se restringe ao momento político, e talvez o grampo telefônico de 2016 seja o melhor exemplo: entre expressões como "grelo duro" e risadas sobre os xingamentos (pê-uh-tê-ah) proferidos a Marta Suplicy, Lula disse que Clara Ant - presidente do Instituto Lula à época e amiga do presidente desde os anos 70 - achou que era "um presente de Deus" quando cinco homens adentraram sua casa, antes de saber que eram agentes da Polícia Federal.
AOS AMIGOS, A LEI; AOS INIMIGOS, O RIGOR DA LEI.
Por fim, chegamos ao cântico dos jogadores argentinos - reprodução de torcedores na época da Copa do Mundo do Qatar, e que ainda repercute em estádios do país. A tal canção foi feita para atacar os atletas franceses, afirmando que eles não são franceses e sugerindo que, por serem africanos, são inferiores - ecoando o que (lá, sim) é uma pauta "da extrema-direita" (e não apenas na própria França, como em toda a Europa Ocidental, irrompendo as barreiras da política).
Indefensável, de fato, e também um reflexo da impunidade e relativismo que imperam no país vizinho com relação a falas e termos discriminatórios e pejorativos, com todas as concessões que se faça a um povo que, a exemplo do brasileiro, também é expert em falar mal de si mesmo.
Chama a atenção, porém, a indignação seletiva, e o uso de tratamento diferenciado quando se trata dos "rivais": ora, as vozes brazucas que desdenham de um tiro e promovem fake news em TV aberta são as mesmas que se dizem chateadas com a profusão dos memes; as vozes que se indignam ao ver os brasileiros perseguidos na Espanha ou em Portugal não se indignam com os brasileiros perseguidos na rua ao lado.
afirmação de Lula em 2003.
Por fim, as vozes que encontram nos regionalismos e na sua ausência de instrução formal as justificativas para as falas homofóbicas, xenofóbicas, machistas e racistas do político preferido são as mesmas que se dizem indignar com ofensas de jogadores de futebol, geralmente com as mesmas origens e (falta de) oportunidade) do presidente - e não devem ser isentados por isso, pois, além de estarmos numa época em que tudo é visto por bilhões ao mesmo tempo, a grana conquistada por eles é o suficiente para buscarem instrução e reavaliação de (maus) costumes.
***
Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.
Um dos exemplos mais claros e irrefutáveis de como a imprensa brasileira -- e, em especial, a Rede Globo -- trata o assunto "Argentina" e "argentinos" da forma mais enviesada e até certo ponto maldosa.
Estampava a home do portal Globo Esporte a foto abaixo:
Quais "torcedores"? Ah, tá... só podiam ser argentinos!
À primeira vista, obviamente todo mundo iria concluir que se trata de uma "conduta" da torcida argentina, e que a Conmebol, por sua proximidade com a AFA, precisou intervir, correto?
Não é bem assim...
Seguem dois trechos esclarecedores (a matéria original pode ser lida aqui):
"No último dia 4, a Fifa anunciou punições a 11 federações nacionais, incluindo a CBF, multada em R$ 71,7 mil pela conduta de torcedores na partida entre Brasil e Colômbia, em 6 de setembro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Houve gritos homofóbicos no confronto contra os colombianos, na Arena da Amazônia, em Manaus."
"A punição mais pesada foi para o Chile, reincidente em manifestações homofóbicas da torcida. Já sancionada pela Fifa anteriormente, a seleção não poderá disputar o duelo contra a Venezuela, no dia 28 de março de 2017, no Estádio Nacional de Santiago, sua casa tradicional. Além disso, terá que pagar multa de 65 mil francos suíços (R$ 233 mil)."
Mas, afinal, se são 11 seleções, incluindo a brasileira, e a "pior punição" foi para os chilenos, por que o site estampou uma foto de torcedores argentinos?!
Mais um capítulo do "vamos botar alguma coisinha contra argentinos aqui pra chamar a atenção e daí depois a gente arruma".
Na página principal do site GloboEsporte.com noticiou-se a primeira partida de Lukas Podolski - aquele que quis virar 'brasileiro por adoção' na Copa do Mundo - em seu novo clube. A manchete: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski é agredido por argentinos".
Essa foi a chamada. Nada sobre gols, assistências, participação em campo, presença dos torcedores, etc.
Clicando no link, abre-se a matéria e o título já é um pouco diferente: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski faz gol, mas briga com argentinos".
É importante frisar, é claro: argentinos.
Mudança de enfoque: agora, menciona-se um pouco da performance em campo do jogador, e além disso temos que, em vez de "ser agredido", ele "brigou". Ora, ser agredido e brigar de fato são coisas diferentes: "quando um não quer dois não brigam", dizem.
Mas, tendo agredido ou brigado, não importa: foi com argentinos. Não esqueçam.
Aí vem a descrição da matéria, e a coisa parece ainda mais distante do que sugeria a chamada inicial: "Numa discussão com o zagueiro Cabral, o alemão chegou a dar um tapa no defensor, e em seguida levou o troco".
A confusão se estende, e talvez a matéria se baseie no que acontece em seguida: "Depois, recebeu um soco de Augusto Fernández, que chegou por trás".
Cena que foi ao ar semana passada (dia 02/03/2015), da novela "Império", da Rede Globo -- confira o capítulo na íntegra clicando aqui.
Severo (Tato Gabus) e Magnólia (Zezé Polessa) estão passando por grave crise financeira. A solução? Colocar Noely (Laís Pinho), a jovem que foi "adotada" por eles, para prostituir-se.
Segue diálogo:
- Tu vai botar ela para trabalhar na rua, Severo?!
- Chegamos a cogitar isso, mas ficar se espremendo com piranhas e travecos ali na Avenida Atlântica não ia dar retorno a curto prazo mesmo.
- O que tu vai fazer com a menina, então? Vai vender como escrava branca? Isso vai dar cadeia.
- Sabia que tem um senhor generoso que está nesse exato minuto pensando na Noely, doido para conhecer a menina e, de quebra, ajudar a gente?
- Tem? Quem é?
- Ainda não sabemos, mas vamos achar! Vou botar a Noely para circular por aí até encontrar este homem bom, padrão comendador. Nem precisa ser tão rico. Pode ser gringo, tem italiano... só não pode ser argentino (risos)!
Quer se prostituir? Tudo bem! Só não pode ser com argentino...
Como diz o ditado brasileiro, "perguntar não ofende": E se o personagem de Tato Gabus dissesse 'pode ser gringo, tem italiano... só não pode ser negro!'
Quem vê esta manchete, pensa o quê? E há ainda o apelo à "criança que teve de ver tudo isso...".
Então, você clica no link e vai a uma galeria de fotos.
Nela, 22 imagens: 9 delas mostram comemorações e outros lances extra-campo (torcedores, dirigentes, premiações etc.)
Das 13 referentes ao campo, somente uma (esta, abaixo) mostra um lance que parece ter originado uma falta para o Real Madrid. Curiosamente, há na galeria duas fotos em que jogadores do Real é que derrubam atletas do "time do Papa".
Realmente, um sofrimento.
Nós do blog, confessamos, não assistimos ao primeiro tempo da partida. Somente o segundo - e, na etapa complementar, não vimos NENHUM lance violento.
"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.
Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá!
Te juro, aunque pasen los años Nunca nos vamos olvidar! Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver La Copa nos va a traer Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".
Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?
"Chorando desde Itália até hoje"
Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).
"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...
Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".
Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:
"Maradona é maior que Pelé"
A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".
Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.
Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".
Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?
Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".
De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".
"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.
Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.
Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".
O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"
No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.
Boa matéria do Globo Esporte de hoje, 20/09/2014, falando sobre uma partida que celebra os 100 anos do clássico entre Brasil e Argentina: na região fronteiriça, a rivalidade existe, mas o respeito é ainda maior.
Na última segunda-feira (18), as seleções juvenis -- até 20 anos -- de Brasil e Argentina se enfrentaram pelas semifinais de um Torneio Amistoso na Espanha. A seleção brasileira venceu (2x1), conquistando a classificação para a decisão.
Apesar de o jogo ter tido várias chances de gol, a partida ficou marcada pelas confusões entre os atletas de ambos os selecionados.
Já fizemos diversas críticas às abordagens do GloboEsporte.com quando se trata de equipes (sejam times do país ou seleções) argentinas. No entanto, dessa vez é preciso reconhecer o tom das duas matérias sobre o confronto.
Em nenhum momento dos textos -- foram dois, aqui e aqui -- houve sinais daquele maniqueísmo tradicional nesses casos, algo do tipo "brasileiros só querem jogar bola e argentinos só querem arrumar brigas".
Do contrário, foram lúcidos e imparciais a ponto de destacar a duríssima entrada do jogador Thalles e a confusão iniciada: "Um momento de descontrole dos brasileiros esquentou os ânimos (...). Compagnucci (...), parado com força exagerada, terminou no chão. Thalles claramente ignorou a bola para acertar o rival. Em seguida, Matheus acertou um chute, derrubando o meia".
A situação descrita na(s) matéria(s) é a da foto abaixo: a distância que separa os jogadores (Matheus, Brasil, e Compagnucci, Argentina) da bola, e a posição do pé do brasileiro não necessitam maiores explicações.
Mais importante que o lance, porém, é o momento em que ele aconteceu: eram apenas 7 minutos do primeiro tempo! Em seguida (o juiz não apitou falta), o jogador argentino Sánchez dá um carrinho violento no atacante brasileiro Gabriel.
Matheus (camisa 8) dá entrada violenta em Compagnucci (14)
Neste vídeo, do "Tá na Área", fica muito clara a sequência. Novamente, elogiamos a imparcialidade na apresentação: o comentarista chega a demonstrar ("Nossa...") surpresa com a agressão do brasileiro.
Após a falta do argentino (essa sim assinalada pelo árbirto), há uma aglomeração e as típicas agressões se sucedem: um jogador argentino, suplente, chuta por baixo um brazuca, enquanto um jogador brasileiro, também reserva, tenta acertar soco num hermano, que não o viu.
Com a confusão, dois atletas (um argentino e um brasileiro) acabaram sendo expulsos.
Treze minutos depois, outro lance lamentável e isolado de um jogador brasileiro: Thalles tenta dar um soco no zagueiro argentino após disputa de bola na área. Este vídeo mostra claramente o lance.
Outra vez, fica elogio ao texto do GE.com, que relatou a agressão: "O clima continuou quente (...) Thalles tentou acertar um soco em um zagueiro argentino, mas o árbitro não viu".
Houve uma terceira expulsão no jogo: Sánchez, autor do carrinho que originou a confusão aos 8 minutos, "levou o segundo cartão e foi expulso por uma falta mais fraca", grafa o GE.
Para finalizar, mais uma vez citamos a matéria, "a segunda etapa teve menos violência e mais futebol. Os dois times criaram boas chances, os argentinos chegaram a ser superiores em alguns momentos, mas, aos 23 minutos, Danilo assegurou a vitória com um golaço."
Portanto, damos parabéns aos atletas brasileiros pela vitória e, acima de tudo, parabenizamos o GloboEsporte.com por ter praticado o bom jornalismo.
A rivalidade sempre existirá, e confusões continuarão comuns no futebol: o que não podemos fazer é caricaturar anjos e demônios.
Nota do blog: como sugestão para reflexão (tanto sobre o que é jornalismo esportivo, quanto sobre essa tendência de vermos atletas brasileiros "contraatacando antes de serem atacados"), colocamos o video abaixo. Nele, José Trajano fala sobre uma agressão gratuita de um jogador brasileiro da seleção sub-20 contra um adversário argentino, aos 5 minutos (!) de partida. Detalhe: isso aconteceu em fevereiro de 2011. (Reveja o lance aqui)
Das imagens que o brasileiro tem de si mesmo - e não faz nenhuma questão de negar -, uma das mais clássicas é a da "memória curta". Esse argumento é usado, especialmente, para falar dos políticos: "não se lembra em quem votou" ou "reelegeu esse cara, que fez isso e aquilo".
Outra imagem que vem sendo resgatada e bastante difundida é a da "síndrome de vira-lata", usada para descrever a ideia de que o "nosso não presta" e o que é de fora é "sempre bom".
Essas duas imagens se uniram na ocasião da morte do ator Robin Williams (segunda-feira, 11).
Robin Williams foi um grande ator, seja em comédias ou em dramas: protagonizou filmes históricos, indo de "Sociedade dos poetas mortos" a "Uma babá quase perfeita", passando por "Amor além da vida", "Bom dia, Vietnã", "Homem Bicentenário" e "Férias no trailer".
Logo que anunciado o falecimento do artista, as redes sociais se tornaram palco de lamentos profundos, e milhões de "fãs" brasileiros surgiram.
5 anos atrás, porém, o que Robin Williams mais tinha no Brasil era uma legião de odiadores, pessoas que sugeriam boicote a seus filmes, falando que na verdade ele era um ator medíocre, e muitos ainda fizeram referência aos problemas de dependência química que o atinigiram - como foi o caso da maldosa e tendenciosa edição do Bom Dia, Brasil.
O motivo: Robin Williams fez uma piada de mau gosto sobre a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 (Chicago foi a concorrente finalista nessa disputa).
Relembre:
Se bem observado, o comentário de Robin Williams, na verdade, ofende MUITO MAIS os membros do Comitê Olímpico Internacional (ora, quem se vende por shows de striptease e cocaína é o quê?!).
Um ano depois, quando divulgava o filme "Surpresa em Dobro", o ator deu uma entrevista para um canal brasileiro, e fez mais algumas anedotas sobre o povo e os costumes locais:
Sem problemas, ninguém mais lembra. Robin Williams agora é muito querido e amado pelos brasileiros. Todos os problemas que teve - e, em último caso, causaram sua morte - já estão esquecidos, em nome de sua grande obra. A semana na TV aberta promete várias reprises e lembranças de filmes estrelados pelo ator. E seus comentários sobre o Brasil, na verdade, já entraram para uma galeria infinda de estrangeiros (famosos) que "falaram mal" do país.
Já se tornou clássico o caso do astro do UFC Chael Sonnen (que já mais de uma vez caiu em exames antidopping): visando promover sua(s) luta(s) com Anderson Silva, Sonnen destilou veneno não apenas contra o rival mas também contra outros lutadores da nacionalidade de Silva e também sobre o Brasil. "Aqui, a dança das Paraolimpíadas se chama capoeira e cocaína se chama brunch [lanche]", disse o americano.
Ao saber da polêmica que a frase causou (nova legião de odiadores e afins), o lutador "retratou-se" dizendo: "Se eu tivesse a mais remota ideia de que existem computadores no Brasil, não teria feito isso". Em outra oportunidade, Sonnen afirmou que "[no Brasil] se você baixar a cabeça, te roubam a carteira".
Então, depois de tudo isso, o que acontece? Isso mesmo! Sonnen é convidado a ser uma das estrelas principais do "TUF", reality show de MMAfilmado no Brasil e transmitido pela Rede Globo. Não bastasse, ainda dá uma entrevista super polidae é coberto de elogios pela "primeira dama da TV Nacional", Angélica.
Ídolos brasileiros: Wanderley Silva, Isabel, Hortência e Chael Sonnen
O que há em comum entre Robin Williams e Chael Sonnen, além de serem famosos? São dos EUA.
Em 2010, em entrevista sobre o filme "Mercenários" (produzido no Brasil), Sylvester Stallone declarou: "Lá você pode explodir tudo, que as pessoas te agradecem e ainda te dão um macaco de presente".
Em resumo: se você for famoso e estrangeiro, está autorizado a falar mal do Brasil, dos brasileiros, do que for. A revolta vai durar uns dois dias e meio, irá gerar pequenos surtos patrióticos, mas depois tudo volta ao normal. E você ainda será adulado pelos mesmos que te apedrejavam.
A tão temida final - muito mais por questões fora do campo do que dentro dele - não irá acontecer, e agora o Rio de Janeiro mais do que nunca é a "casa" dos argentinos.
Boa matéria exibida pelo Jornal Nacional - sim, da Globo! - fala da cordialidade que tem sido regra (com suas exceções, de ambos os lados, é claro).
grupo de argentinos visita alunos de escola pública no RJ.
O tal do "Fantástico" há muito se transformou numa das coisas mais patéticas da TV aberta, perdendo em audiência e ganhando em piadas (sobre si mesmo).
Com a recente onda de ocorrências de racismo no futebol mundial (puxando pela tag racismo, abaixo, você encontrará fatos que aconteceram nos últimos meses no Brasil, Peru e Espanha), outras situações foram sendo trazidas à tona.
Higuaín (esq.) e Juan
Caso que chamou a atenção, no fim-de-semana, foi do atleta brasileiro Juan, atualmente na Inter de Milão. O zagueiro revelou que sofreu ofensas de cunho racista do atleta argentino Gonzalo Higuaín, que atua pelo Napoli, rival do clube do jogador brasileiro.
Frase do jogador, em entrevista à Rede Globo: "Em uma jogada, eu roubei uma bola do Higuaín, era uma jogada normal. Ele falou para mim: ‘sai daqui, negrito, sai daqui, macaquito’. Então eu parei ali naquela hora. Parei uns 10 segundos, pensando: ‘cara, um cara conhecido no mundo todo pela qualidade dele, pela pessoa’"
Juan afirma ter parado "uns dez segundos" para pensar. Mas, na verdade, levou quase DOIS ANOS para revelar tal ataque da parte de Higuaín. Isso mesmo: o caso "revelado" por Juan teria acontecido na partida Brasil 3 X 4 Argentina, ocorrida nos EUA em 18 de junho de 2012.
Concurso para música da Copa tem três argentinos e apenas um brasileiroClassificado entre os 20 semifinalistas que pode ter sua trilha sonora como tema oficial do Mundial, Alexey Rodrigo não quer ser derrotado por um dos hermanos
Música argentina nem f..., sacou?!
A primeira derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014 pode vir antes do esperado. Tudo bem que não vale taça, não conta como título, mas o vencedor certamente será lembrado durante toda a competição: trata-se do concurso para escolher a trilha sonora oficial do Mundial. Dentre as 20 composições classificadas para a semifinal, somente uma é brasileira. Pior. Existem outras três músicas argentinas na briga para ser a "nova Waka Waka", tema da Copa de 2010, na África do Sul, interpretada pela cantora Shakira.
O produtor musical canarinho Alexey Rodrigo, autor da música "All in one rhythm" (Todos num só ritmo), acredita que sua composição tem grandes chances de ser a vencedora. Porém, as parciais não são favoráveis e o fato de estar atrás de dois argentinos tem causado um certo incômodo. Atleta das categorias de base do Guarani e do Rio Branco-SP quando criança, Alexey carrega aquele sentimento não muito amistoso com os hermanos.
- Imaginem só. A Copa sendo disputada no Brasil e uma música argentina sendo tocada antes da final, nos jogos, na rua. Só faltava essa. Os argentinos fazendo festa na nossa casa e com a música deles. Seria uma catástrofe. Não dá para pensar nesta possibilidade, não seria uma marca histórica legal - comentou o produtor musical, que mora em São Carlos, no interior de São Paulo.
Apesar de brincar com a situação, ao ser questionado sobre uma possível derrota, Alexey pensou em alternativas que fossem menos doloridas para ele e também para os brasileiros.
- Eu não gostaria de ver um argentino ganhando. Se for para eu perder, que seja para o concorrente coreano ou até o australiano. Não podemos perder para um argentino aqui no Brasil.
O programa humorístico “Zorra Total”,
da TV Globo, é – antes de qualquer coisa – ruim. Ao longo dos anos, foi
perdendo credibilidade com o falecimento ou demissão de bons atores, e cada vez
mais diminuindo a versatilidade de suas piadas. Paradoxalmente, permanece com
bons níveis de audiência – é dos poucos horários em que a emissora é
indisputada como líder no IBOPE – e também de arrecadação – depois da
novela das 21h, é uma das cotas mais caras para veiculação de comerciais.
Vamos, então, falar sobre a
edição do último 30 de novembro.
Num dos quadros do programa,
intitulado “Assistente Social Voluntária”,
a personagem Umbelinda – que é rude, usa óculos fundo de garrafa, e aparenta
não ter qualquer cuidado com os cabelos – atende um grupo de pedreiros que querem reivindicar melhores condições de trabalho: os trabalhadores estão vestidos de estereótipos: são “feios”,
sua dentição é comprometida, vestem-se mal e não possuem domínio da língua
portuguesa.
A funcionária pública debocha das
reivindicações e, de alguma forma, os orienta a se conformarem com a situação
precária em que vivem. De repente, surge um personagem totalmente fora do
contexto: ele é mais velho, tem pele mais clara, e... veste a camisa da seleção
argentina. Como não poderia deixar de ser, é também bastante arrogante (confira
a cena clicando
aqui).
O argentino é prepotente; e o negro está em segundo plano.
A um só tempo, pelo menos 5 ofensas são destiladas: aos funcionários públicos (avaliados como preguiçosos e grosseiros), aos empregados da construção civil (tidos por completos ignorantes), aos nordestinos (que são o "pano de fundo" da classe trabalhadora), aos argentinos (além da propalada arrogância, há insinuações sobre 'trabalho ilegal' e a pergunta: "quem é que vai dar emprego pra argentino no Brasil?") e aos negros: sim, vendo o video quase não se percebe, mas há dois afrodescendentes em cena: um em cada canto, ladeando o grupo dos "pedreiros do nordeste".
Talvez não devêssemos levar tão a sério um quadro de um programa de baixa qualidade como o Zorra Total. Mas talvez seja por não levarmos a sério que absurdos como esse permanecem acontecendo.
Em reta final de Eliminatórias para a Copa do Mundo, diversas seleções estão finalmente conseguindo uma vaga no torneio que acontecerá no Brasil, ano que vem.
Para celebrar a vinda ao país, diversas tem sido as manchetes de jornais e sites. O periódico crooata "24 Sata" - uma espécie de MEIA HORA no Brasil - optou por fazer uma referência às brasileiras (imagem abaixo) e estampou a frase "Aqui Estamos".
Capa do Jornal croata, comemorando classificação à Copa do Mundo
De fato, trata-se de uma imagem bastante estereotipada, aludindo às mulheres (e às praias, ao carnaval, etc). O mais interessante, porém, foi ver a divulgaçsão que essa notícia teve no Brasil.
O site GloboEsporte.com foi o único grande portal a repercutir a capa e, surpreendentemente, foi sensato ao descrevê-la.
Primeiro, ao usar a expressão "não fugiu do estereótipo" ao invés de atacar falando em "preconceito". Depois, ao citar a opinião de dois jornalistas da emissora: André Lofredo (já mencionado por nós aqui) falou que o país contribui para que tal imagem seja disseminada: "Não é culpa só do estrangeiro. A gente vende muita coisa para fora."
Já Fábio Seixas opinou a respeito do que o próprio país e sua imprensa fazem quando se trata dos outros: "Quando fomos à África do Sul, lembramos demais do racismo, coisas tribais."
Tanto uma quanto outra afirmação estão corretas: o Brasil vende (muitas vezes literalmente) a imagem de samba-praia-bunda-futebol-bebida, e é responsável por estereotipar nacionalidades, não raro de modo até mais grosseiro.
Chama atenção, porém, ver a forma como a crítica/piada quando é vinda de um argentino se torna uma situação tensa, como se estivéssemos tratando de um atentado racista e um ataque que "exige uma resposta imediata".
Isso ficou claro, por exemplo, na repercussão do episódio de "Os Simpsons", quando a família vem ao Brasil: o capítulo do seriado, bastante ofensivo, gerou menos revolta que a crítica de uma jornalista argentina, comentando o mesmo. Relembre a situação clicando aqui.
Em setembro desse ano, a Argentina conseguiu sua classificação para a Copa. E no dia seguinte o famoso jornal "Olé" estampou em sua capa: "Garotas, aí vamos nós!".
Capa do Jornal argentino, comemorando a classificação à Copa do Mundo
Isso foi tema de diversas reportagens em diversos veículos da emissora (apareceu até no Jornal Nacional!) e não teve, EM NENHUM MOMENTO, uma ponderação ou análise mais fria como as de Lofredo e Seixas.
O portal Terra foi uma das raras vozes sensatas: "Apesar de, por aqui, a rivalidade entre os dois países ser bastante alimentada, por lá os argentinos preferem limitar as picuinhas no âmbito esportivo. Não é difícil ouvir um argentino, por exemplo, elogiando os atributos das mulheres brasileiras - às quais se referem como "garotas", uma palavra que não existe em espanhol."
Deixamos como sugestão o comentário do jornalista André Henning, do Esporte Interativo: é assim que a tal "rivalidade" deve ser levada: com humor, e SEM TRANSFERIR o que acontece nos campos para a vida real.
Há 5 meses, fizemos aqui uma matéria falando sobre as acusações de sonegação fiscal que recairam sobre o astro Lionel Messi. Em nenhum momento falamos serem falsas ou injustas as cobranças, mas ponderamos que acusação é diferente de investigação e que ser investigado não significa estar condenado.
Pois bem, durante os meses que se seguiram, vários canais de TV e sites brasileiros (um, em especial) trataram de fazer uma espécie de boletim diário: qualquer busca na internet trará milhões de referências do tipo "Messi terá de responder", "Messi foi chamado a depor", "depoimento ocorrerá dia tal", "Pai de Messi diz que...", "jogador argentino alega...".
4 meses após o início do processo, sai a notícia de que Messi foi inocentado no caso: "Técnicos da Receita espanhola veem Messi inocente em caso de fraude". A notícia é difícil de encontrar na internet. O site referido na reportagem que mencionamos no início publicou a nota, mas com destaque pequeno, numa das galerias de matérias. Comparativamente, a notícia original, alertando que "Messi é acusado" teve 493 comentários; a da "absolvição", 74.
Messi foi tema de matérias no GloboNews, no Jornal Nacionale no Bom Dia, Brasil, para citar apenas a grandiosa emissora. Sua "co-irmã", Rede Record, também foi enfática:
Por que houve tanto destaque ao possível erro/crime, e pouco ou nada se falou sobre a conclusão do caso?
Também chama muita atenção que houve pouco ou nenhum destaque à nova acusação de fraude/sonegação envolvendo jogador de futebol: é o brasileiro Kaká, investigado na Itália. E hoje saiu uma nota sobre outro grande ídolo do desporto brasileiro: Ronaldo pode ter seus bens penhorados em virtude de dívida com a Receita, e também está sendo processado por dívida na reforma de sua mansão.
E aí, alguém viu essas notícias* em telejornais no horário nobre? Lógico que não.
Mais uma polêmica envolvendo clubes brasileiros e argentinos! E, novamente, na Copa Sul-Americana - mesma competição que foi "palco" dos lamentáveis episódios de Arsenal X Atlético-MG e São Paulo X Tigre, ano passado.
Mas dessa vez não foi por brigas dentro de campo, "catimba" ou confusões com a polícia. O jogo, na verdade, foi bastante tranquilo - e com futebol de baixa qualidade.
Matéria do GloboEsporte.com, da filial "EPTV" (Campinas e região): "Vélez não se vira para bandeira brasileira e irrita torcedores da Ponte"
O texto - e isso fica muito claro ao ler - é vazio em si mesmo, quase sem razão de ser feito, e acaba por contradizer-se.
A manchete, é claro, chama bastante a atenção: afinal, é uma chance e tanto de atrair cliques e views para a página do GE, fomentando a rivalidade entre os dois países, afirmando que "os argentinos" desrespeitaram "nossa" bandeira, pátria, hino...
O problema, mais uma vez, é que a própria matéria não consegue se sustentar: "trio de arbitragem também não se vira para a bandeira", diz a "gravata" do texto. Em nenhum momento do texto se fala da nacionalidade do juiz da partida e seus assistentes (eles são uruguaios, aliás), mas pondera: "(...) tal protocolo não precisa necessariamente ser seguido por estrangeiros - até porque, é bom ressaltar, apenas o hino do Brasil foi tocado, devido a uma lei estadual."
Pronto, o texto já perdeu sua razão de ser.
Mais adiante, lê-se: "A atitude [dos jogadores do Vélez] revoltou uma parte da torcida da Macaca, que passou a vaiar a atitude dos argentinos, mas foi logo abafada pela outra parte dos torcedores, que passou a cantar o hino nacional."
De novo, parece coisa de uma minoria, que quer achar um motivo para externar seu preconceito e seu ranço diante dos atletas do país vizinho.
foto (de qualidade muito ruim) que ilustra a matéria
Como não poderia deixar de ser, a pior parte veio nos comentários (parece que as pessoas tem uma espécie de fetiche por destilar ofensas e inverdades, carregadas de preconceito, sabendo do "anonimato" garantido pela internet):
Dom Fafito8 horas atrás
O negócio é bater de frente também e de agora em diante não respeitar mais caralha de argentina.... E fazer questão de dizer o motivo pelo qual está agindo dessa forma...
Egrojoleba9 horas atrás
falta de educação? isso é típico dos argentinos...
Marcelo Cesar7 horas atrás
Argentinos tem que cheirar em baixo dos braços dos brasileiros. Bando de invejosos e arrogantes. Nunca vão dar uma dentro contra o Brasil.
Sandra Silva8 horas atrás
pra que esperar educação de um argentino?
Ezequiel8 horas atrás
argentino é assim mesmo. chucros
Joaão Padilha8 horas atrás
depois eu falo q não gosto de argentino e é perseguição!!!
Ivens Rocha35 minutos atrás
Essa é fácil fácil de resolver. Façam o mesmo ou pior quando chegar a vez deles. Não sei porque ainda se discute isso. Sabemos da falta de caráter de argentinos, haja visto que o maior ídolo deles é um drogado traficante. Portanto esperar o que?
Rosely Cavalcante4 horas atrás
Independentemente de sermos um País pobre, sem educação, trabalho, com corruptos, etc..., está se falando de Pátria e isto tem que ser respeitada, sim. É lamentável a atitude dos IDIOTAS argentinos
Heliomar Barbosa8 horas atrás
Isto não supresa ,povo de Pais pobre e sem educação.
Caldeiraria Ltda7 horas atrás
Achei uma falta de respeito muito grande ao patriotismo de nosso povo por parte dos argentinos, não devemos seguir como exemplo atitude tão infeliz.
Cassio Ferreira5 horas atrás
E a impressa brasileira tanto escrita como falada, ainda insiste no bordão nosso "hermanos". Este povo não respeita nosso pais, não gosta da gente , e não são , fique claro , não são nssos irmãos. Vamos parar com esta idiotice de cham argentino de hermanos. É só ver em todas as esferas que este povo é arrogante, falso, e não nos respeita.
Muita gente, porém, percebeu a incoerência - e a hipocrisia - em querer transformar a situação em algo maior do que ela é:
Vicente Almeida8 horas atrás
Gente eles não são obrigados a seguir este protocolo, já imaginaram brasileiros se virando para bandeira Argentina!!!! Que falta de matéria hem!!!!!!!
Rafael Augusto8 horas atrás
Jogo internacional deveria ter os dois hinos
Roberto Frederico8 horas atrás
Nem a comissão de arbitragem virou... Falta de assunto!
Paulo Fonseca8 horas atrás
mas nao é uma competicao internacional? nao deveria tocar o hino dos 2 paises?
Carlos Bauer
8 horas atrás
Vai entender essa hipocrisia.. Povo não conhece a própria história, não tá nem aí pro que os políticos fazem em Brasília, mas veja só: se revoltam quando alguém não respeita o hino nacional. Patriotismo só na hora do futebol? Eu, antes do jogo, quando vai tocar hino, eu simplesmente troco de canal. Que venham os demagogos falarem mal. Cambada de hipócritas! São os mesmos que tentam dar uma de espertos, furando fila ou dando um galo pra escapar daquela multa! Não sou papa-pau de argentino e nem visto camisa de outro país, mas sou realista e hino não diz se somos ou não patriotas!