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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Off-Topic (18)

*Postagem número 500 da história do blog.

"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.

Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá! 
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".

Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?

"Chorando desde Itália até hoje"

Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi
símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).

"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...

Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".

Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:



"Maradona é maior que Pelé"

A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".

Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.

Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".

Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?

Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".

De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".



Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".

"A musiquinha deles"

"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.

Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.

Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".

Melhorada?!

Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.

O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"

No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Off-Topic (12)

E finalmente começou o Copa do Mundo.

Quarta-feira, em entrevista ao Olé, o ex-atacante Hernán Crespo disse que, caso a Argentina vença o torneio, será melhor "ter um helicóptero pronto para decolar, porque irão matá-los [os jogadores]".

Há pouco mais de um ano, Lionel Messi deu essa entrevista ao canal TyC Sports, falando sobre seu sonho de ganhar o mundial.

Ao final, o repórter lhe pergunta: "Você tem claro que, se sairmos campeões no Brasil, nos matam a todos, não?! Não é o lugar pra se sagrar campeão, justo no Brasil! (risos)..."

A resposta de Messi: "Não importa... que nos matem a todos!"



É isso. Boa Copa do Mundo a todos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Duetos (82)

Deu hoje no Olé: "Um brasileiro fã da Argentina", diz o título de um video publicado pelo jornal.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Raça X Nacionalidade (67)

Em reta final de Eliminatórias para a Copa do Mundo, diversas seleções estão finalmente conseguindo uma vaga no torneio que acontecerá no Brasil, ano que vem.

Para celebrar a vinda ao país, diversas tem sido as manchetes de jornais e sites. O periódico crooata "24 Sata" - uma espécie de MEIA HORA no Brasil -  optou por fazer uma referência às brasileiras (imagem abaixo) e estampou a frase "Aqui Estamos".

Capa do Jornal croata, comemorando classificação à Copa do Mundo
De fato, trata-se de uma imagem bastante estereotipada, aludindo às mulheres (e às praias, ao carnaval, etc). O mais interessante, porém, foi ver a divulgaçsão que essa notícia teve no Brasil.

O site GloboEsporte.com foi o único grande portal a repercutir a capa e, surpreendentemente, foi sensato ao descrevê-la.

Primeiro, ao usar a expressão "não fugiu do estereótipo" ao invés de atacar falando em "preconceito". Depois, ao citar a opinião de dois jornalistas da emissora: André Lofredo (já mencionado por nós aqui) falou que o país contribui para que tal imagem seja disseminada: "Não é culpa só do estrangeiro. A gente vende muita coisa para fora."

Já Fábio Seixas opinou a respeito do que o próprio país e sua imprensa fazem quando se trata dos outros:  "Quando fomos à África do Sul, lembramos demais do racismo, coisas tribais."

Tanto uma quanto outra afirmação estão corretas: o Brasil vende (muitas vezes literalmente) a imagem de samba-praia-bunda-futebol-bebida, e é responsável por estereotipar nacionalidades, não raro de modo até mais grosseiro.

Chama atenção, porém, ver a forma como a crítica/piada quando é vinda de um argentino se torna uma situação tensa, como se estivéssemos tratando de um atentado racista e um ataque que "exige uma resposta imediata".

Isso ficou claro, por exemplo, na repercussão do episódio de "Os Simpsons", quando a família vem ao Brasil: o capítulo do seriado, bastante ofensivo, gerou menos revolta que a crítica de uma jornalista argentina, comentando o mesmo. Relembre a situação clicando aqui.

Em setembro desse ano, a Argentina conseguiu sua classificação para a Copa. E no dia seguinte o famoso jornal "Olé" estampou em sua capa: "Garotas, aí vamos nós!".

Capa do Jornal argentino, comemorando a classificação à Copa do Mundo
Isso foi tema de diversas reportagens em diversos veículos da emissora (apareceu até no Jornal Nacional!) e não teve, EM NENHUM MOMENTO, uma ponderação ou análise mais fria como as de Lofredo e Seixas.

O portal Terra foi uma das raras vozes sensatas: "Apesar de, por aqui, a rivalidade entre os dois países ser bastante alimentada, por lá os argentinos preferem limitar as picuinhas no âmbito esportivo. Não é difícil ouvir um argentino, por exemplo, elogiando os atributos das mulheres brasileiras - às quais se referem como "garotas", uma palavra que não existe em espanhol."

Deixamos como sugestão o comentário do jornalista André Henning, do Esporte Interativo: é assim que a tal "rivalidade" deve ser levada: com humor, e SEM TRANSFERIR o que acontece nos campos para a vida real.



domingo, 10 de novembro de 2013

Muito Além do Futebol... (73)

Na última semana foram sorteados ingressos para a Copa do Mundo: método algo estranho: Você praticamente tem de empenhar um valor X, e pode ser que consiga os ingressos. Sim, o dinheiro é devolvido - ou melhor, não é debitado -, mas existe a frustração da expectativa, principalmente porque não parece haver qualquer tipo de critério minimamente justo.

A maior parte dos tickets, como não poderia deixar de ser, é destinada ao país-sede do evento: o Brasil ficou com mais de 71% dos bilhetes. O restante, é dividido entre outras 187 nações: 28,5%, aproximadamente, totalizando 900 mil.

Um total de 267 mil argentinos se registraram no sorteio, mas apenas 4,5 mil conseguiram os ingressos [ver tabela abaixo]. Diversos países - e o principal não é "tradição no futebol" - tiveram MUITO mais tickets disponibilizados, e com uma porcentagem significativa: numa conta simples, ridículos 1,68% dos argentinos tiveram direito ao ingresso. Por outro lado, os alemães solicitaram metade da quantia requistiada pelos hermanos e receberam quatro vezes mais.

imagem postada pelo jornal "Olé"
O jornal Olé criticou duramente o esquema de distribuição, chamando de "Vergonha Mundial". No Brasil, veículos falaram da situação, expondo números e fatos semelhantes aos descritos nesse texto.

Quanto à reação dos brasileiros, o mais interessante foi que não houve uma irritação do tipo "esses argentinos ofendendo o Brasil, falando que somos vergonha para o mundo", como normalmente acontece quando qualquer tipo de crítica (muitas vezes, nem isso) ocorre.

Dessa vez, a tônica foi a seguinte: 1) escárnio por não terem sucesso na solicitação; 2) ironias rasteiras à respeito da situação econômica do país vizinho; 3) comemoração por mais uma "vitória" (?) contra os "rivais".

Brasileiros que nunca foram à Argentina criam do país e seus habitantes imagens simplistas: são todos arrogantes e preconceituosos, e pessoas "morrem de fome" por aquelas bandas.

Abaixo, comentários postados no portal Terra, na Gazeta Esportiva, no Globo Esporte.com.

Daniel Silvaontem
CHUPA ARGENTINA VÃO FICAR NOS SEUS BARRACOS VENDO O BRASIL ATROPELAR KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Pulions Guelppes4 dias atrás
Bom,que os Americanos não são tão chegados a futebol é verdade,Mas os Argentinos estão pagando a conta pelos pecados de grande parte deles(talvez não a maioria),pela arrogancia e preconceito,qdo resolvem ofender nós brasileiros
Anderson Pires4 dias atrás
Lugar de lixo é no lixo, não tem nada que vir aqui no Brasil mesmo não!
Paulo Junior4 dias atrás
Vergonha nada, ninguém aqui gosta de argentino, mano.
Roberto Cardoso4 dias atrás
Copa do mundo é um evento caro...não é libertadores!!! Duvido muito que existam mais de 6.000 argentinos com condições financeiras para pagar estadia, ingressos e outros gastos.....a Argentina é um pais muito pobre e quebrado....eles estão confundindo libertadores com copa do mundo...coitados!!!



Belo
 

Esses argaytinos mortos de fome não tem dinheiro nem pra comprar comida e ainda chiam por ingressos.

Terra

CARLOS ALBERTO NEVES


06/11/2013, 21h32
ARGENTINA FALANDO SOBRE VERGONHA? KKKK. SÃO VICE CAMPEÕES DA GUERRA DAS MALVINAS! SEM FALAR NA SITUAÇÃO POLÍTICA E ECONÔMICA

Delço Figueiredo Lopes Figueiredo Lopes

07/11/2013, 07h14
os argentinos nunca gostaram de nos, não é agora que eles iam elogiar nada realizado aqui...........

domingo, 8 de setembro de 2013

Duetos (61)

Durante o GP da Itália de Fórmula 1 de 2013, várias personalidades se fizeram presentes. Dentre estas, os ex-corinthianos Ronaldo Fenômeno e Carlitos Tévez.

O argentino fez questão de tirar uma foto com o brasileiro e, ao postá-la em seu perfil, escreveu: "Daría lo que fuera por tirar una pared con vos crack!!!". Em tradução livre, "daria qualquer coisa para formar uma dupla com você, craque!"

O "Olé" divulgou a foto e elogiou tremendamente Ronaldo, como se vê no link postado acima. Já no GloboEsporte.com, várias celebridades foram citadas. Menos o argentino.

Tévez e Ronaldo, 08 de setembro de 2013.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Isso é Jornalismo! (50)

Está no ar uma página anexa ao site do jornal argentino "Olé": é a apresentação de Neymar e Messi, juntos, no Barcelona F.C. Ambos são tratados como "A dupla de 500 gols".

Messi é apresentado como 'um dos maiores da história' e Neymar como 'um dos maiores da atualidade'.

Haverá quem conteste a veracidade de ambas as afirmações?

mais importante, no entanto, é a forma respeitosa com que o jogador brasileiro vem sendo tratado, sem se apaler para uma "rivalidade" (descabida e imbecil) como a que a imprensa brasileira tentou a todo custo criar...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Muito Além do Futebol... (52)

E quando um treinador brasileiro faz críticas abertas a jogadores argentinos pelo o fato de eles... serem argentinos?

Émerson Leão, goleiro das copas de 1970, 74 e 78, por várias vezes deu declarações nesse tom, e o ápice dessa situação aconteceu quando treinou o Corinthians, em 2006.

Na ocasião, Leão fez alguns comentários nada amistosos, e até mesmo xenófobos. Uma boa matéria do site "Trivela", da época, analisa o caso: "É de uma estupidez sem tamanho qualquer preconceito contra jogadores argentinos. São bons de bola, disciplinados taticamente e não consta que tenham problemas de atitude maiores do que seus pares brasileiros - pelo contrário, aliás. Ainda assim, Emerson Leão até pode ter preferência por jogadores brasileiros. O que ele não pode, é tratar a questão de maneira debochada, principalmente porque seus dois melhores jogadores [Tevez e Mascherano] são argentinos"

Leão chegara a, inclusive, fazer piadas com o problema de dicção (fruto de um misto de infância miserável com problemas físicos) de Carlos Tevez. Na mesma época, Leão declarou que não tinha problemas com argentinos: "tenho um amigo [argentino], e ele é até legal!", declarou com seu famoso tom jocoso, o mesmo com que ofendera uma repórter.

Alguns anos antes, Leão já havia se envolvido em outra polêmica com argentinos: antes da final da Libertadores de 2003, quando comandava o Santos e iria enfrentar o Boca Juniors. Leão disse que temia duas coisas: a violência dos jogadores e a complacência do árbitro.

Tudo faz parte do "circo", sabe-se, mas o jornal Olé não ignorou a situação: "Menos mal que a primeira partida será no inverno de Buenos Aires, pois a temperatura da partida está aumentando e o calor, é claro, vem do Brasil. Os santistas estão temendo a violência argentina. O temor de Leão e dos jogadores não tem fundamento. Tudo isso porque o técnico Emerson Leão não teve boas recordações em nosso país".

Reza a lenda que o desgosto de Leão por argentinos é tudo fruto de um ressentimento de uma briga ocorrida em 1997, quando era técnico do Clube Atlético Mineiro, na cidade de Lanús.


O treinador, aliás, se envolveria anos mais tarde em briga com torcedores e ex-segurança do Santos Futebol Clube, mas nunca transferiu seus problemas com aqueles indivíduos para o "povo do litoral paulista", ou algo do tipo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Isso é Jornalismo? (27)

Na última segunda-feira, lia-se a seguinte manchete no "Vírgula", site hospedado no portal UOL: "jornal argentino ironiza Pelé...".

Pensando que podia ver alguma ofensa ao ídolo brasileiro, clicamos no link.

Tratava-se de uma referência a uma matéria do "Olé", que dizia: 'Em terra de Pelé, como um 10 argentino pode ser o melhor jogador do futebol brasileiro?'

Estamos até agora tentando entender onde está a "ironia a Pelé". E a resposta é: isso chama-se mania de perseguição. Ou "procurar pêlo em ovo".

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Duetos (23)


foto publicada hoje no diário argentino Olé.

terça-feira, 23 de março de 2010

Duetos (15)


O jogador Luiz Alberto, ex-Fluminense, já estreou e tem feito sucesso com a camisa do Club Atletico Boca Juniors, de Buenos Aires.

Tão logo da sua estreia, ele deu uma entrevista ao Olé, e afirmou: "Mis compañeros son buenas personas y me han tratado muy bien. Cada día hablo con uno y con otro, (...) Es importante que donde uno trabaja todos estén bien y que estés a gusto con tus compañeros".

Não é preciso ser falante de língua espanhola para entender o teor da resposta.

Luiz Alberto é o 24º jogador brasileiro a atuar pela equipe argentina. Antes dele, um dos maiores nomes foi Domingos da Guia, que participou de uma das fases mais fantásticas da história do clube portenho.

E qual a semelhança entre Domingos da Guia e Luiz Alberto, além de ambos jogarem no setor defensivo e serem aclamados pela torcida do clube? São negros.

No último dia 5, uma semana após seu debut, Luiz Alberto deu a seguinte entrevista ao site GloboEsporte.com. Nela, ele fala de sua adaptação ao clube, da diferença entre os estilos de futebol, mas também dá seu recado na questão mais polêmica de todas: o preconceito racial.

//

Conte um pouco da sua estreia (diante do Estudiantes - 1 x 1), a torcida gostou de você logo de cara?

Sim, eles gritaram muito o meu nome. Até me surpreendi, pois estava há dois meses sem jogar, treinei apenas duas semanas e fui bem. O carinho do torcedor foi muito gostoso, me deu mais força para me empenhar mais. Aqui é assim, o jogo não para, é tudo muito intenso.
Quando o Baiano (lateral-direito) esteve no Boca, falou que sofreu episódios de racismo. Você viu algo assim por ai?

Nada. O torcedor e as pessoas nas ruas são receptivas. E quando sabem que sou brasileiro, ficam ainda mais. O argentino tem muita admiração pelo Brasil. A rivalidade é dentro do futebol, fora dele, há muito respeito.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Propagandas (14)

Esse comercial foi produzido pelo diário esportivo Olé, quando da Copa de 2006, e apresenta um "pibe" que chega a seu pai, argentiníssimo, e diz: "Soy Brasilero". O pai desespera-se, vendo que o menino não era um mero torcedor da seleção...



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Isso é Jornalismo? (6)


Mais uma vez, percebemos como --infelizmente-- é verdadeiro o conceito que temos exposto aqui: os brasileiros, em sua maioria, não se contentam em vencer: é melhor ver os outros (leia-se, a Argentina) perder. Como diz Galvão Bueno, um dos responsáveis pela disseminação do anti-argentinismo no Brasil, "Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é melhor ainda".

Só que esse pensamento jurássico atinge níveis que extrapolam a razão.

Hoje, dia 02 de outubro de 2009, o Rio de Janeiro (e não "o Brasil", como foi possível ver nos cantos de "Eu sou CARIOCA com muito orgulho, com muito amor") foi escolhido como sede das Olimpíadas de 2016. Não contidos em comemorar sua vitória, muitos passaram a (sim!) tirar sarro dos... argentinos!

Em diversas páginas do Twitter, pessoas escreveram "Chupa Buenos Aires". Não sabe-se o real motivo, tendo em vista que as outras candidatas eram Chicago, Madrid e Tokyo.

No entanto, o cúmulo desta hostilidade que não se contém em se alegrar, vem com a seríssima Rede Globo, através da página de esportes de seu site. A chamada da matéria, que comenta a repercussão da escolha carioca, estampa o site do "Olé" e diz: "Até argentinos exaltam escolha do Rio".


Na descrição, lemos: "Famoso por ironizar o Brasil, o jornal argentino ‘Olé’ se rendeu à escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e destacou a decisão na capa de seu site nesta sexta-feira. O ‘Olé’ lembra que pela primeira vez a América do Sul receberá os Jogos e demonstra certa inveja do país vizinho: ‘Brasil baila: Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos dois anos depois’".

Os termos utilizados são absurdos.

Primeiro: Por que dizer "ATÉ os argentinos"? O povo da Argentina NUNCA fala bem do Brasil, é isso?

Segundo: O "Olé" não é famoso por ironizar o Brasil, mas sim por ser o principal diário esportivo argentino; tanto é assim que, como no caso do CQC, o "Olé" foi o primeiro de muitos jornais que seguiram a mesma linha (inclusive o "Lance!", do Brasil);

Terceiro: as ironias que acontecem, sim, muitas vezes por parte do Olé, são bastante específicas: elas se dirigem à seleção brasileira (ou aos times, na Libertadores) de futebol, mas nunca ao povo --nem é esse o papel que cabe a um diário esportivo, oras.

Quarto: Como assim, inveja? Aonde é possível perceber inveja quando se diz "Brasil baila"? Inclusive, a matéria entra em contradição pois no título diz que os argentinos "exaltaram" a escolha da sede...

Quinto: a incoerência chega ao cúmulo quando a mesma Globo lança uma segunda matéria inititulada "América do Sul comemora escolha do Rio". Porém, citam apenas Chile, Peru e Venezuela! --talvez querendo confirmar a ideia de "inveja dos argentinos".

Felizmente, o Portal Terra deu destaque positivo à imprensa argentina (inclusive ao Olé): O jornal [Clarín] utilizou o termo "felicidade sul-americana".

Não se percebe inveja: percebe-se falta de respeito. Por parte da Rede Globo, e não do Olé.

domingo, 20 de setembro de 2009

Raça X Nacionalidade (5)


É comum entre brasileiros, acusar o povo argentino de racismo, pela simples vontade de ter um “bode expiatório” para tentar esconder o próprio espelho e reafirmar uma idéia maldosa criada há muito tempo.

Intrigado com essas incessantes acusações, o blogueiro deu-se o trabalho de analisar qual o ponto culminante dessa barbaridade; percebe-se que foi o “caso Grafite”. A partir dele, relembrei um fato, convenientemente pouquíssimo comentado no Brasil, que não só desmistifica esse “racismo absoluto” dos argentinos conosco, como reitera a idéia de que os brasileiros simplesmente acusam os hermanos sem fundamento algum, reforçando o ódio e o preconceito ao país celeste, pisoteando sanidade, a lógica, o compromisso e o bom senso: O “caso Baiano”.

Lamentavelmente, mais uma vez foram usados de ponte os meios de comunicação e o esporte das multidões. O lateral-direito Dermival Almeida Lima, conhecido como Baiano, atuou por vários clubes do futebol brasileiro e do exterior: Santos, Matonense, Vitória, Atlético-MG, Palmeiras, Las Palmas (ESP) e Boca Juniors da Argentina. Baiano atuou pelo clube argentino em 2005, posteriormente assinou contrato com o Palmeiras.

No clássico entre Corinthians e Palmeiras no Morumbi 11/07/05, o lateral agrediu o craque argentino Tevez com uma bolada no rosto, após ser expulso de campo. Após a partida, o jogador brasileiro ligou o ventilador, declarando que os torcedores brasileiros “esquecem facilmente dos acontecimentos (quais?) e idolatram demasiadamente os craques argentinos", e ainda afirmou que “lá” é diferente.

Declarou ele em entrevista à Rádio Jovem Pan após o jogo: “Depois que aconteceu o episódio do Grafite, você vai jogar em outro país e muitas coisas acontecem, aí o cara vem aqui a gente trata como herói, esquecemos de muitas coisas, mas vai jogar lá na Argentina o negócio é diferente, não pelo povo argentino, mas pelos jogadores que, depois do caso Grafite, começaram a me tratar diferente durante o jogo. Começaram a me dar porrada toda hora, me xingando e falando muita coisa. Eu era o representante do Grafite lá.

Um pouco mais tarde, no programa "Mesa Redonda" da TV Gazeta, Baiano acusou o goleiro Abbondanzieri e o atacante Guillermo Schelotto, ex-copanheiros de Boca Juniors, como responsáveis pela sua saída do clube argentino, e afirmou que depois do caso “Grafite” o clima no Boca ficou ruim. Declarou também que foi ameaçado pelos principais jogadores do Clube portenho.

Naturalmente essas declarações foram para instigar ainda mais a rivalidade entre Brasil e Argentina, para agradar torcedores palmeirenses mordidos pela derrota, e evidentemente atacar os argentinos que atuavam no Corinthians.

Os depoimentos caíram como uma bomba nos veículos de comunicação do Brasil, que enfatizaram o preconceito argentino com os sempre injustiçados brasileiros. E Baiano foi dado como “coitado”, e que o a atitude contra Tevez era justificável. O ex-dirigente do Palmeiras Salvador Hugo Palaia acusou na época: [sic] "Ele sofreu muito na Argentina, me contou tudo. O Baiano foi vítima de racismo no Boca Juniors".



Quando se apresentou no Santos F. C. em agosto de 2007, Baiano deu novos ares ao caso, culpando os argentinos por terem impedido “o melhor momento de sua carreira”, que um companheiro escarrou nele, e que “perdeu o prazer de jogar futebol”. Surrou mais um bocado o discurso de que passou por dificuldades no Boca quando Grafite acusou Desábato por racismo.

Porém, como no recente caso do desprezo à conquista de Del Potro, a imprensa argentina se manifestou: o diário "Olé" disse que o atleta nunca se referiu a atos de racismo enquanto morava em Buenos Aires, e que Baiano “abaixava a cabeça”. "La Nación" e "Clarín" também falaram sobre a confusão no Morumbi. Os argentinos acreditam que Baiano fez as denúncias por não saber como justificar a agressão a Tevez.

Felizmente temos o recurso da memória, que é irrefutável. A santidade brasileira cai por terra em casos como quando Tinga, jogando no Internacional, foi hostilizado pela torcida do Juventude em 2005, ou o caso do volante Jeovânio, do Grêmio, contra Antonio Carlos, do Juventude, em 2006. Ou na entrevista à Agência Estado, publicada pelo Estadão, do lateral Baiano (sim! Ele mesmo), uma semana depois do “caso Grafite” (!!), que morava hà 4 meses na Argentina, garantindo que não há racismo por lá, pelo contrário, que foi bem recebido e que sentia-se satisfeito.

Acompanhe a entrevista abaixo:

"Quero ficar até quando o Boca me quiser", revelou o lateral brasileiro. Seu prestígio é tanto que o próprio Diego Maradona pediu sua camisa.

Agencia Estado – Ha racismo na Argentina?

Baiano - Nunca percebi nada. Sou muito bem tratado aqui. Eles me chamam de Bombom, um apelido que um jornalista me deu e pegou. Estou muito satisfeito aqui.

AE - Como foi a repercussão do caso da prisão de Desábato em São Paulo, acusado de racismo?

Baiano - Só soube pelos jornalistas, principalmente do Brasil. Nenhum jornalista argentino falou do caso comigo. Informalmente, ficaram assustados com o rigor do Brasil com a questão do racismo.

AE - Você conhece o Desábato?

Baiano - Não conheço pessoalmente. Ainda não enfrentamos o Quilmes. Só vi na televisao. É um bom jogador, um zagueiro típico argentino que entra com vigor nas jogadas.

AE - O Desábato disse que é normal chamar os colegas de negro na Argentina. É verdade?

Baiano – É. Aqui no Boca há uns oito caras que são chamados de negro, inclusive o médico do clube que é o doutor Negro. Um jogador como o (Sebá) Dominguez, que foi para o Corinthians, é chamado de Negro, mas não é nada racista. É de um jeito carinhoso. O Tevez era negro aqui no Boca.

AE – Voce teme que o episódio do Desábato piore o clima para os brasileiros que jogam na Argentina, como no seu caso?

Baiano - Acho que isso não tem nada a ver. Sou muito bem tratado no Boca. Tive uma identificação muito grande com a torcida. Minha família se adaptou perfeitamente a Buenos Aires. Eu quero jogar bem para continuar no Boca até o fim de carreira, se eles quiserem.

AE – Já deu para sentir a força do Boca Juniors?

Baiano - Na pré-temporada, senti que o Boca é um time especial. Sempre atraímos muita gente e jogamos com casa cheia. E atuar no La Bombonera é uma sensação maravilhosa. Não dá pra descrever.

nota do blog: Um viva para a contradição! Um viva para mais um tabu derrubado.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Muito Além do Futebol... (10)


É só você assistir um pouco de TV ou ler algum jornal que, se houver alguma referência a argentinos, esta será pejorativa. De alguma maneira será pejorativa. É algo tão claro e tão comum, que muitas vezes as pessoas nem percebem (paradoxo?).

Um exemplo excelente (ou péssimo?) aconteceu na última segunda-feira, 14, quando o tenista argentino Juan Martín Del Potro sagrou-se campeão do Aberto dos Estados Unidos, um dos 4 campeonatos mais importantes do tênis mundial.

Na verdade, antes mesmo da partida, começou o festival de sempre, que é um misto de piadas e desprezo.

No programa Redação SporTv, canal cabo da Rede Globo, comentava-se sobre a final. A história começou quando o apresentador do programa falou que os argentinos "querem ver se pelo menos alguma coisa eles levam, porque no futebol...".

Alguém acrescentou: "é, no futebol tá essa draga (sic), no basquete estão perdendo sempre, o vôlei, nem existe mais, então só sobra o tênis". Pelo menos o apresentador aliviou, e falou: "no basquete tem perdido porque só leva o time D nessas competições, se levar o A, tem grandes chances, vai pra disputar título".

(Talvez o apresentador tenha se lembrado de que o basquete argentino foi campeão olímpico em 2004 e medalha de bronze em 2008, sendo que o basquete brasileiro sequer conseguiu disputar as últimas três (!) olimpíadas. E vale lembrar que Emanuel Ginóbili, que ganhou o prêmio de melhor jogador em 2004, foi campeão na NBA em 2003, 05 e 07, coisa que brasileiro nenhum jamais fez).

Então, começaram os leitores a enviar mensagens. Um deles escreveu: "Argentina só ganha libertadores e olhe lá". Outro: "Argentina é país do pólo e do rugby, e só". Um dos participantes comentou: "a infelicidade do del potro é que, por melhor que esteja, vai pegar na final o federer, deu azar". Nisso, outro ri: "no tênis, pega o Federer, no futebol, pegam o Brasil".

Percebe-se duas coisas: 1) descartou-se qualquer possibilidade de uma vitória de Del Potro; 2) menosprezou-se a importância do tênis no cenário mundial, não apenas pela comparação com o futebol.

Mas a "cereja do bolo", que é o motivo pelo qual demos o título a esse post, vem com o jornalista André Lofredo, um dos que mais realiza provocações em eventuais debates onde a Argentina é assunto: "pelo menos eles estão bem na política e economia (pausa). Ah, não tão não..." e riu.

Aí encerraram-se os comentários e mudou-se de assunto.

Pois bem, veio a partida e Del Potro venceu. De maneira épica. Reconhecida por todos e pelo próprio Federer, por muitos considerado o melhor tenista de todos os tempos.
Logo a seguir, já era possível ver comentários desprezando a conquista. Muitos leitores, através do twitter, seguiram na mesma linha "dane-se-o-resto-o-que-importa-é-que-no-futebol-somos-melhores-que-eles", como se o mundo que assistiu o jogo estivesse muito preocupado com a seleção brasileira de futebol.

Foi também essa a tônica de sites e blogs no Brasil (excetuando-se, claro, os especializados em tênis, que não se deixa(ra)m levar por tolas patriotadas, sabendo reconhecer a qualidade do tênis de Del Potro, individualmente, e da Argentina, como um todo): Juca Kfouri, por exemplo, reduziu a conquista de Juan Martin a um simples "Maradona irá convocá-lo para a seleção".

No dia seguinte, no mesmo Redação SporTv, algum leitor escreve ao programa dizendo que "apesar de Del Potro ser argentino, há de se admitir que jogou bem". O mesmo apresentador mencionado anteriormente diz que "sabe que os argentinos são bons e em vários esportes" mas que gosta de "apimentar a rivalidade".

(novo parênteses: em duas matérias de épocas distintas, uma de 2004 e outra de 2007 - clique nos anos para ler -, do portal UOL, comentou-se da verdadeira discrepância que existe tanto em termos de talento quanto de resultado entre os tênis argentino e brasileiro. E vale lembrar que, no Brasil, o segundo melhor tenista da última geração vitoriosa é o... argentino Fernando Meligeni).

Na Rede Globo, a tônica, em todas as matérias, foi a de "se no futebol eles estão mau, o tênis serve como consolo" e "na falta de Messi e Maradona, a Argentina busca novos ídolos". Esse tipo de menção levou hoje o jornal "Olé" a mandar um recado à imprensa brasileira.

Na matéria intitulada "O mundo fala dele" (El mundo habla de él), o diário argentino citou vários lugares do planeta onde houve repercussão da vitória de Del Potro: "começando por Tandil -terra do campeão-, passando por Estados Unidos -onde conquistou o título-, Suíça -onde perderam-, Espanha -terra de Nadal- e Brasil. Neste último, não se esquecem do futebol, mas agora é o momento da raquete. É a era de Delpo".

Lendo até o final, o jornal reproduz uma citação de "O Globo": "Quando a equipe de futebol está decepcionando, há que se procurar outras estrelas do esporte", diz a publicação carioca. O Olé conclui dizendo: "Não perdoam uma. Mas a inveja é evidente. Delpo é argentino". Perfeito. E não sabemos se é somente inveja que explica esse tipo de desprezo.

Sinceramente, vendo o que diz a Globo, eu prefiro ficar com Gustavo Kuerten: "Ter um sul-americano campeão é algo interessante. Eu conheço o Del Potro desde pequeno e sei que ele é um tenista muito dedicado. Fiquei muito feliz com o resultado, apesar da admiração que eu tenho pelo Federer. Para o tênis esse resultado é muito bom, o confronto em quadra com resultados surpreendentes é sempre muito estimulante."

Eis um brasileiro que sabe respeitar e reconhecer o talento dos argentinos. Talvez porque conheça o assunto.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Muito Além do Futebol... (2)

O jornalista e sociólogo Ronaldo Helal, brasileiro, passou dois anos na Argentina (2005 e 2006) para fazer sua tese de pós-doutorado, em que fala das relações Brasil-Argentina. Na sua tese, o sétimo capítulo chama-se "Paixões Nacionais" e vem a falar do futebol.

Quem quiser leia o artigo clicando no link acima, mas uma boa amostra dele se dá na entrevista concedida por Helal ao programa "Tá Na Área" do canal SporTV. Helal, a exemplo de José Trajano no nosso primeiro post, é um dos que tentam nadar contra a corrente.

(Aliás, cabe aqui lembrar que é justamente de Ronaldo Helal a frase citada por Trajano naquele vídeo: "O brasileiro ama odiar o argentino; o argentino odeia amar o brasileiro").

Mas o seu depoimento é muito mais surpreendente, pois ele confronta a realidade da visão que o povo brasileiro de fato tem contra/sobre os argentinos (basta ver as outras postagens do blog) com aquela que dizem que os argentinos têm acerca dos brasileiros.

Os fatos mais importantes a se destacar da entrevista e do sétimo capítulo da tese:

1) na Argentina, pesquisas apontavam torcida pela seleção brasileira na copa de 1994, por exemplo;

2) a jornalista argentina Eleonora Gosman (correspondente argentina no Brasil) surpreende-se ao ver/perceber que os brasileiros comemoraram a derrota argentina em 1998;

3) a mesma jornalista escreveria, durante a copa de 2006, que os seis gols argentinos contra a Sérvia foram recebidos na capital paulista com "um silêncio sepulcral". E acrescenta que várias vezes os argentinos residentes em São Paulo tiveram que suportar que "amigos e conhecidos brasileiros celebrassem, eufóricos, as derrotas argentinas".

4) os argentinos NÃO VÊEM os brasileiros como principais rivais (antes, vêm Inglaterra e Chile, rivalidades que transcendem o mundo futebolítico, e o Uruguai também está "acima" do Brasil, por toda a história da criação);

5) no capítulo 7 da tese de Helal, ele revela que editores do "Olé!" costumam receber e-mails ofensivos do Brasil; ao perguntar se o mesmo acontecia com o pessoal do "Lance!", a resposta foi negativa.

De minha parte, posso confirmar tanto a admiração dos argentinos pelo futebol do Brasil quanto a torcida contrária por parte de brasileiros. Sobre a admiração argentina, tenho, em meu canal no YouTube uma mensagem recebida por um argentino quando lá postei um vídeo de Ayrton Senna:

Puchuchulis (2 anos atrás)
it's funny 'cause I like brazilian football :P ,
the "jogo bonito" (with ronaldo,ronaldinho,kaká)and all that stuff, they make me enjoy football

Quanto à comemoração, tenho gravado na retina um momento que me fez perceber muitas coisas e que, de alguma maneira, foi determinante para a existência desse blog: dia 12 de junho de 2002, por volta das 5h15. A Argentina empata por 1 a 1 com a Suécia, e está eliminada da copa do mundo.

Era madrugada, a seleção do Brasil só jogaria no dia seguinte, mas tinha gente soltando foguete...