Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

domingo, 2 de agosto de 2026

Raça X Nacionalidade (104)

Esta situação ocorreu ontem: "Atacante diz ter sido chamado de 'macaco' por zagueiro".

Esta aconteceu hoje: "Árbitro é alvo de ofensas racistas por parte de torcedores presentes no Estádio".

Ambos os fatos se deram no estado de São Paulo.

Conclusão: pelo visto, tem muito argentino morando por lá...

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Raça X Nacionalidade (102)

 Seis anos depois...


A última semana foi um prato cheio para quem gosta de rótulos e "definições definidoras definitivas", conforme o lado da moeda em que esteja - ou prefira.

Nos EUA, o candidato a presidente que é tachado de "inimigo da democracia" sofre uma tentativa de assassinato clamorosa.

Ainda nos EUA, mas por mero acidente geográfico-logístico neste caso, vimos imagens dos jogadores da seleção argentina entoando um cântico que ataca a "legitimidade" dos jogadores da seleção francesa e usa de tom pejorativo para se referir a transexuais.

No Brasil, o presidente que é defendido como um baluarte da democracia, da igualdade e do respeito entre gêneros, classes e origens afirma, em reunião ministerial, que "se for corinthiano, tudo bem [bater na mulher]".

Ainda em terras brasileiras, além da fala de Lula, movimentaram as redes as notícias sobre duas situações: os bonecos dependurados (simulando enforcamento) no Engenhão e a onda de memes sobre o Ministro da Fazenda.

***

Os 5 fatos mencionados acima têm personas públicas envolvidas, com maior ou menor grau de intensidade. E, apesar de aparentemente desconexos, fazem parte de uma grande teia.

Senão, vejamos.


NO ALVO

Na América, até que não restasse mais nenhuma dúvida dada a seriedade do caso, espalhou-se um questionamento sobre a veracidade do atentado a Donald Trump.

No Brasil, uma situação constrangedora aconteceu durante Jornal da Globo News, quando um especialista disse que ainda não era possível afirmar que houve mesmo um atentado - talvez porque, como afirmou o deputado André Janones, era tudo um grande esquema mundial da "extrema-direita".

A tentativa de homicídio qualificado para com o candidato "da extrema-direita" levou o atual presidente a desistir de oficializar sua candidatura, mesmo após ter enfrentado imensas críticas e até mesmo uma suspensão no financiamento de sua campanha - antes do atentado, inclusive.

Criou-se, à época, uma narrativa de que o que estaria por trás dos pedidos - até mesmo editoriais de grandes jornais - de desistência da candidatura era nada menos do que puro etarismo, isto é, o preconceito e a discriminação por conta da idade de alguém (ironia das ironias, o adversário é apenas 3 anos e meio mais jovem).

Com a desistência oficial, motivada pura e simplesmente pelo medo da ascensão de intenções de voto no adversário, a probabilidade é que Biden seja substituído justamente por sua vice: mulher, negra e filha de imigrantes. Representante, portanto, de tudo que o adversário não gosta e dissemina preconceito.

ATAQUE ORQUESTRADO

Os memes com relação ao ministro da fazenda brasileiro agora têm um novo adversário: a narrativa de que se trata de pura desinformação criada e fomentada pela "extrema-direita", para desviar atenção do publico e criar rejeição para com o governo.

A Folha de S. Paulo se ocupou de chamar uma empresa especializada para efetivar análise do fluxo dos memes, procurando confirmar se era possível provar a origem "de extrema-direita", mas a conclusão foi de que foram mesmo espontâneos.

Ora, se o Brasil é chamado até mesmo pela propaganda estatal de país com multiculturalidade e, portanto, com preconceitos apenas relativos e nunca diretos - e, consequentemente, característica máxima do brasileiro é a "autopiada" e a "capacidade de rir das tragédias e encontrar caminhos para seguir" -, a produção dos memes e piadas não seriam apenas um reflexo natural?

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Membros da torcida botafoguense penduraram dois bonecos estampando as fotos de duas personalidades importantes do futebol brasileiro: Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, e Leila Pereira, presidente da S.E. Palmeiras. Ambos os bonecos simulavam um enforcamento, e estavam dispostos no estádio Nilton Santos, o Engenhão.

Ainda que houve repercussão na imprensa - e o tom foi, sim, de reprovação ao ato -, pouco ou nada se teve da associação mais intrínseca da representatividade dos personagens: Rodrigues, baiano/negro; Pereira, mulher. Em outras palavras, mesmo no tom crítico nãos e viu misoginia/xenofobia/racismo no ato promovido pelos botafoguenses, e nem mesmo a histórica disputa político-econômica entre RJ e SP foi entendida como pano de fundo.

Ano passado, a torcida do Atlético de Madrid realizou ato muito semelhante, colocando um boneco representando Vinícius Junior dependurado debaixo de uma faixa, que dizia: "Madrid odeia o Real". Não houve, lá, quando da repercussão do ato no Brasil, nenhum entendimento de que se tratava de rivalidade esportiva, econômica ou política (o próprio uso do termo Madri  por parte dos torcedores do Atleti em contraposição ao 'Real' já demonstra esse cunho) como pano de fundo, mesmo que o racismo tenha sido inegável.


ERA SÓ UMA PIADA

A fala de Lula, é bom salientarmos, encontrou reprovação quase unânime na mídia. Justiça seja feita, a Globo adotou tom bastante crítico à "piada" realizada, e enxergou nela um caminho torto para a "legitimização da violência doméstica", uma vez que o presidente tentou 'amenizar' para os corinthianos como ele.

É óbvio que o entorno do presidente, formado tanto por seus ministérios quanto por seus militantes (em alguns casos, se confundem, mas aqui estamos falando do discurso adotado na defesa de sua fala), não hesitou em usar o famoso "ruim, mas não tanto": para Anne Moura, Secretária de Mulheres do governo, Lula "foi infeliz" ao usar '"tom jocoso", mas nunca, jamais, em tempo algum e de forma alguma incentivou a violência contra as mulheres.

Foi a mesma defensiva (e não defesa) utilizada por Gleisi Hoffman quando, nas eleições de 2022, Lula disse, no palanque, "Quer bater em mulher? vá bater noutro lugar, mas não em casa nem no Brasil". Hoffman afirmou que foi "uma frase mal colocada". Lá, a imprensa adotou o termo "gafe" ou "escorregada" para descrever a fala do então candidato.

O histórico de falas do tipo por parte de Lula vem de longe e não se restringe ao momento político, e talvez o grampo telefônico de 2016 seja o melhor exemplo: entre expressões como "grelo duro" e risadas sobre os xingamentos (pê-uh-tê-ah) proferidos a Marta Suplicy, Lula disse que Clara Ant - presidente do Instituto Lula à época e amiga do presidente desde os anos 70 - achou que era "um presente de Deus" quando cinco homens adentraram sua casa, antes de saber que eram agentes da Polícia Federal.


AOS AMIGOS, A LEI; AOS INIMIGOS, O RIGOR DA LEI.

Por fim, chegamos ao cântico dos jogadores argentinos - reprodução de torcedores na época da Copa do Mundo do Qatar, e que ainda repercute em estádios do país. A tal canção foi feita para atacar os atletas franceses, afirmando que eles não são franceses e sugerindo que, por serem africanos, são inferiores - ecoando o que (lá, sim) é uma pauta "da extrema-direita" (e não apenas na própria França, como em toda a Europa Ocidental, irrompendo as barreiras da política).

Indefensável, de fato, e também um reflexo da impunidade e relativismo que imperam no país vizinho com relação a falas e termos discriminatórios e pejorativos, com todas as concessões que se faça a um povo que, a exemplo do brasileiro, também é expert em falar mal de si mesmo.

Chama a atenção, porém, a indignação seletiva, e o uso de tratamento diferenciado quando se trata dos "rivais": ora, as vozes brazucas que desdenham de um tiro e promovem fake news em TV aberta são as mesmas que se dizem chateadas com a profusão dos memes; as vozes que se indignam ao ver os brasileiros perseguidos na Espanha ou em Portugal não se indignam com os brasileiros perseguidos na rua ao lado.

afirmação de Lula em 2003.

Por fim, as vozes que encontram nos regionalismos e na sua ausência de instrução formal as justificativas para as falas homofóbicas, xenofóbicas, machistas e racistas do político preferido são as mesmas que se dizem indignar com ofensas de jogadores de futebol, geralmente com as mesmas origens e (falta de) oportunidade) do presidente - e não devem ser isentados por isso, pois, além de estarmos numa época em que tudo é visto por bilhões ao mesmo tempo, a grana conquistada por eles é o suficiente para buscarem instrução e reavaliação de (maus) costumes. 

***

Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.
(Evangelho de São Mateus, cap. 7, vers. 3 a 5)


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Muito Além do Futebol... (108)

"Ei, você é argentino?"

Leia relato aterrorizante de um espanhol confundido com Hermano na final da Copa Sul-Americana.

O homem, porém, insistiu.
Acompanhava meus passos e repetia, com o olhar fixo e tom ameaçador.
"Você é argentino?"
Tentei responder em bom "portunhol".
"Não, cara. Não sou argentino, eu torço pros brasileiros, eu amo futebol".
Mas ele retrucou:
"Seu sotaque te entrega" , e já foi finalizando a frase com um chute.

Confira clicando aqui.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Propagandas (77)

Ação promovida pela marca Lay's une brasileiros e argentinos.

sábado, 15 de abril de 2017

Muito Além do Futebol... (106)

Sou cozinheira. Estou num programa de cozinha. Quero vencer. Um dos chefs é uma argentina. Ela me avaliou e apontou erros grosseiros cometidos por mim. Provavelmente serei eliminada... Ah, não tem problema,''pelo menos o Brasil é penta''.

Como diz a música Muito Romântico, composta por Caetano Veloso e gravada por Roberto Carlos, ''eu não consigo entender sua lógica''.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Muito Além do Futebol... (105)

Clássico o modelo: seu time perde a culpa é da arbitragem. Geralmente, "o juiz roubou". E às vezes ele pode ser argentino, pra piorar as coisas...

"Juiz argentino"

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Duetos (101)

Imagem que correu o mundo na última semana: o Papa argentino e uma católica brasileira. E viva a verdadeira "rivalidade"!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Isso é Jornalismo? (60)

Mais um capítulo do "vamos botar alguma coisinha contra argentinos aqui pra chamar a atenção e daí depois a gente arruma".

Na página principal do site GloboEsporte.com noticiou-se a primeira partida de Lukas Podolski - aquele que quis virar 'brasileiro por adoção' na Copa do Mundo - em seu novo clube. A manchete: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski é agredido por argentinos".

Essa foi a chamada. Nada sobre gols, assistências, participação em campo, presença dos torcedores, etc.

Clicando no link, abre-se a matéria e o título já é um pouco diferente: "Na estreia pelo Galatasaray, Podolski faz gol, mas briga com argentinos".

É importante frisar, é claro: argentinos.

Mudança de enfoque: agora, menciona-se um pouco da performance em campo do jogador, e além disso temos que, em vez de "ser agredido", ele "brigou". Ora, ser agredido e brigar de fato são coisas diferentes: "quando um não quer dois não brigam", dizem.

Mas, tendo agredido ou brigado, não importa: foi com argentinos. Não esqueçam.

Aí vem a descrição da matéria, e a coisa parece ainda mais distante do que sugeria a chamada inicial: "Numa discussão com o zagueiro Cabral, o alemão chegou a dar um tapa no defensor, e em seguida levou o troco".

A confusão se estende, e talvez a matéria se baseie no que acontece em seguida: "Depois, recebeu um soco de Augusto Fernández, que chegou por trás".

Confira o video:


Não nos custa lembrar um pouquinho do histórico de Lukas Podolski, inclusive contra companheiros de seleção.

Em tempo: se o GE.com existisse em 1995, provavelmente diriam: "Edmundo é agredido por argentinos"...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Raça X Nacionalidade (95)

Dois dias atrás, Marcos Guilherme, jogador da seleção brasileira sub-20, faz acusação de racismo: Facundo Castro, atleta uruguaio, o teria chamado de "macaco" cinco vezes.


"Ah, esses uruguaios... Racistas!"

Marcos Guilherme e Fabiana Claudino: dois retratos do Brasil

No dia seguinte, Fabiana Claudino, jogadora da seleção brasileira de vôlei, faz acusação de racismo: foi chamada de macaca por um torcedor, que também lhe ofereceu banana.

O caso também repercutiu na imprensa internacional.

Embora sem sua identidade revelada, sabe-se que o torcedor não era uruguaio...

domingo, 21 de dezembro de 2014

Isso é Jornalismo? (59)

Quem vê esta manchete, pensa o quê? E há ainda o apelo à "criança que teve de ver tudo isso...".


Então, você clica no link e vai a uma galeria de fotos.

Nela, 22 imagens: 9 delas mostram comemorações e outros lances extra-campo (torcedores, dirigentes, premiações etc.)

Das 13 referentes ao campo, somente uma (esta, abaixo) mostra um lance que parece ter originado uma falta para o Real Madrid. Curiosamente, há na galeria duas fotos em que jogadores do Real é que derrubam atletas do "time do Papa".


Realmente, um sofrimento.

Nós do blog, confessamos, não assistimos ao primeiro tempo da partida. Somente o segundo - e, na etapa complementar, não vimos NENHUM lance violento.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Isso é Jornalismo! (69)

E a seleção brasileira venceu a argentina, sábado. Em jogo marcado por atuações pouco inspiradas de ambos os lados, o time do Brasil aproveitou melhor as chances que teve, enquanto que a equipe da Argentina ainda perdeu um pênalti.

O assunto que mais repercutiu, porém, não foi algo positivo.

O técnico brasileiro, Dunga, mais uma vez teve uma atitude de despreparo misturada à raiva que sempre demonstrou por argentinos.

Já ao final da partida, câmeras flagram o treinador discutindo e gesticulando com indicador e polegar no nariz.

Confira o video:


Não há dúvidas sobre o que Dunga quis dizer, certo?...

Durante a coletiva de imprensa, o repórter Tino Marcos foi direto em sua pergunta a Dunga:
- "[Quanto] a insinuação de que o pessoal da Argentina usou drogas, você se arrepende?"

O treinador, no entanto, negou veementemente, e ainda foi irônico:
- "Isso quem está falando é você. Como tinha muita poluição, tinha o nariz sempre trancado. Quem está falando que usou droga ou não é você".

Mais tarde, em outra oportunidade, Dunga deixou a desculpa da poluição de lado -- sem nunca admitir sua real intenção -- e resolveu se defender, falando sobre a personalidade daquele que foi seu alvo: "O rapaz que estava no banco da Argentina sempre cria confusão. Seja showbol, basquete, vôlei... Ele não é ninguém e em todos jogos quer aparecer"

Deixamos, como recomendação, o excelente artigo "O Nariz de Dunga", de Jorge Murtinho, publicado na Revista Piauí na última segunda-feira.

Um trecho: "É provável que, devido a uma explosiva mistura de ignorância com preconceito, Dunga não saiba que dependência química é doença, e não uma questão de caráter."

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Muito Além do Futebol... (98)

Deu no GloboEsporte.com, hoje.


06/10/2014 07h18 - Atualizado em 06/10/2014 09h20
Diego Tardelli relata voo com rivais argentinos: "Nem olhamos na cara"

(...)No voo, que saiu de São Paulo e fez escala em Dubai, totalizando mais de 24 horas de locomoção, a delegação brasileira se encontrou com integrantes da comissão técnica argentina. Estreante no duelo, Diego Tardelli já incorporou o espírito da rivalidade desde o avião.

- Algumas pessoas vieram no mesmo voo, nem olhamos na cara porque sabemos da rivalidade que há num Brasil x Argentina. Sempre vai existir.

O volante Elias foi um passageiro mais cordial. Ele confirmou a companhia dos adversários na segunda parte da viagem, de Dubai até Pequim, mas foi mais brando sobre os parceiros de avião.

- A comissão deles estava no nosso voo, mas foi super tranquilo, amigável. Na hora do jogo, nós nos esquecemos disso. (...)


Será que os dois atletas da seleção tomaram dois aviões diferentes?

PS: Diego Tardelli tem esse nome por causa de Maradona.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Isso é Jornalismo! (68)

Matéria publicada pela Rede Brasil Atual durante a Copa do Mundo fala sobre algo que já comentamos várias vezes no blog: "Rivalidade de argentinos é maior com uruguaios e ingleses do que com brasileiros". Vale a leitura.

Argentinos em Porto Alegre: "A rivalidade existe, mas não há clima hostil, diz a prefeitura"

domingo, 21 de setembro de 2014

Muito Além do Futebol... (97)

Excelente material publicado na "Revista de Comunicação Midiática" (UNESP), produzido por Roberta Brandalise. O título: "Rivalidade Brasil-Argentina em uma região fronteiriça: Futebol, Pelé, Maradona, Havaianas e Guaraná na televisão brasileira".

sábado, 20 de setembro de 2014

Duetos (92)

Boa matéria do Globo Esporte de hoje, 20/09/2014, falando sobre uma partida que celebra os 100 anos do clássico entre Brasil e Argentina: na região fronteiriça, a rivalidade existe, mas o respeito é ainda maior.

Clássico celebrando os 100 anos de rivalidade

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Muito Além do Futebol... (96)

Cauê Moura, vlogger conhecido no Youtube, lançou um video procurando explicar a rivalidade entre Argentina e Brasil. Consideramos a exposição bastante lúcida e isenta.



Em tempo: a descrição do video é "Pra você pelo menos odiar os hermanos sabendo o motivo."

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Duetos (90)

Imagem presente numa loja de roupas infantis, em Curitiba. Melhor símbolo da união Brasil-Argentina não poderia haver...


Via facebook, o argentino Pablo Romero fez o seguinte comentário: "As crianças não têm bandeiras. Usam aquilo que gostam, e se expressam com a bola. É lindo. São lindos. Eu joguei bola com crianças no Brasil e eles só queriam isso: jogar. Os adultos se esqueceram disso"

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Isso é Jornalismo! (65)

Na última segunda-feira (18), as seleções juvenis -- até 20 anos -- de Brasil e Argentina se enfrentaram pelas semifinais de um Torneio Amistoso na Espanha. A seleção brasileira venceu (2x1), conquistando a classificação para a decisão.

Apesar de o jogo ter tido várias chances de gol, a partida ficou marcada pelas confusões entre os atletas de ambos os selecionados.

Já fizemos diversas críticas às abordagens do GloboEsporte.com quando se trata de equipes (sejam times do país ou seleções) argentinas. No entanto, dessa vez é preciso reconhecer o tom das duas matérias sobre o confronto.

Em nenhum momento dos textos -- foram dois, aqui e aqui -- houve sinais daquele maniqueísmo tradicional nesses casos, algo do tipo "brasileiros só querem jogar bola e argentinos só querem arrumar brigas".

Do contrário, foram lúcidos e imparciais a ponto de destacar a duríssima entrada do jogador Thalles e a confusão iniciada: "Um momento de descontrole dos brasileiros esquentou os ânimos (...). Compagnucci (...), parado com força exagerada, terminou no chão. Thalles claramente ignorou a bola para acertar o rival. Em seguida, Matheus acertou um chute, derrubando o meia".

A situação descrita na(s) matéria(s) é a da foto abaixo: a distância que separa os jogadores (Matheus, Brasil, e Compagnucci, Argentina) da bola, e a posição do pé do brasileiro não necessitam maiores explicações.

Mais importante que o lance, porém, é o momento em que ele aconteceu: eram apenas 7 minutos do primeiro tempo! Em seguida (o juiz  não apitou falta), o jogador argentino Sánchez dá um carrinho violento no atacante brasileiro Gabriel.

Matheus (camisa 8) dá entrada violenta em Compagnucci (14)
Neste vídeo, do "Tá na Área", fica muito clara a sequência. Novamente, elogiamos a imparcialidade na apresentação: o comentarista chega a demonstrar ("Nossa...") surpresa com a agressão do brasileiro.

Após a falta do argentino (essa sim assinalada pelo árbirto), há uma aglomeração e as típicas agressões se sucedem: um jogador argentino, suplente, chuta por baixo um brazuca, enquanto um jogador brasileiro, também reserva, tenta acertar soco num hermano, que não o viu.

Com a confusão, dois atletas (um argentino e um brasileiro) acabaram sendo expulsos.

Treze minutos depois, outro lance lamentável e isolado de um jogador brasileiro: Thalles tenta dar um soco no zagueiro argentino após disputa de bola na área. Este vídeo mostra claramente o lance.

Outra vez, fica elogio ao texto do GE.com, que relatou a agressão: "O clima continuou quente (...) Thalles tentou acertar um soco em um zagueiro argentino, mas o árbitro não viu".

Houve uma terceira expulsão no jogo: Sánchez, autor do carrinho que originou a confusão aos 8 minutos, "levou o segundo cartão e foi expulso por uma falta mais fraca", grafa o GE.

Para finalizar, mais uma vez citamos a matéria, "a segunda etapa teve menos violência e mais futebol. Os dois times criaram boas chances, os argentinos chegaram a ser superiores em alguns momentos, mas, aos 23 minutos, Danilo assegurou a vitória com um golaço."

Portanto, damos parabéns aos atletas brasileiros pela vitória e, acima de tudo, parabenizamos o GloboEsporte.com por ter praticado o bom jornalismo.

A rivalidade sempre existirá, e confusões continuarão comuns no futebol: o que não podemos fazer é caricaturar anjos e demônios.

_________________________________________________________________________________

Nota do blog: como sugestão para reflexão (tanto sobre o que é jornalismo esportivo, quanto sobre essa tendência de vermos atletas brasileiros "contraatacando antes de serem atacados"), colocamos o video abaixo. Nele, José Trajano fala sobre uma agressão gratuita de um jogador brasileiro da seleção sub-20 contra um adversário argentino, aos 5 minutos (!) de partida.

Detalhe: isso aconteceu em fevereiro de 2011. (Reveja o lance aqui)


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Muito Além do Futebol... (95)

Arte exposta no muro de uma escola (!) em Piracicaba, São Paulo. Foto enviada por José Liborio.