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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Duetos (101)

Imagem que correu o mundo na última semana: o Papa argentino e uma católica brasileira. E viva a verdadeira "rivalidade"!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Off-Topic (18)

*Postagem número 500 da história do blog.

"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.

Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá! 
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".

Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?

"Chorando desde Itália até hoje"

Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi
símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).

"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...

Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".

Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:



"Maradona é maior que Pelé"

A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".

Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.

Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".

Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?

Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".

De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".



Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".

"A musiquinha deles"

"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.

Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.

Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".

Melhorada?!

Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.

O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"

No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.

domingo, 21 de setembro de 2014

Muito Além do Futebol... (97)

Excelente material publicado na "Revista de Comunicação Midiática" (UNESP), produzido por Roberta Brandalise. O título: "Rivalidade Brasil-Argentina em uma região fronteiriça: Futebol, Pelé, Maradona, Havaianas e Guaraná na televisão brasileira".

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Isso é Jornalismo? (42)

A revista inglesa "World Soccer" - uma das mais renomadas publicações especializadas em futebol no mundo - fez uma eleição, convocando 73 jornalistas de um total de 42 países (com predomínio de italianos, ingleses e franceses) para selecionarem sua 'equipe ideal', com 1-4-4-2 - com exceção de atacantes, não havia restrição para as posições: bastava que fossem meias e defensores.

Capa da World Soccer, de Julho de 2013.
Pelos 73 votantes, o nome que mais apareceu foi o de Franz Beckenbauer, com 68 menções; depois, pela ordem, vieram Maradona (66), Pelé (63) e Johan Cruyff (60), os únicos com 60 ou mais votos. Zinedine Zidane, Paolo Maldini, Cafu, Bobby Moore, Lionel Messi, Lev Yashin e Alfredo di Stefano foram os restantes a integrar o "TOP 11". Dentre estes, apenas Maldini (48) e Messi (46) obtiveram mais de 30 votos.

O que se vê acima é uma descrição simples dos fatos, sem emitirmos qualquer julgamento acerca da qualidade. Este blog, por exemplo, crava que Pelé provavelmente merecesse estar na primeira posição, e também entende que Messi não esteja acima de Di Stefano e Garrincha (excluído dos onze melhores, com 16 votos).

No entanto, como foi dito, trata-se de uma eleição bastante democrática (?) e que refletiu uma opinião da maioria. Interfere, também, o fato de Beckenbauer e Maradona serem uma das possíveis escolhas dentre 4 nomes, enquanto que Pelé - e Messi - disputavam apenas dois lugares - o site "Trivela", do portal UOL, atenta para esse fato sem desdenhar da publicação.

Porém, como já é de praxe, o site GloboEsporte.com fez da ironia e do desdém uma espécie de editorial. Na matéria que comenta a eleição da publicação britânica, há indignação: apenas por Pelé não ser o primeiro ou por haver três argentinos escolhidos?

O texto está disponível na íntegra no link acima, por isso vamos aqui destacar algumas passagens que mostram aquele nacionalismo rasteiro.


Comentando sobre quem foram os 'eleitores', o texto afirma: "Ao todo, foram 73 votantes, nenhum deles do Brasil, um argentino e representantes de países com pouquíssima tradição em futebol, como Índia, Macedônia, Iêmen, Estônia, Uganda, Vietnã e República Dominicana."

Podemos perceber três vacilos ao "argumento" acima apresentado.

Primeiramente, como mencionado no início da nossa postagem, foram mais de 40 os países representados. E o texto se foca em 9 deles, como a querer explicar a presença de argentinos e a não coroação do 'rei': um argentino. Ora, seria ele o responsável pela presença de Messi, Maradona e Di Stefano dentre os escolhidos?

Elimine-se, pois, a votação do "hermano" (que atende pelo nome de Rex Gowar, correspondente da agência Reuters): Messi fica com 45 votos, Diego com 65 e Di Stefano com 25. O que acontece? todos eles permanecem nas mesmas posições, 2º, 6º e 9º, respecitvamente.

Em seguida, a matéria tenta desqualificar a eleição citando os já mencionados países de Europa Oriental, África e Ásia. Com que objetivo? Ora, são países com pouquíssima tradição no futebol, não é mesmo? Logo, só fariam escolhas insanas, irrelevantes.

Note-se, pois, que o nome de Pelé aparece em 5 dos 7 (Estônia, Uganda, Índia, Macedônia e Rep. Dominicana), o de Cafu surge duas vezes (pelos jornalistas de Iêmen e Vietnã), e ainda aparecem outros 4 brazucas: Jairzinho, Roberto Carlos (duas vezes), Carlos Alberto Torres (também duas) e Nilton Santos.

Ora, talvez Pelé merecesse ficar atrás de Johan Cruyff, já que estes 5 votos são de "nações sem importância para o mundo do futebol"?

Por fim, a última ironia surge com o termo "nenhum brasileiro".

De fato, nenhum dos 73 profissionais consultados é nascido no Brasil. Porém, Tim Vickery é citado na publicação como votante "from Brazil" (conferir imagem acima). O próprio texto, em estranho momento de 'respeito' aos eleitores, faz questão de transcrever a escolha de Vickery: "O inglês Tim Vickery, correspondente da rede britânica BBC no Brasil (...) indicou quatro brasileiros e deixou Messi fora.".

Vickery não é apenas correspondente da BBC: é um assíduo participante do programa "Redação SporTV", dentre outros do canal a cabo da mesma empresa que gere o site que publicou a matéria. A opinião de Vickery, aliás, fora recentemente consultada pelo GE, quando se tentou provar que a Seleção Brasileira de 1970 era melhor que a Seleção Espanhola atual. Coincidência ou não, foi ele o que mais citou atletas oriundos do Brasil, 4 em 11.

Ironia das ironias, porém, é que o mesmo Vickery entrou em discussão acalorada com outro profissional global (Toninho Nascimento, de "O Globo") ano passado, no supramencionado programa. O motivo: enquanto Nascimento considerava uma ofensa à moral e aos bons costumes comparar Messi a Pelé, Vickery disse que, sim, os referidos camisas 10 de Brasil e Argentina podem ser comparados.


Retire-se a opinião de Vickery, portanto. Não?!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Isso é Jornalismo? (41)

Notícia bombástica do dia dos namorados: "Lionel Messi está sendo acusado de sonegação fiscal na Espanha". A acusação fala sobre valores de direitos de imagem recebidos entre 2006 e 2009.

Também uma notícia, a defesa de Messi: "Nunca cometemos infrações. Sempre cumprimos completamente as nossas obrigações fiscais".

O devido processo correrá, e vamos aguardar para ver o desfecho dessa história.

Acontece, porém, que a nossa "grande mídia", e uma empresa em especial, é master em distorcer e omitir fatos à revelia: o que for conveniente, seja falso, verdadeiro ou "pela metade", será usado.

Matéria de hoje, no famigerado GloboEsporte.com, tem a seguinte manchete: "Messi entra para lista que conta com nomes como Figo, Maradona e Eto'o". ("Poxa, que bacana!, seria algo relacionado a "ídolos do Barça"?) E a 'gravata' do texto diz: "Acusado de sonegação, craque do Barça é mais um a entrar na mira do fisco"

Maradona, sempre ele: só que o grandioso ídolo argentino já foi absolvido (!!!).

Mas nesse caso nem é esse o problema.

Além dos três nomes citados acima, o texto inclui os tenistas Boris Becker e Arantxa Sánchez, e ainda o pai (!?!) de Steffi Graff.

Se o propósito era mencionar futebolistas envolvidos com sonegação, e ainda houve espaço para citar atletas 'de outros esportes', por que nenhuma menção a brasileiros? "Nenhum brasileiro envolvido em qualquer coisa semelhante. Muito bom saber disso!".

Seria cômico se não fosse trágico.

Poderíamos aqui falar sobre outros casos relacionados a desvios de dinheiro ou evasão de divisas (e nisso teríamos pelo menos dois casos do exemplar Pelé e outro do tricampeão mundial 'de outro esporte' Nelson Piquet), mas já que a matéria se foca em "problemas com a receita" e "futebol", vamos também manter o foco.

Dois grandes ídolos brasileiros do esporte bretão se envolveram nas mesmas situações.

O primeiro foi o maior artilheiro da história do Maracanã.


Arthur Antunes Coimbra, o Zico, passou por fato semelhante quando foi jogar na Udinese, Itália: Contra Zico, pesaram duas acusações: sonegação de impostos e constituição ilícita de capital no exterior. O "Galinho" teve de pagar 600 mil liras à justiça italiana. Inclusive, a transferência do jogador à Udinese foi investigada (contrato subfaturado).

Zico foi absolvido, sim. Três anos depois.

O outro caso, esse mais recente, envolve o maior artilheiro da história das Copas.

Não se trata do terreno que Ronaldo Luiz Nazário de Lima, o "Fenômeno", comprou e teve problemas com aluguéis não pagos e construções ilegais. Trata-se de parte de uma ilha em Angra dos Reis em que Ronaldo não pagou o chamado "Laudêmio" (imposto que se paga à União pela ocupação de um terreno), de valor de R$ 500 mil.

O ex-jogador foi autuado pelo Fisco Previdenciário na 4ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro.

Por que Zico não foi citado? Seria até mesmo interessante, falando que o brasileiro foi absolvido, que provou-se inocente.

Já sobre Ronaldo, não há dúvidas do porquê:


Em tempo: A empresa referida também tem suas dívidas - e que dívidas! - com o fisco.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Raça X Nacionalidade (51)

Quando o presidente da Federação Internacional de Futebol diz que “não existe racismo no futebol”, é porque algo está errado, muito errado.

Depois de mais casos envolvendo ofensas entre atletas, Blatter usa o senso comum e afirma que “às vezes, no calor do momento, coisas erradas são ditas e feitas no campo de jogo”. Ainda complementou dizendo que “no final da partida, tudo está acabado e você tem o próximo jogo para se comportar melhor.

Tal declaração gerou revolta em muitos atletas, como Rio Ferdinand, e setores da imprensa mundial.

Um dos principais ataques veio de alguém que muitos brasileiros consideram um preconceituoso: Diego Maradona. O ídolo argentino afirmou que “O racismo é inaceitável, e Sepp [Blatter] tem que agir imediatamente, porque os efeitos são muito ruins para o jogo e devem ser tratados o mais rapidamente possível”.

Curiosamente, há algumas semanas foi Maradona quem sofreu um ataque preconceituoso.

Na edição de novembro da Revista ALFA, a capa foi com Pelé. O jogador do século falou sobre sua vida fora dos campos. E, no final, sobrou para Dieguito.

A matéria diz: “Como não poderia deixar de ser, no final da entrevista o Rei ainda arranjou espaço para alfinetar Maradona. Mas dessa vez foi mais irreverente: contou uma história em que uma atriz (Vera Fischer?), que acabara de sair de uma clínica de reabilitação, encontrou-se com o jogador argentino no aeroporto. Ao vê-la, Maradona exclamou: "Minha heroína!", ao que ela respondeu: "Meu crack!". Entende?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Isso é Jornalismo? (36)

Na última terça-feira, o jornal "Bom Dia Brasil", da Rede Globo, levou ao ar uma matéria em que comentavam sobre o duelo Messi x Pelé.

"Duelo!?", você deve estar pensando. Pois é, nem nós entendemos. Mas é fato que agora a Rede Globo resolveu atacar o jogador argentino.

Há mais de um mês (!) Lionel Messi deu uma entrevista à revista ESPN onde, entre outras tantas coisas, respondeu sobre quem, na sua opinião, seria o melhor jogador da história.

Messi se declarou fã de Ronaldo ("maior atacante que vi"), falou coisas bonitas sobre Ronaldinho Gaúcho e Sylvinho, e também elogiou Neymar. O argentino também recusou completamente ser o melhor da história: "Não pretendo ser o melhor nem estar entre os melhores".

No final da entrevista, ao ser perguntado quem seria "o maior de todos", disse: "Maradona. Não vi Pelé jogar e não me faz falta".

Pronto, a polêmica estava lançada. No Brasil, excetuando-se a ESPN, a frase começou a fugir do contexto, e todos os elogios feitos a brazucas foram esquecidos.

À época, o empresário de Pelé deu uma curiosa declaração: segundo ele, o ex-camisa 10 "nem quis saber da polêmica", dizendo que não queria se incomodar com "outro argentino".

Sabe-se lá porquê, um mês depois, o "rei" resolveu responder, provocando Messi: num ataque de humildade, disse que ia mandar ao melhor jogador do mundo uma cópia de "Pelé Eterno' para Messi "saber quem é o melhor".

Tudo foi tratado como Messi tivesse desrespeitado Pelé.

A frase do jogador, repete-se, foi sobre o julgamento do melhor de todos os tempos. Messi diz que "não fez falta" ter visto Pelé para concluir que Maradona foi melhor. Certo ou errado, é opinião.

Eis o video (no site da Globo, não se sabe porquê, não está mais disponível - mais curioso ainda: é a única matéria de 18/10 que não tem video!)


Duas perguntas ficam no ar:

1) Por que ressuscitar a entrevista um mês depois?
2) Por que Pelé resolveu, agora, responder o 'outro argentino'?

Falando sobre o video em si, por que Chico Pinheiro demonstra tanta raiva? Parece que alguém ofendeu sua mãe. Primeiro ao citar "Maradona" com entonação de desprezo, e depois ao dizer 'eles precisam da comparação para crescer'?

As opiniões do público, também, demonstram o velho ranço: alguém diz: 'argentino prepotente'. Outro completa: "eles têm inveja da gente".

Que espécie de histeria coletiva é essa?

Messi jamais se comparou a Pelé, ou disse ser melhor que ele. Apenas prefere Maradona. É crime?

E desde quando essa comparação é feita porque "eles" (quem?) precisam crescer? São os argentinos que comparam todos seus craques a Pelé?

Do lado brazuca, parece que a coisa é mais pesada: em 2006 a revista "ÉPOCA" (organizações Globo) lançou sua capa com o título: "Melhor que Pelé?". Era Ronaldinho Gaúcho, no auge. Foram chamados especialistas para comparar Pelé e Ronaldinho fundamento a fundamento (!), como a confirmar quem era melhor. E esse ano a revista "Veja" pôs Neymar em sua capa com uma coroa sobre a cabeça e a inscrição: "REYmar". Embaixo, lia-se: "Finalmente um craque da linhagem de Pelé".

Tudo isso sem contar a infame capa da Placar (especializada em futebol), chamando Robinho (!) de "novo Pelé".


Quem, pois, precisa da comparação para crescer?

Se houve algum jogador que desrespeitou Pelé, esse alguém não é argentino: é Romário. O "Baixinho" disse que "Pelé deveria colocar um sapato na boca".


O mesmo Romário, ao comentar a polêmica Messi X Pelé, saiu em defesa de seu agora colega de apresentação da Copa do Mundo no Brasil. E, simplesmente, julgou-se o segundo melhor jogador de todos os tempos: "Messi primeiro tem que superar Maradona, depois Romário e depois Pelé".

Isso é o quê, se não for arrogância? É pouco, muito pouco, pra quem se proclamou deus.

Parece que não encontraram o que fazer para denegrir Messi - ele não foi acusado de desvio de dinheiro nem negou paternidade, como Pelé; não se envolveu com drogas, como Maradona; nem deixou de pagar pensão alimentícia ou bateu em torcedores, como Romário - e agora querem convencer o público que ele "desrespeita o Brasil".

sábado, 23 de abril de 2011

Muito Além do Futebol... (45)

Recebi a imagem a seguir por e-mail. No corpo da mensagem, veio o seguinte texto: "Velha polêmica enfim foi solucionada: Pesquisa altamente qualificada, baseada em critérios estritamente técnicos, divulgada em um boteco do Espírito Santo, esgota o assunto".

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Isso é Jornalismo? (27)

Na última segunda-feira, lia-se a seguinte manchete no "Vírgula", site hospedado no portal UOL: "jornal argentino ironiza Pelé...".

Pensando que podia ver alguma ofensa ao ídolo brasileiro, clicamos no link.

Tratava-se de uma referência a uma matéria do "Olé", que dizia: 'Em terra de Pelé, como um 10 argentino pode ser o melhor jogador do futebol brasileiro?'

Estamos até agora tentando entender onde está a "ironia a Pelé". E a resposta é: isso chama-se mania de perseguição. Ou "procurar pêlo em ovo".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Isso é Jornalismo? (26)

No último sábado, Maradona completou 50 anos.

Como recentemente declarou o jogador "Alemão", 'Essa rixa entre Brasil e Argentina era um assunto que ele [Maradona] nem tocava. Esse tipo de comparação (com o Pelé) começou mais do lado de cá'.

Sim. Já debatemos muito sobre isso e não é necessário ir além. Mas vale comentar as matérias brasileiras que estão 'celebrando' o aniversário de Maradona. A tônica é sempre a mesma: "Pelé foi muito melhor" e "só argentino pra achar o contrário".

(Ora, por que 'sempre' afirmar a superioridade de Pelé? Se ele foi --e é provável que tenha sido-- melhor nos campos, qual a necessidade de a todo momento lembrar isso? E por que diminuir tanto a Diego? Se ele foi tão reles, não seria redundante dizer que Pelé o tenha superado?)

Uma das matérias que mais chamou atenção nesse sentido foi a publicada pelo portal iG, expondo "Vinte Diferenças" entre os dois (aqui o link para a chamada), conforme video a seguir:




As tais diferenças serão aqui analisadas em blocos.

1) Habilidade

O argumento mais usado, e endossado pelo próprio Pelé, se dá nos fundamentos "cabeceio" e "ambidestria": segundo os defensores do camisa 10 brasileiro, Maradona era péssimo com a cabeça - dizem, como visto, que seu único gol assim foi o com a mão - e pior ainda quando precisava usar a perna direita.

Inverdades: Maradona fez diversos gols com a cabeça, e protagonizou, inclusive, lances decisivos quando precisou utilizá-la (e que tal o "cruzamento" que resultou em gol na final da Copa da UEFA?).


Sobre o fato de não usar a perna direita (na matéria Maradona é descrito como 'canhoto no último', como se isso fosse um defeito de caráter), mais uma vez temos belos gols e outros momentos cruciais em que a perna direita foi fundamental:


Ademais, que importância teria se ele de fato não soubesse usar a direita? Nenhum outro jogador foi capaz de driblar times inteiros usando uma perna só.

2.1) Conquistas individuais

A primeira e mais comum das 'provas' de que Pelé foi muito superior a Diego se dá pelo número de gols: Pelé teria feito 1284, conforme a narração, ante 358 ("e olhe lá!") de Maradona.

Em primeiro lugar, o número de gols não pode ser verdade absoluta: Maradona, por exemplo, tem 126 gols a mais que Garrincha (em menos jogos), por muitos brasileiros considerado melhor que Diego - ou então, Túlio Maravilha foi melhor que Ronaldo Fenômeno?... Pelé é, na soma total, o 4º maior artilheiro da história (atrás de Josef Bican, da Áustria, Gerd Muller, da Alemanha, e Arthur Friedenrich, do Brasil), e em jogos oficiais de primeira divisão fica atrás de Romário (!).

Difícil defender que Pelé tenha sido inferior a qualquer um deles.

Porém, num raro momento de lucidez, o video aponta para a real razão de Pelé ter tantos gols a mais que Maradona: a posição - e a função - desempenhada por cada um dentro de campo: "Pelé era flecha, Maradona cérebro", diz o narrador.

Quando começou sua carreira, na Argentina, Maradona foi artilheiro do campeonato nacional por 3 anos seguidos (1979, 1980, 1981), dos 19 aos 21: se somarmos as temporadas 78-79 e 79-80, por exemplo, teremos uma média de quase um gol por jogo (ele marcou 74 gols em 76 jogos)! Maradona, então, jogava como segundo atacante, posição semelhante à de Pelé no Santos e Seleção Brasileira.

A partir de sua mudança para a Europa, a liderança e a responsabilidade de Maradona foram mudando, e ele diminuiu seu número de gols. Porém, mesmo já atuando na armação das jogadas, foi artilheiro do Campeonato Italiano na temporada 1987-88 (!), feito dificílimo de ser conquistado.

2.2) Conquistas coletivas

Em seguida, a matéria fala dos títulos pela seleção que ambos conquistaram quando jovens: Pelé foi campeão mundial aos 17 anos, enquanto que Maradona foi deixado de fora da copa de 1978: isso é tratado como um fracasso individual de Diego, esquecendo-se da pressão/preferência popular da época (Maradona participou de amistosos já em 1976 e vinha sendo aclamado) e que as decisões desse tipo são sempre pessoais (foi César Menotti que não quis levá-lo, em situação parecida à do citado Ronaldo na Copa de 1994, preterido por Parreira em lugar de Viola!).

Tanto é que, um ano depois, com o mesmo técnico no comando, Maradona seria campeão mundial juvenil (ou 'sub-20'), ganhando também o prêmio de melhor jogador e sendo o maior marcador - e lá fez um golaço de cabeça! O texto ironiza: "se Pelé foi campeão profissional aos 17, quando seria juvenil?'.


Especificamente sobre as Copas, "Pelé ganhou 3; Maradona, uma só", diz a narração. Uma 'só', como se isso fosse algo banal, corriqueiro. É importante ressaltar que na Copa de 1962 Pelé jogou apenas a primeira partida, e que aquele título é todo creditado ao supramencionado Garrincha. A rigor, tanto Pelé quanto Maradona têm duas finais de Copa em seus currículos.

Acontece, porém, que tanto em 1958 quanto em 1970, Pelé foi parte de uma verdadeira constelação de jogadores (na Suécia Didi foi considerado o melhor jogador do torneio, e o francês Fontaine foi o artilheiro), enquanto que em 1986 (campeão) e 1990 (vice) Maradona foi uma estrela tão grande quanto ou até maior que o Garrincha de 1962.

Na copa de 1986, além de Bola de Ouro Maradona teria sido também o artilheiro do Mundial não fosse o juiz ter anulado um gol legítimo contra a Itália (marcou uma falta absolutamente inexistente), ainda na primeira fase, e outro contra o Uruguai (nas oitavas-de-final), assinalando impedimento também inexistente.

Pelé nunca aproximou-se da artilharia em nenhum de seus 4 mundiais disputados: em sua maior performance, 1970, fez 4 gols contra 10 de Gerd Müller.


Por fim, no segundo e derradeiro momento de lucidez, a matéria aponta para o fato principal: Maradona foi capitão de sua seleção, e ergueu a taça, coisa que Pelé nunca fez. Aliás, é bom que se diga: Maradona é o recordista de partidas disputadas como capitão na história das copas (!): 16. Artilheiro, armador das jogadas e capitão. Pouco?

3) Pelé sabia revidar; Maradona, não.

Esse é um dos trechos mais apelativos de todo o video, e mostra, além de uma tremenda arrogância ao classificar 'revides' como qualidades de um jogador, uma omissão muito grande de fatos: A cena da batalha campal mostrada fora do contexto no video com o intuito de criticar Maradona omite um fato importantíssimo: um ano antes, o jogador Goikoetxea, do mesmo Athletic de Bilbao, quebrou o tonozelo do argentino, que teve sua carreira ameaçada (video abaixo).


Pelé ficou conhecido dentro dos gramados não apenas por saber revidar, mas por ser, ele mesmo, um dos autores de atos violentos: o grande jogador português, Eusébio, declarou que "para levar vantagem, Pelé era muito violento às vezes". O craque lembrou ainda de um duelo, em 1964, em que Pelé chegou a agredir os atletas até mesmo no rosto.

Maradona é muito lembrado por sua entrada (de fato, um ato desleal, reprovável) no brasileiro Batista, em 1982, enquanto que Pelé tem atitudes relevadas: em amistoso no ano de 1965, contra a Alemanha no Maracanã, Pelé quebrou a perna do jogador Kiesman. E, em 1968, a vítima foi o brasileiro Procópio, então no Cruzeiro: o zagueiro ficou 5 anos se tratando para voltar a jogar, e teve um final melancólico.

Para finalizar, sempre que se fala em Pelé e "violência nos gramados", só se lembra das agressões sofridas por ele no jogo Brasil X Portugal, na Copa de 1966; para Diego Maradona, não há qualquer vontade de lembrar dois "recordes" dele em Copas: foi o jogador que mais faltas sofreu numa mesma partida (23 - !!! -, no duelo Argentina X Itália, em 1982) e numa mesma edição (1990, 50 faltas recebidas no total) do torneio.

4) Clubes

A matéria segue em comparações que seriam justas não fossem tão enviesadas, como ao citar que Pelé jogou somente pelo Santos, no Brasil, e Maradona defendeu 3 camisas diferentes, enquanto em seu país natal: Pelé é visto como "fiel" e "honroso", e Maradona é apresentado quase que como um traidor.

Quando o assunto é os clubes defendidos fora do país, além de não assumirem o futebol europeu como o mais importante de todos, novamente Pelé é tratado como um ser altruísta: "tentou fazer o futebol pegar nos EUA" (para isso, não dispensou 'levar' consigo Carlos Alberto Torres e Franz Beckenbauer, e também o italiano Chinaglia, que foi artilheiro da MLS!).

Também é omitido que Maradona jogou no Sevilla FC, na Espanha, e é idolatrado por aquelas bandas.


5) Fora dos gramados

A verdade sobre a intenção da matéria começa a aparecer de fato quando compara os dois no extra-campo: sempre Pelé um exemplo de retidão ("é gentil com a imprensa", "só pôs álcool na boca aos 35 anos"), e Maradona com destaques negativos: 'famoso por seu envolvimento com drogas'. Pelé não foi lembrado por suas manobras escusas, chegando até a instituições de renome mundial.

Quando fala do que cada um fez no futebol além de jogador ("Pelé foi comentarista de jogos, Maradona apresentador de TV", "Pelé nunca quis ser técnico, Maradona quis e melhor seria não ter sido"), é também sempre carregada de ironia.

O "cabelo milagroso", altar de Maradona na Itália
Fala-se, também, da idolatria a Maradona em seu país ("tem uma igreja") como sendo algo ruim, omitindo a real história da deificação de seu personagem: muitos anos antes na Itália, em Nápoles, Diego já era tido por "miraculoso"(ver foto ao lado)e dizem só ser menos conhecido que o santo padroeiro: na  Copa de 2010 os napolitanos enfeitaram a cidade com bandeiras da Argentina, porque Maradona era o técnico do selecionado!

Um dos pontos mais grosseiros, no entanto, é ridicularizar as preferências políticas e o engajamento de Maradona para elogiar a "habilidade política" de Pelé": "Maradona é um daqueles 15 no mundo que ainda se dizem comunistas'.

Em seguida são opostos o Pelé que foi honrado na Inglaterra com o Maradona que é 'amigo de Fidel Castro': ser amigo do presidente cubano em NADA diminui a importância de alguém e Maradona tem, sim, tremendo respeito fora da Argentina e das 'ditaduras latinas'.

Maradona é bem recebido tanto na Índia como na África do Sul; se vai à França é ovacionado como havia sido no Canadá; é uma figura ímpar num pequeno município da Cordilheira dos Andes e embaixador mundial de uma das maiores marcas de relógio da Suíça.

E que tal um cidadão que recebe, da Universidade de Oxford, o título de "Mestre Inspirador de Sonhos"?


6) Pais & Filhos

Essa diferença chega a ser ridícula: pela matéria, o mais importante é a quantidade de filhos: 7 a 3 para Pelé. Mas dentro desses sete certamente está contabilizada Sandra Regina, negada durante toda a vida pelo "Rei". O maior detalhe: quando de sua morte, somente o que Pelé fez foi mandar flores em seu velório.

Já Maradona pode dizer que, apesar de todos os erros cometidos, tem o orgulho de ter as filhas ao seu lado.


Na verdade, a única diferença motivadora desse comparativo foi a apontada por último: "Pelé é brasileiro; Maradona argentino".

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Muito Além do Futebol... (38)

Aproveitando a data do aniversário de Edson Arantes do Nascimento (em sua certidão está registrado o dia 21 de outubro, embora ele tenha nascido dia 23), vamos falar sobre suas recentes declarações, mais uma vez, envolvendo Diego Armando Maradona.

Boa parte do pré-conceito - literalmente - dos brasileiros para com os argentinos é em razão de Maradona ser o maior ídolo "deles". Segundo boa parte da população, Maradona, além de ser um drogado (sic), vive provocando (sic) o "nosso" Pelé para poder aparecer (sic).

Porém, ainda que de fato Diego muitas vezes cite o 'rei' do futebol e invariavelmente o critique, essa não é uma via de mão única: no mais das vezes, é Pelé quem provoca e desdenha de Maradona.

Somente nas últimas duas semanas, Pelé criticou/zombou Maradona em duas oportunidades diferentes e por duas razões distintas.

Na primeira delas, em 05/10, participando de projetos sociais na cidade de Jaguariúna-SP, ele fez uma provocação restrita aos campos, de forma gratuita, dizendo-se mais habilidoso que o argentino (''o Maradona não fazia gol de cabeça e não sabia chutar com a perna direita''):


Na outra, no último dia 15, quando inaugurou o Programa Esportivo Lúdico Escolar (acróstico sugestivo, não?), citou Diego Maradona no campo pessoal, dizendo que o argentino é um "mau exemplo" para as crianças -- ''não podiam chamar o Maradona, entende?'':


O curioso é que, uma semana antes da primeira provocação de Pelé, Maradona havia participado, na Rússia, de um evento no qual arrecadou 500 mil dólares (ou 850 mil reais) para a construção de um hospital infantil no país, destinado a pacientes com câncer.


Além disso, já está acertado que o ex-jogador também fará ação semelhante na China, conforme publica o "Portal do paciente com câncer". Não bastasse, nesse ano Maradona teve participação num projeto educacional na Argentina.

A conclusão a que se chega é que nenhum ser humano é de todo bom ou mau. Assim como Maradona errou de diversas maneiras no seu envolvimento com drogas, Pelé também cometeu vários e graves deslizes em sua vida, ainda que nunca tenha sido viciado em qualquer substância ilícita.

E o questionamento que fica: qual a imagem (ou 'exemplo', como diz Pelé) as crianças do hospital russo terão de Maradona?...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Propagandas (32)

Esse comercial foi produzido pela Vivo durante a Copa do Mundo. A ideia era homenagear Pelé e, por extensão, a Seleção Brasileira de Futebol, patrocinada pela empresa.

Para o 'último gol da carreira de Pelé', o adversário não podia ser outro. E reparem no excesso de associação dos termos "violência" e "argentinos". Aos 2min40seg temos o melhor exemplo.


Chama a atenção um dos comentários do video no YouTube:

Porque tem que ser contra a Argentina? Às vezes eu acho que nós precisamos mais da rivalidade com a Argentina do que os hermanos. A Itália enfrentou o Brasil muito mais vezes em copas do mundo incluindo 2 finais, sem falar que o estilo italiano é muito diferente fazendo com que BrasilxItália seja muito mais diferenciado.

sábado, 24 de julho de 2010

Duetos (24)

Aproveitando o link com o infeliz comentário da revista Veja no post anterior, vemos mais uma demonstração de como não, de modo nenhum "nada do que vem do Brasil tem valor para os argentinos".

Notícia recente, publicada essa semana no Estado de S. Paulo.

//
Os argentinos possuem uma relação de intensa admiração por Vinícius de Moraes - mais do que um visitante, o poeta é considerado um "portenho honorário". Não por acaso "Nuestro Vinicius" foi o título escolhido pela especialista em literatura Liana Wenner para relatar a presença do poeta em terras portenhas. "Cresci ouvindo na casa de meus pais um velho long play do show de La Fusa. Achava fascinante a forma de expressar a alegria e a liberdade dos brasileiros", explica Liana. O livro, da editora Sudamericana, será lançado amanhã.

"Vinicius veio em agosto de 1968 para ser a ponta de lança de uma intensa campanha dos exportadores brasileiros de café, que queriam divulgar o produto na Argentina contra seus principais concorrentes, os colombianos, que também faziam uma agressiva divulgação. A delegação brasileira era um luxo", diz Liana Wenner, relembrando os demais integrantes do grupo: "Dorival Caymmi, o Quarteto em Cy, Baden Powell e Oscar Castro Neves".

A primeira apresentação, no dia 18, começou às oito e meia da noite. Duas horas depois, o show havia terminado, mas o público não queria sair. Do lado de fora, na avenida Corrientes, mais de 3 mil pessoas pretendiam entrar para o segundo show.

No meio dessa "noite mágica", como define Liana no livro, Pelé, que participava de um amistoso contra o River Plate, apareceu na porta. Minutos depois, estava em cima do palco. O público aplaudia freneticamente. Segundo a autora, "Baden começou a improvisar uma batida de samba ao estilo Pixinguinha. Vinicius aproximou-se para abraçar o jogador. Pelé começou a chorar como um garoto."


terça-feira, 11 de maio de 2010

Duetos (19)


Você já imaginou, num mesmo lugar, encontrar Maradona, Pelé e Zidane? Para todo amante do futebol, isso é muito mais do que um sonho. Sonho esse que a Louis Vuitton torna possível, pelo menos virtualmente.

Numa ótima campanha que conta com três dos maiores jogadores da história do futebol, diversas são as possibilidades que você vê.

A melhor, sem dúvida, é a "entrevista" que você faz com as três lendas, clicando no tópico "The Three Greats". Há perguntas pré-selecionadas, você escolhe, e o artista responde.

Sensacional. E reparem nos elogios dos três uns aos outros...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Isso é Jornalismo? (19)


A Rede Globo age da seguinte maneira: defende os próprios interesses acima de qualquer suspeita. Assim, qualquer movimento contrário a estes deve ser totalmente ignorado. Se não for possível, é necessário ridicularizar até o último instante essa opinião "contrária".

Foi essa fórmula que o Jornal da Globo utilizou, dia 22 de março, para comentar a lista elaborada pelo jornal britânico "The Times": de acordo com a publicação inglesa, Maradona foi o maior jogador da história das copas do mundo, à frente de Pelé, o segundo.

Então, o narrador Luís Roberto, que tem uma participação especial no telejornal às segundas-feiras, destilou veneno contra a escolha, ironizando-a do início ao fim. Já antes, o apresentador William Waack, ao anunciar a lista, chamou o "Times" de "jornal paroquial" - sic -, pois estava fazendo uma "caridade" ao colocar Diego acima de Pelé. E, antes de passar a vez para Luís Roberto, disse que isso é um "absurdo completo".

Mas Luís Roberto conseguiu elevar isso a níveis ainda mais rasteiros: primeiramente, mostrou a lista dos dez primeiros, e depois falou das diferenças numéricas, com Pelé tendo ganho três copas diante de apenas uma de Maradona.

Porém, o narrador não mencionou que na Copa de 1962 Pelé participou efetivamente apenas do primeiro jogo, e Garrincha teve todos os méritos daquela conquista, sem qualquer ajuda do "Rei" (ao fim e ao cabo, Pelé e Maradona disputaram duas finais cada: Pelé em 58 e 70; Maradona em 86 e 90).

E a cereja do bolo veio quando, para ilustrar a sua discordância, Luís Roberto selecionou dois lances (um de cada) dos gênios da bola: o gol com chapéu de Pelé na final da copa de 1958, e o gol com a mão de Maradona na copa de 1986: "Pra não deixar dúvidas", afirmou.

Luís Roberto seguiu dando outros argumentos fracos como "Pelé fez gol em duas finais, Maradona nunca fez nem um golzinho em final de copa" (sob esse raciocínio, Vavá e Zidane são equivalentes a Pelé). Tudo isso com um sorriso no rosto, como quem estivesse comparando Tom Jobim e Compadre Washington.

Trata-se de um enviesamento de opinião poucas vezes visto anteriormente (por que não mostraram o gol de Maradona que foi escolhido, pela FIFA, o mais bonito da história das copas?). Mas não só a Globo adotou essa postura de escárnio: a imprensa brasileira, de uma forma geral, 'esculhambou' com a lista feita pelo periódico londrino.

Poucas horas antes de o Jornal da Globo ir ao ar, o programa "Bem, Amigos" da SporTV comentou a lista e jornalistas como Alberto Helena Junior demonstraram verdadeiro inconformismo com a posição mais alta de Maradona. Num dado momento, a face de Helena chegou a ficar vermelha: em voz alta, ele dizia que "não tem nenhuma justificativa!".

Diante disso, deixamos aqui a dica de leitura do texto "A paixão cega na questão Pelé x Maradona", de André Baibich, publicado no portal esportivo internacional Goal.com. O autor, bastante lúcido, opina: "Reações brasileiras a qualquer lista que coloque o argentino à frente de Pelé são tão irracionais quanto a ideia de que Maradona foi mais jogador que o Rei do Futebol".

quarta-feira, 3 de março de 2010

Propagandas (18)


Dessa vez, não iremos colocar um comercial, outdoor ou campanha publicitária, mas sim uma análise destas, feita por ninguém menos que Washington Olivetto, o maior nome da publicidade brasileira em todos os tempos.

No texto "Don't Cry for Us, Argentina", publicado em 2007, Olivetto faz um histórico de e um comparativo entre a publicidade brasileira e a argentina - e seus povos, também.

Como diria Lulu Santos, por "questão de espaço, e também de tempo", não transcreveremos o texto todo.

Mas uma coisa é certa: é GE-NI-AL

//

Pelo menos numa coisa sou diferente da maioria dos meus colegas, publicitários brasileiros: não tenho nenhuma implicância com a Argentina nem com os argentinos.

Pelo contrário. Acho Buenos Aires uma linda cidade, considero o Hotel Alvear um dos melhores do mundo, gosto do bife de chorizo, dos vinhos Catena Zapata, das canções de Aníbal Troilo, Astor Piazzolla e Fito Paez, do humor do Les Luthiers e do futebol de Maradona, Verón, Mascherano, Messi e Tevez.

Só não torço para a Argentina quando ela joga contra o Brasil, mas, quando os hermanos jogam melhor e vencem, reconheço a sua superioridade e nem fico muito chateado.

No entanto, neste momento, apesar de minha admiração pela Argentina e pelos argentinos, discordo frontalmente de alguns colegas, publicitários brasileiros, que acham que a publicidade argentina anda melhor que a publicidade brasileira. Isso ainda não é verdade.

A publicidade argentina foi, sim, melhor que a brasileira nos anos 50 e 60 do século passado.

Mas, a partir de 1960, a geração profissional anterior à minha solidificou o negócio da publicidade no Brasil e criou condições para que, a partir dos anos 70, a nossa geração não só superasse os argentinos, como também colocasse a publicidade brasileira entre as melhores do mundo.

Para isso contamos, inclusive, com a colaboração de alguns magníficos profissionais argentinos que perceberam o que estava acontecendo e vieram para cá.

Casos, por exemplo, dos brilhantes diretores de arte Armando Mihanovich e Aníbal Gustavino e do excepcional diretor de comerciais Andrés Bukowinski
.

Na verdade, o que acontece nos dias de hoje é que a publicidade mundial vive uma enorme crise criativa e de identidade, e a publicidade brasileira vive, além dessas duas, uma lamentável crise de auto-estima.

Coisa que pode ser entendida se misturarmos um retrospecto do passado com dados do presente e especulações sobre o futuro.

O "Garoto Bombril": criação do publicitário argentino Andrés Bukowinski

A publicidade no Brasil começou nos anos 40 e 50 através das agências norte-americanas. A Thompson e a McCann foram as pioneiras.

Nos anos 60, a publicidade brasileira foi tremendamente influenciada pela geração Doyle/Dane/Bernbach. Implantou as duplas de criação, formadas por redator e diretor de arte. E recebeu também algumas influências da boa publicidade inglesa.

Essas influências, somadas a elementos da nossa cultura popular, criaram um jeito brasileiro de fazer publicidade.

O Brasil é um país atípico. Oficialmente, está localizado na América do Sul, mas, na realidade, é um continente separado.

Fala uma língua diferente da dos outros sul-americanos, o português do Brasil, e tem diferentes costumes.

(...)

Nós, brasileiros, se recuperarmos a nossa identidade (a melhor maneira de ser absolutamente internacional é ser totalmente local), recuperaremos a nossa auto-estima.

Assim como os nossos hermanos argentinos vão crescer e muito, principalmente quando perceberem que precisam transformar seu bom trabalho em bom negócio. Para agências e anunciantes.

Torço para que isso aconteça e não vejo motivos para pensar diferente.

Nossas identidades (de brasileiros e argentinos), se, de um lado, se contrastam, de outro, se completam. E nossas opiniões sobre nós mesmos às vezes até se parecem.

Tenho o exemplo vivo disso dentro da minha casa, em duas camisetas que estão enquadradas e penduradas com o maior carinho nas paredes do meu escritório.

Uma da seleção brasileira, que ganhei do Pelé no final dos anos 70, com a dedicatória "Para o 10 da publicidade, do 10 do futebol". E a outra da seleção argentina, que ganhei do Maradona em 1996, com a dedicatória "Para el diez de la publicidad, del diez del fútbol".


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Isso é Jornalismo? (10)

Não falaremos aqui de erros de arbitragem que tenham favorecido esta ou aquela seleção. São inúmeros os casos de "equívocos" de juízes/bandeirinhas que influenciaram decisivamente nas partidas.

Se o Brasil foi prejudicado quando, em 1982, Zico teve sua camisa rasgada dentro da área pelo zagueiro italiano e o juiz não marcou o pênalti, a Argentina também foi punida erroneamente na copa de 1990 quando o árbitro marcou uma penalidade, inexistente, em favor da Alemanha na final. Se o Brasil teve um árbitro que encerrou a partida no momento em que a seleção cobrava o escanteio (e Zico marcaria o gol) na partida contra a Suécia pela copa de 1978, a Argentina teve um jogador expulso na copa de 1966 porque falou em espanhol com o juiz (!) - e isso consta na súmula, mesmo depois de Rattin ter solicitado um intérprete.

O inverso também é verdade: se sobre a Argentina caem suspeitas de que os jogadores peruanos tenham "entregado" a partida no quadrangular da copa de 1978, também há denúncias idênticas sobre a vitória do Brasil sobre Gana na copa de 2006, em jogo que terminou 3 a 0, e sobre a copa de 1962, quando membros do conselho de arbitragem teriam sido subornados a fim de que Garrincha, expulso na semifinal, jogasse a final. Se no jogo entre a Argentina e a URSS em 1990 a seleção soviética faria o gol não fosse uma bola parada com a mão pela defesa argentina, há também a anulação de um gol legítimo da Espanha em jogo contra o Brasil na copa de 1986.

Mas o nosso objetivo aqui é outro: esqueça dos erros (ou más intenções) de juízes; não é esse o foco. Vamos falar de momentos em que jogadores brasileiros e argentinos agiram de "má fé" para se beneficiar ou mesmo para prejudicar outrem (o que no fundo é a mesma coisa). A ideia, mostrando os casos a seguir, não é demonizar os jogadores do Brasil tampouco absolver o argentino: na verdade, estão todos no mesmo nível. O problema é a interpretação de cada uma dessas cenas...

Cena 1

Copa: 1962 (segundo título brasileiro)
Partida: Brasil X Espanha
Contexto: última partida da 1ª fase (quem vencesse estava classificado)
Personagem: Nilton Santos

O Brasil perdia a partida por 1 a 0. O lateral-esquerdo brasileiro faz falta no jogador espanhol dentro da área. Logo, seria pênalti. Porém o árbitro, um pouco distante, não consegue determinar onde acontecera o incidente. Antes de chegar ao local, Santos dá dois passos para a frente, ficando pouco adiante da linha da grande área. O juíz dá falta fora da área. O repórter diz, num tom de felicidade, que Nilton Santos foi "esperto".

Cena 2

Copa: 1970 (terceiro título brasileiro)
Partida: Brasil X Uruguai
Contexto: semifinal (fase eliminatória)
Personagem: Pelé

A partida estava 0 a 0. Pelé pega a bola pela esquerda e, na corrida, vê um adversário se aproximar. À medida que o jogador chega perto, Pelé diminui o ritmo e quando o vê praticamente colado, solta uma cotovelada que atinge em cheio o rosto do uruguaio. O juiz marca falta DO uruguaio, e ainda por cima pune-o com um cartão amarelo. No vídeo podemos ver gente do mais alto gabarito elogiando a atitude de Pelé ("Coisa linda" ou "não é aquele negócio de 'dar', tem que saber fazer") e rindo do "erro" do árbitro.

Cena 3

Copa: 1986 (segundo título argentino)
Partida: Argentina X Inglaterra
Contexto: Quartas-de-final (fase eliminatória)
Personagem: Maradona

A partida estava 0 a 0. Maradona faz excelente jogada pelo meio de campo, se livrando de vários zagueiros, e toca para um companheiro. Ao dominar, o companheiro de time de Maradona deixa a bola escapar, ao que o zaguiero inglês "corta", jogando a bola para o meio da área. Então, Maradona, sozinho com o goleiro, sobe e, com a mão, marca o primeiro gol argentino. É possível ouvir o narrador dizendo claramente que "o gol foi com a mão", e depois falando: "foi contra ingleses, o que mais posso dizer?".

Cena 4

Copa: 2002 (quinto título brasileiro)
Partida: Brasil X Turquia
Contexto: jogo de abertura da copa (sem influência na classificação)
Personagem: Rivaldo

A partida estava 2 a 1 para o Brasil, após obter vantagem no placar com um gol nascido de um pênalti irregular. A 5 minutos do fim, escanteio para o Brasil. Rivaldo aguarda a chegada da bola, ao que um jogador adversário a chuta e acerta a parte inferior do joelho do brasileiro. Rivaldo joga-se no chão, com as mãos no rosto, simulando estar machucado. A capa da "Placar" na semana do jogo dizia: "Roubado é mais gostoso".

(de todas as "cenas" mostradas acima, apenas Rivaldo foi punido posteriormente, com multa imposta pela FIFA)

Novamente, frisamos que a intenção não é dizer que este ou aquele foi "menos pior". Isso não existe. Todos foram infratores, e se beneficiaram de métodos ilegais. O problema está no enfoque e na dimensão que se deu/dá a cada um dos casos: enquanto os lances de Nilton Santos, Pelé e Rivaldo são lembrados sempre de um modo positivo, celebrando o "jeitinho brasileiro", o gol de Maradona é reprisado em TODOS os programas esportivos para fazer referência a "erros de arbitragem" ou a jogadores que infringiram regras.

Exemplo recente foi o caso do grande jogador francês Thierry Henry, que dominou uma bola com a mão na partida entre Irlanda e França, na repescagem das eliminatórias europeias: com isso, a França chegou ao gol que lhe deu a classificação para a Copa de 2010. Reportagens aqui no Brasil diziam "Henry segue os passos de Maradona", conforme publicou o Globo Esporte.

Hipocrisia mode "ON"
Além dos exemplos citados acima, basta que lembremos do post "Isso é Jornalismo? (4)", onde mostramos um vídeo da Rede Globo (sempre ela!) sobre o confronto Argentina e Brasil válido pela Copa América de 1995: de modo mais acintoso e clamoroso do que o gol de Maradona, Tulio domina a bola com o braço e faz o gol, levando a decisão para os pênaltis, classificando o Brasil. O repórter diz: "Maravilha de braço" para descrever o gol do jogador brasileiro.

No caso dos argentinos, é defeito de caráter; no dos brasileiros, tudo vale e é correto. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Isso é Jornalismo? (5)


Pelé, mais uma vez, polemizou com Maradona, minorizando o talento de Diego.

Isso, na verdade, é algo normal de ambas as partes. Não é nenhuma novidade. Mas o que mais me chamou atenção foi a seguinte frase do "rei": "As pessoas discutem Pelé-Maradona. Di Stéfano é para mim o melhor".

Quando Pelé usou o artigo (definido) "o", ele está especificando a sentença e, dessa maneira, entende-se que não há um outro que fosse melhor que o jogador, e isso não se limita à comparação com Maradona. Se Edson tivesse, por exemplo, utilizado o termo "Di Stefano foi melhor", sem o "o", poderíamos entender perfeitamente que ele apenas comparou Alfredo com Diego, afirmando que aquele é melhor do que este.

Muito bem.


Mas acontece que nas principais matérias do Brasil, tanto nos grandes veículos (Folha de S.Paulo e o site GloboEsporte.com) como nos menores (Lance! e Jornal do Comérico, por exemplo) a frase citada é a mesma, porém nas respectivas descrições as matérias afirmam que Pelé apenas comparou os dois jogadores. Alguns, inclusive, enfatizam termos como “Pelé disse que Di Stefano foi melhor que Maradona”.


Para matar a curiosidade/dúvida, nós do blog fomos ao Google, pesquisamos por "Pelé Maradona Di Stefano", e encontramos a resposta.


Nos portais internacionais, como o "Google News" e o "MSN", nos sites portugueses "Record" e "O Golo", no espanhol "Marca" e, PRINCIPALMENTE, no site da "FIFA" (!), a ênfase é "Pelé diz que Di Stefano foi o melhor jogador da história".

É importante frisar que todos esses sites acrescentam o termo "sempre" à frase de Pelé. Não custa lembrar, claro, que Di Stefano é argentino.


Pelé: "Alfredo Di Stéfano foi o melhor da história" (MSN)


Pelé: "Di Stéfano é, para mim, o melhor de sempre" (O Golo)


'Di Stéfano é o melhor', afirma Pelé (Google News)


Pelé: «Di Stéfano é o melhor de sempre» (Record)


"Pele (...) feels another Argentine-born player (...) is the best player ever". (FIFA)


"(...)a su [Pele] juicio, el mejor futbolista de la historia es Alfredo Di Stéfano" (Marca)