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terça-feira, 14 de julho de 2015

Duetos (100)

Fito Paez e Paulinho Moska: hermanos. Canção lançada em 2015.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Duetos (94)

Festival de Música Goiano une Argentinos e Brasileiros: trata-se da Primeira Noite do Figo - 2014


"No palco principal do evento, os argentinos do Rosario Smowing fizeram um show empolgante desde o início, (...) levando o público a dançar e levantar poeira do chão da Praça. Eles tocaram (...) até a brasileiríssima Aquarela do Brasil. “Esperamos que vocês estejam tão felizes como nós.”, disse o vocalista Diego Casanova."

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Off-Topic (18)

*Postagem número 500 da história do blog.

"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.

Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá! 
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".

Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?

"Chorando desde Itália até hoje"

Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi
símbolo da tristeza que assolou o país naquela data.
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).

"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...

Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".

Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:



"Maradona é maior que Pelé"

A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".

Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.

Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".

Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?

Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".

De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".



Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".

"A musiquinha deles"

"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.

Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.

Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".

Melhorada?!

Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.

O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"

No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Isso é Jornalismo! (54)

A matéria abaixo foi publicada pelo jornal Clarín no último sábado, 18. O texto é de autoria de Soledad Domínguez, argentina e que sempre viajou ao Brasil e hoje reside no país. O texto aponta diferenças importantes entre as duas nações e seus povos, mas, antes disso, é uma declaração de amor.

Una argentina en Río: la fantasía de vivir en el país del “tudo bem”

Desinhibidos. Muchos argentinos sienten que en Brasil existe un ambiente donde el afecto surge a flor de piel, las apariencias importan menos, la gente se arriesga a lo espontáneo y la música es diálogo. Qué hay de cierto y qué de mito en estas sensaciones.
Soledad Domínguez mora no Rio de Janeiro, atualmente
Mi decisión de vivir en Río de Janeiro nació con música. Cuando tenía entre siete y diez años escuchaba canciones de Chico Buarque, Elis Regina, Vinícius de Moraes y otros grandes. Sus voces me acompañaban en los viajes en auto que hacía con mis padres y mi hermana a Florianópolis. Quizás influyó también el mar de Brasil, no tan frío como el de Villa Gesell, las curvas constantes del camino, los morros verdes y las lluvias abundantes que Elis Regina y Tom Jobim celebran en Águas de MarçoÉ a chuva chovendo/ É um pingo pingando/ É uma prata brilhando/ É a luz da manhã/ Fechando o verão (“la lluvia lloviendo/ la gota goteando/la plata brillando/ la luz de la mañana/ cerrando el verano”). Pronto me daría cuenta de que el tema iba más allá de la música y de la geografía. Yo percibía en Brasil una manera de ser espontánea que se conectaba mejor con mi interior. Por momentos sentía que ese modo diferente de estar en el mundo caracterizaba también al idioma. Todavía recuerdo la primera vez que escuché hablar en portugués. Yo estaba medio dormida mientras mis padres averiguaban, en forzado portuñol, si había lugar para alojarnos en una posada. Cuando el dueño respondió me pareció reconocer una sonoridad que, no sé por qué, asocié al francés que había estudiado en el colegio. Y en este caso con el agregado de cadencias rítmicas que despertaron en mí un amor a primera vista.
En viajes posteriores mi otra gran sorpresa tuvo que ver con las playas. Observé que ahí las brasileñas podían ser gordas, voluptuosas, con o sin celulitis, y que los brasileños podían ser barrigones, calvos o lo que fuera, pero que ninguna de esas condiciones físicas resultaba molesta para nadie. En todos los casos hombres y mujeres se exhibían tranquilos ya sea en biquinis mínimas o en las clásicas sungas masculinas.
No tenían vergüenza de mostrar sus cuerpos. Los adultos que me rodeaban decían que esa era una diferencia marcada con los argentinos, más recatados, siempre en shorts y hasta con mallas enterizas. Un verano, ya en plena adolescencia, compré un vestido tejido a mano. Era colorido, corto y entallado y me acompañó en toda mi juventud. Pero el vestido estuvo casi todo el tiempo colgado en el placar. Cada vez que lo veía me parecía exótico, lindo, sensual… Pero aunque tuviera muchas ganas de usarlo no me animaba en la Argentina. Me lo ponía solamente cuando me sentía segura en la informalidad de la tierra brasileña.
De regreso a Buenos Aires fui incorporando ese estilo relajado a mi cotidianidad. Lo primero que se me ocurrió fue experimentar con las danzas y me inscribí en un curso de ritmos afrobrasileños. A cada compás de percusión sentía que conectaba la música con mi cuerpo.
Al principio intentaba seguir los pasos de mi profesor bahiano –alto, moreno y con una paciencia de oro– pero mis pies sólo reproducían una secuencia de torpezas que, de a poco, fueron cediendo a movimientos más armónicos. Y cuando me olvidé de seguirlo solté por fin las caderas al son del quiebre y requiebre de los tambores de la gran banda Olodum y su alegría contagiosa.
Olodum tá hippie, Olodum tá pop/ Olodum tá reggae/ Olodum tá rock/ O Olodum pirou de vez (Olodum está hippie, Olodum está pop, Olodum está reggae, Olodum está rock, Olodum enloqueció).
Pasado un tiempo empecé a ampliar mis conocimientos sobre el país vecino. Uno de los libros que especialmente me marcó entonces fueRaíces de Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, que me acercó a una comprensión de los procesos de formación social. Y fue a partir de otras lecturas que conocí mejor una cultura que ya me estaba tomando por completo. Después de años de hablar el idioma y acumular datos y vivencias tomé una decisión: me postulé a una beca de posgrado para una especialización en Humanidades en América del Sur. Elegí como opción de lugar la ciudad de Río de Janeiro, gané la beca y me animé a dar el paso. Desembarqué en Río en 2005, comenzando así lo que llamo la etapa carioca de mi vida adulta. Poco a poco fui descubriendo similitudes y diferencias entre la realidad y la fantasía que había construido con los años. No llegué a Brasil con expectativas claras. Pero sí con la convicción de que nada podía salir mal en el país del tudo bem.
Soledad ao lado da irmã, em Florianópolis, no início dos anos 90.
Durante los primeros meses me mudé de casa cinco veces en una ciudad superpoblada donde los exigentes requisitos para alquiler de vivienda no son fáciles. Eso no era todo. También me la pasaba haciendo colas para tramitar la visa de estudiante junto a chinos, estadounidenses y colombianos. Supe así hasta qué punto era extranjera en mi Brasil querido. A eso se sumó la demora del depósito del dinero de mi beca que no llegaba por cuestiones administrativas. A mis preguntas en la Facultad, la respuesta era calma: “Está todo bien, no se preocupe, seguro que llegará a tiempo”. Reacciones de ese tipo me sonaban exageradamente optimistas. Parecía que todo iba a resolverse por obra y gracia de voluntades bien intencionadas. Pero la realidad no es así, pensaba yo con mi mente argentina. A esa altura empecé a desconfiar del tudo bem . Sin embargo, percibí luego que esas expresiones componen una forma particular de encarar los hechos sin dramatismo. Es lo que también me enseñó una sabia canción de Iván Lins.
Já tivemos muitos desenganos/ Já tivemos muito que chorar/ Mas agora acho que chegou/ a hora de fazer valer o dito popular/ Desesperar jamais (Ya tuvimos muchos desencantos/ ya tuvimos mucho que llorar/ Por eso llegó el tiempo de volver al dicho popular/ Desesperar jamás). El descubrimiento me ayudó a aliviar preocupaciones. También aprendí a escuchar al otro evitando la confrontación. Nunca vi en Brasil fuertes discusiones sobre política en las reuniones sociales. Los desacuerdos se expresan pero sin la vehemencia que observo en Buenos Aires. Las novedades sobre el dólar, la inflación, la política o el fútbol aparecen en la Argentina de manera recurrente y agotadora. No digo que Brasil se mantenga al margen de esas cuestiones. Pero todo sucede con un énfasis menos marcado.
El optimismo y la alegría me acompañaron desde que llegué. Fueron visibles por ejemplo en el trato amigable de mis compañeros de la universidad. Ellos me hicieron sentir confianza desde el primer contacto físico, tan usual en Brasil, que consiste en dar y recibir dos besos y un abrazo. Debo aclarar que esa intimidad no necesariamente significa compromiso verdadero. Se trata más bien de una calidez que se refleja incluso en los diminutivos cariñosos que se usan para nombrar a las personas. Yo siempre fui Sol (difícilmente Soledad) así como algunas compañeras son llamadas Paulinha (nunca Paula) o Gigi (nunca Gizella). Pude sentir esa proximidad, también, al experimentar el estilo frontal de los cariocas a la hora de acercarse a una mujer. Más de una vez, en una fiesta, me han tomado de la mano o de la cintura para bailar. Casi sin palabras. En esos casos, la mirada o un ligero gesto alcanzan. No obstante confieso que extraño a veces el galanteo discursivo y los gestos de caballerosidad de los argentinos.
Existe un lugar donde me reencuentro con mis ideales de un Brasil abierto y tropical. Me refiero a las playas cariocas, principalmente Ipanema. Es ahí, junto a sombrillas rojas y bebiendo caipirinha de fruta preparada al instante, donde disuelvo tensiones. Desde que vivo en Río pude entender mejor la naturalidad brasileña tan mentada por mis padres.
Hasta mi cuerpo se expresa de una manera más desinhibida. Y eso, como he dicho, nada tiene que ver con trajes de baño pequeños y exuberancia de contornos. Es algo más ligado a una actitud de comodidad y soltura al andar que también adopté. Aclaro que eso, por ejemplo en la mujer, no significa mostrar todo ni ser presa fácil, una imagen estereotipada de las brasileñas en el exterior que me molesta bastante. Sí noto un culto al cuerpo y su cuidado. En cualquier caso se mantiene una actitud razonablemente pudorosa. Por mencionar un ejemplo, nunca había visto hacer topless en el país de la supuesta desinhibición. Hace algún tiempo, un grupo de mujeres realizó en Ipanema lo que se llamó toplessazo , una acción favorable a la naturalización de esa práctica en las playas. Acudí a la convocatoria pero no estuve cómoda. Si bien no me quité la parte de arriba de la biquini, me sentí de algún modo manoseada por un ejército de ojos curiosos, fotógrafos y camarógrafos que registraban unos pocos pechos al descubierto como si fueran rarezas secretas y justificadamente prohibidas. A ese hecho se sumaron algunos comentarios agresivos que me hicieron entender que el topless no es tan natural en Brasil como sin duda lo es en Europa.
La sensualidad corporal es sólo una parte del carnaval de Río. No todo pasa por el sambódromo . De hecho la gran fiesta se da en las calles de los barrios que convocan a la gente a cantar y a bailar con los disfraces más diversos: antenas de neón, pelucas enruladas, tutú y vinchas coloridas.
Bastó ver a mis amigos disfrazados de bebés, corneta en mano, para atesorar el más lindo recuerdo que tengo de la celebración mayor. Ahí resulta suficiente saltar al ritmo de tradicionales canciones populares como mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar , evocando a la Carmen Miranda de los años ‘40. Esa alegría, cabe añadir, ayuda a amortiguar el efecto innegable de la suciedad y los olores que quedan en las calles después del miércoles de ceniza. En el Río de postal tampoco se ven las sombras de la pobreza. Pero la desigualdad social es notoria. Recuerdo que un día caminaba por la calle Barão da Torre, en Ipanema, y vi una entrada lateral a la favela del morro de Cantagalo. Observé ahí cómo, por un sendero de barro, la gente subía y bajaba en medio de una aglomeración de casas precarias. Pobreza y opulencia en la misma cuadra. Y casi nadie parecía extrañarse.
Durante todo este tiempo tuve muchas idas y vueltas entre Buenos Aires y Río de Janeiro. Por ahora, soy carioca. Hace cuatro años hice la experiencia de vivir en Porto Alegre, un punto intermedio. Allá los inviernos son duros y los gaúchos se parecen más a los argentinos. Percibí que soy poco tolerante a los días nublados y que el frío es una sensación térmica que ya perdí. Y algo más. Descubrí que me identifico más con el bullicio de Río. Es una especie de música que me hace sentir acompañada aún estando en casa. La informalidad de “aquel abrazo” apretado de Gilberto Gil O Rio de Janeiro continua lindo/ O Rio de Janeiro continua sendo la llevo conmigo en cada viaje a Buenos Aires, donde siempre me quedo esperando el segundo beso en la otra mejilla.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Muito Além do Futebol... (78)

Concurso para música da Copa tem três argentinos e apenas um brasileiroClassificado entre os 20 semifinalistas que pode ter sua trilha sonora como tema oficial do Mundial, Alexey Rodrigo não quer ser derrotado por um dos hermanos
Música argentina nem f..., sacou?!
A primeira derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014 pode vir antes do esperado. Tudo bem que não vale taça, não conta como título, mas o vencedor certamente será lembrado durante toda a competição: trata-se do concurso para escolher a trilha sonora oficial do Mundial. Dentre as 20 composições classificadas para a semifinal, somente uma é brasileira. Pior. Existem outras três músicas argentinas na briga para ser a "nova Waka Waka", tema da Copa de 2010, na África do Sul, interpretada pela cantora Shakira. 
O produtor musical canarinho Alexey Rodrigo, autor da música "All in one rhythm" (Todos num só ritmo), acredita que sua composição tem grandes chances de ser a vencedora. Porém, as parciais não são favoráveis e o fato de estar atrás de dois argentinos tem causado um certo incômodo. Atleta das categorias de base do Guarani e do Rio Branco-SP quando criança, Alexey carrega aquele sentimento não muito amistoso com os hermanos
- Imaginem só. A Copa sendo disputada no Brasil e uma música argentina sendo tocada antes da final, nos jogos, na rua. Só faltava essa. Os argentinos fazendo festa na nossa casa e com a música deles. Seria uma catástrofe. Não dá para pensar nesta possibilidade, não seria uma marca histórica legal - comentou o produtor musical, que mora em São Carlos, no interior de São Paulo. 
Apesar de brincar com a situação, ao ser questionado sobre uma possível derrota, Alexey pensou em alternativas que fossem menos doloridas para ele e também para os brasileiros. 
- Eu não gostaria de ver um argentino ganhando. Se for para eu perder, que seja para o concorrente coreano ou até o australiano. Não podemos perder para um argentino aqui no Brasil.

fonte da matéria.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Off-Topic (9)

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Isso é Jornalismo! (52)

Uma coisa que nós do blog Hermanos&Brazucas gostamos é de pesquisar como a temática Brasil/Argentina vem sendo abordado ao longo dos tempos. Sem surpresa, vemos que a animosidade começou a aumentar mesmo foi a partir dos anos 90.

O video abaixo é de uma edição do "Jornal da Cultura", provavelmente no início de 1986, com comentários do jornalista Cunha Júnior a respeito do disco e show do grande artista Charly Garcia em Porto Alegre.

A apresentadora do telejornal também é muito elogiosa à obra de Charly, e ainda faz uma brincadeira a respeito da proximidade da Copa do Mundo:


Tempos em que se difundia música argentina no Brasil. Acima de tudo, tempos em que se podia separar a rivalidade nos campos sem que isso soasse um crime lesa-pátria...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Duetos (64)

O programa "That Metal Show", do canal a cabo 'VH1', sempre traz astros do tradicional heavy metal e semelhantes.

No episódio de número 7, participou a banda "The Cult". Quando perguntado sobre onde estavam seus fãs mais enloquecidos - no bom sentido - o vocalista Ian Astbury declarou: "Argentina". Depois se "corrigiu" e disse: "no Brasil e na Argentina, a América do Sul é incrível".


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Duetos (63)

No último dia 19 de outubro, comemorou-se o centenário do grande poeta e compositor Vinicius de Moraes. É de conhecimento geral a grande relação do poetinha com nossos irmãos argentinos. Na última quinta-feira, 17, o Centro Cultural Recoleta de Buenos Aires anunciou que realizará uma exposição em homenagem a Vinicius, onde está prevista inauguração para o dia 20 de novembro.
A mostra foi concebida a partir de uma de Marta Rodríguez Santamaría (carinhosamente conhecida por “Martita Argentina” no Brasil) ex-esposa de Vinícius, e deve apresentar uma seleção de 90 fotografias. O projeto também conta com a participação da artista plástica argentina Renata Schussheim, que foi amiga do compositor: “O objetivo desta homenagem é celebrar o centenário de seu nascimento e conseguir uma aproximação com o multifacetado artista, o grande poeta e compositor, roteirista, crítico, diplomata, jornalista e saudoso amigo", declarou em comunicado ao Centro Cultural Recoleta.

Vinicius conheceu Martita em 1975 durante um circuito universitário e um ano depois eles se casaram. Para ela o poeta escreveu o "Soneto de Marta":
Teu rosto, amada minha, é tão perfeito
Tem uma luz tão cálida e divina
Que é lindo vê-lo quando se ilumina
Como se um círio ardesse no teu peito
E é tão leve teu corpo de menina
Assim de amplos quadris e busto estreito
Que dir-se-ia uma jovem dançarina
Que pele branca e fina, e olhar direito.
Deverias chamar-te claridade
Pelo modo espontâneo, franco e aberto
Com que encheste de cor meu mundo escuro.
E sem olhar nem vida nem idade
Me deste de colher em tempo certo
Os frutos verdes deste amor maduro


O Hermanos & Brazucas presta singela homenagem ao centenário, citando excelente matéria do Estadão, onde é contada a relação do poeta com o país vizinho.

domingo, 4 de agosto de 2013

Duetos (59)

Uma argentina, conhecida como "La Negra", e um brasileiro, que é negro, tornam nossa vida muito melhor.

#SóloJuntos

segunda-feira, 19 de março de 2012

Duetos (45)

Colocamos abaixo uma postagem encontrada no blog "Aires Buenos", outrora mencionado aqui, que conta a história de um "brasileiro argentinizado" que virou documentário.

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Moacir, o brasileiro argentinizado



Brasileiro morando na Argentina faz quase 30 anos, meio louco e meio gênio musical. Este é o Moacir, personagem principal desse documentário fantástico que está em cartaz nos cinemas de Buenos Aires.

O diretor Tomás Lipgot conheceu a figuraça do Moacir no seu documentário anterior, Fortalezas, que falava sobre o sistema de manicômios da Argentina. O brasileiro, ao contrário dos outros pacientes retratados, era alegre, brincalhão e ainda nutria alguma esperança pela vida. Dizia que tinha composto algumas músicas faz muito tempo e que queria muito gravá-las.

Passou o tempo e acabou que o Moacir recebeu alta , começou a ganhar uma pensãozinha do governo e se mudou para uma pensãozinha do bairro de Constitución. Foi aí que o diretor voltou a encontrar o brasileiro e fez um trato. Gravava as suas músicas esquecidas e em troca filmava todo o processo.

Feito o acordo, o resultado é esse documentário. A história de um gênio e louco gravando seu disco, brigando com o produtor, tentando se adaptar ao mundo atual e falando um portunhol bisonho. Recomendadíssimo!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Duetos (44)


Lançado em 2010, “Bossa Nova y Nuevo tango, uma historia de Vinicius a Astor” (do argentino Enrique Sterga) é um livro que como nenhum outro faz uma análise brilhante dos aspectos culturais do Brasil e da Argentina.
O foco, como o título já nos mostra, se dá nos principais movimentos musicais da história dos dois países: a "Bossa Nova", aqui focada em Vinícius de Moraes como o mentor intelectual e poético, e o "Novo Tango", dando maior ênfase a Astor Piazzola, um gênio musical tão grande quanto Tom Jobim.
Há também uma análise sobre o contexto histórico e do porquê de tais distanciamentos entre os dois países. E só mesmo a música para reaproximar e reafirmar os laços dos dois países.
Na introdução, o autor afirma ser "apaixonado pelo Brasil e pela música de Piazzola". Fica como destaque uma frase do ex-presidente argentino Saenz Peña, citada logo no começo do livro: "argentinos e brasileiros, tudo nos une, nada nos separa"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Raça X Nacionalidade (53)

Recentemente, vem causando alguma polêmica a música "Kong", de Alexandre Pires, por conta de um conteúdo aparentemente preconceituoso. Em dueto com o cantor, está o funkeiro Mr. Catra, e Neymar é uma das estrelas do clipe. Ainda, a dança foi a comemoração de Daniel Alves, quando o brasileiro marcou o gol contra o Real Madrid, na partida de volta da Copa do Rei.


Isso mesmo: Neymar, que teve o caso da banana jogada em campo durante o amistoso Brasil X Escócia, e Daniel Alves, que acusou a torcida do Espanyol de imitar macacos para provocá-lo, são protagonistas da coreografia da música "Kong" que, como o nome diz, é uma referência ao animal.

A associação de uma música cantada por dois artistas negros a racismo é algo inimaginável, mas foi justamente de uma comunidade negra (o "CEN" - Coletivo de Entidades Negras -, cujo site indicamos no link) que surgiu uma voz criticando a canção. E também o ator Jairo Pereira, negro, fez um video atacando o conteúdo nela exposto. Pires se defendeu, dizendo que fez "essa música como já fiz outras com esse mesmo intuito que é de alegria de descontração. Minha intenção é passar alegria para as pessoas".


Abaixo, o texto do CEN:

Extremamente reprovável esse vídeo Kong que vocês chamam de música. Não sei se tem noção do que essa associação do homem Negro ao macaco tem acarretado em nossas comunidades. Tampouco me iludo que seja ingênuo em relação a essa questão, mas sua contribuição para legitimar a animalização de nossa gente, dando eco e alimento às ridicularizações racistas que cotidianamente vivenciamos, sem dúvida alguma é tão daninha quanto qualquer ato racista.

Se o objetivo era promover polêmica, sem dúvida alguma conseguirá. Não temos as redes de televisão nas mãos, porém somos muitos, e podemos multiplicar ao máximo uma reflexão honesta sobre isso que vocês estão fazendo. Espero que, ao menos, reconsidere a possibilidade de retirar esse clip do ar para pensar, se de fato, foi uma boa ideia gravá-lo.

Admiramos seu trabalho pela pessoa que é e esperamos que seja humilde o bastante para escutar-nos e avaliar não somente com seus assessores e amigos/as próximos. Busque pessoas que compreendam as consequências nefastas do racismo em nossa sociedade, tenho certeza que te orientarão melhor sobre esse tema. Contamos, verdadeiramente, com sua compreensão e retirada desse clip do ar.

E aqui o video de Jairo Pereira:

domingo, 30 de outubro de 2011

Duetos (41)

Já falamos aqui sobre como a música e cultura vizinhas são ignoradas (pra não dizer desprezadas) no Brasil: "eles só vivem de tango e Maradona", dizem os mesmos que reclamam que 'os outros acham que Brasil é só carnaval e futebol'.

No entanto, dois desses símbolos de que o Brasil é muito mais do que os citados eventos, Caetano veloso e Chico Buarque, fazem questão de valorizar as coisas boas que a Argentina tem pra além do estilo musical e do ídolo esportivo.

O video a seguir, de uma beleza sem igual, é do programa "Chico & Caetano", nos idos dos anos 1980. O grande baiano diz: "Hoje estamos aqui numa atitude imensamente respeitosa, porque temos um dos maiores músicos do mundo: Astor Piazzola".

domingo, 10 de julho de 2011

Duetos (35)

A banda "A77aque" (ou Ataque 77) é um dos maiores grupos de rock argentinos de todos os tempos. Há mais de 20 anos na estrada, é parte do que pouco se (re)conhece em termos de música argentina no Brasil além de Carlos Gardel.

Considerados a maior banda de punk rock latino-americano, estiveram no Brasil no final do ano passado, depois de um bom tempo sem visitar as terras vizinhas. Porém, sua identificação com o Brasil vai além de concertos, uma vez que gravaram Roberto Carlos ("Amigo"), Pato Fu ("Porque te vas"), Legião Urbana - "Perfeição", disponível no video abaixo, de uma apresentação na TV Cultura - e até mesmo Lilian ("Sou Rebelde"), famosa cantora da Jovem Guarda.

Garimpando, encontramos a seguinte entrevista com a banda, dada ao "Portal do Rock" em 2000, demonstrando o respeito e a admiração que eles têm por público e músicos brasileiros.

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Portal do Rock: O que o Attaque pensa do Rock Brasileiro, quais as bandas preferidas?

A77aque: Acredito que o Rock brasileiro tem sua levada própria, com muitas bandas boas, sendo que a que mais gosto é a Legião Urbana, que para mim é um clássico do Rock latino americano. Falando especificamente de bandas punks, ouvimos muito as bandas Cólera, Olho Seco e Garotos Podres.

Portal do Rock: Por que o Video Clip "NO ME ARREPIENTO DE ESTE AMOR", que foi um sucesso em vários locais de America Latina não teve entrada no Brasil? Não se vê este vídeo clip nunca na MTV brasileira. Como é o relacionamento do Attaque com a mídia Brasileira?

A77aque: Este clip foi mesmo um sucesso em vários países da América Latina. Ocorre que para se fazer um bom trabalho de divulgação no Brasil precisa-se ter alguém trabalhando integralmente no Brasil, promovendo a banda, fazendo os contatos, falando com as pessoas. Não se pode esperar que basta apenas enviar uma cópia do clip à MTV e o clip irá ao ar. Por outro lado, acredito que a MTV brasileira tem sua própria identidade e interesses bem definidos. Existe uma característica e um padrão que marcam a MTV brasileira e talvez bandas como o Attaque não estejam abrangidas neste quadro. Mas acreditamos que o Attaque ainda tem muito que trabalhar no Brasil. Fizemos alguns shows aqui que foram muito bons. Mas estamos vindo de uma turnê muito cansativa e desgastante. São 45 dias de turnê pelo mundo, com shows dia sim, dia não. Queremos voltar ao Brasil com mais tempo e fazer shows em várias cidades brasileiras. Queremos tocar em todos os lugares do Brasil. Temos certeza que podemos dar muito mais do que demos nos shows que fizemos aqui.

Portal do Rock: Você tem mais alguma coisa que gostaria de dizer aos fans do Attaque e aos leitores doPortal do Rock?

A77aque: Gostaria de agradecer ao Portal do Rock por esta oportunidade. Esta foi a principal entrevista que demos no Brasil. Sei que esta parceria ainda vai crescer muito.

domingo, 6 de março de 2011

Isso é Jornalismo! (32)

Uma excelente dica é que se acompanhe o site "Brazucas no Mundo": brasileiros que moram em quaisquer países estrangeiros são convidados a hospedarem seus textos no portal. Cada país tem sua própria página e, assim, encontramos o "Brazucas na Argentina".

São textos variados: encontra-se desde blogs de fotografia a guias turísticos especiais para crianças. De modo geral, os brasileiros contam suas impressões e vivências no país vizinho. E a imensa maioria é positiva.

Postaremos a seguir o texto "Entre Sambas e Milongas", escrito por Monica Ramalho e publicado no final de fevereiro no blog "Caixinha de Música":


A afinidade entre as músicas brasileira e argentina é antiga. Quem não lembra de Mercedes Sosa combinando sons com a rapaziada do Clube da Esquina? Ou da parceria entre Herbert Vianna e Fito Paez? Bem, há mais uma dupla na mesma seara, formada pelo saxofonista, flautista e compositor brasileiro Mário Sève e pela cantora e compositora argentina Cecilia Stanzione.

Os dois se apresentam na Sala Baden Powell, em Copacabana, no próximo dia 25. No roteiro, sambas, milongas, boleros e zambas de própria autoria, como “Piedra o barrilete”, “Rueda gigante” e “Canción necesaria”, gravada originalmente por Carol Saboya. O público também vai conhecer uma versão de Cecilia, em castelhano e ainda inédita, para “Filosofia”, clássico de Noel Rosa.

“Cecilia é uma grande poetisa e dona de uma das vozes mais lindas que já ouvi… Uma cantora intensa como fazia tempo não escutava”, derrete-se o parceiro, músico da banda de Paulinho de Viola e integrante do quinteto Aquarela Carioca e do conjunto de choro Nó em Pingo D´Água. Trocamos uma ideia com Cecilia Stanzione para saber o que pensa sobre viver e trabalhar em terras (e praias) cariocas. E é bom avisar: o primeiro disco da dupla já está a caminho!

CAIXINHA DE MÚSICA – Há quanto tempo você está morando no Rio de Janeiro? Qual bairro escolheu para viver? O que mais gosta da cidade?
CECILIA STANZIONE – Estou morando no Rio há um ano e meio. Escolhi Ipanema porque queria ficar perto da praia. Gosto de muitas coisas desta cidade. A simpatia e solidaridade do povo brasileiro me fazem muito feliz e é o que eu quero para a vida da minha filha Maia, que vai fazer 7 anos em abril.

CAIXINHA – O que acha que as músicas brasileira e argentina têm em comum? Que músicos nossos você imagina que agradariam os seus compatriotas?
CECILIA – A duas músicas têm, realmente, muito a ver. O choro, embora não seja muito conhecido lá, está bem proximo do tango nas melodias e no fraseado. Os músicos brasileiros são referências para quem vive de música na Argentina e no resto do mundo. Acredito que existem vários músicos daqui que deveriam ser mais conhecidos no meu país, como o Paulinho da Viola. Quem gosta de samba – e quem não gosta? – tem de ouvi-lo!

CAIXINHA – Conta um pouco sobre o trabalho que você está criando com Mário Sève, um de nossos brilhantes instrumentistas.
CECILIA - O trabalho com o Mário comecou por essas coisas da vida e da realidade virtual que estamos vivendo. A gente fez muitas músicas juntos antes do encontro ao vivo. Tudo através da Internet. Isso deu como resultado um disco que eu adoro porque acho muito inspirado, com letras minhas e músicas dele. É um disco de canções. Dessas canções fáceis de ouvir, que batem antes no coração. A música do Mário é muito rica, mas também tem esse jeito clássico e não pretencioso que acho fundamental.

mario-e-ceciliaCAIXINHA – Como vocês combinam as canções dos dois países no roteiro? Qual é o critério: sonoridade, mensagem, intuição?
CECILIA – O roteiro vai misturando músicas de ambos os países, dando prioridade às semelhanças. Minhas letras em espanhol, feitas especialmente para as bossas, os sambas e os tangos do Mário, que é carioca, fazem acreditar na música como uma linguagem universal mesmo. A sonoridade é simples: bem acústica, com o violão argentino do Rene Rossano e piano e acordeão do Gabriel Gestzi. Mario toca sopros e eu canto e toco alguns instrumentos de percussão.

CAIXINHA – Você é muito conhecida na Argentina. Como está sendo, de certa forma, recomeçar em outro país?
CECILIA – É duro, mas gosto de desafios e os procuro constantemente. Claro que tería sido mais fácil, num certo sentido, ficar lá, trabalhando na TV e nos teatros e fazendo gravações na minha língua natal.Mas quando comecei a viajar pelo Brasil, senti que deveria passar um tempo aqui, cumprir uma etapa. E acredite que não me arrependo.

CAIXINHA – Pode adiantar para nós algo do repertório e falar da banda e do clima do show que vocês vão fazer dia 25 de fevereiro na Sala Baden Powell? E depois, o que podemos esperar dessa dupla?
CECILIA - Haverá canções tradicionais da Argentina e do Brasil, e também de outros países latinoamericanos, como Peru. Será um encontro intimista e tranquilo. Sempre gostei de fazer música usando os silêncios, além dos instrumentos e da voz. O Mário é dos poucos que entendem esse meu estilo. Por enquanto está certo o nosso show em Copacabana. Depois vamos lançar o disco “Cancion necesaria”, mas ainda não temos nada marcado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Isso é Jornalismo! (27)

Fito Paez, excelente artista argentino já outrora mencionado no blog, fez shows em São Paulo no final de setembro, participando do festival "Sonidos".

No dia 20, a Folha de S. Paulo publicou interessante matéria sobre o músico. Paez deu importantes declarações sobre diversos assuntos, desde a política argentina ("algo anda muito errado no sistema educacional e na nossa sociedade") até o cenário musical uruguaio ("Algumas coisas deles me entusiasmam").

Mas um dos trechos mais notáveis foi quando Paez analisou a situação da música estrangeira no Brasil:

O mais provável é que o fato de o Brasil ter se tornado uma potência musical do século 20, ao inventar a bossa nova e o tropicalismo, tenha gerado um autoabastecimento de ideias. Uma sensação de que não é necessário ouvir coisas de fora. Há uma fortaleza no Brasil que examina de outra forma o que chega de fora.

Apenas analisando o termo "de fora", poderíamos dizer que Paez equivocou-se. Porém, estamos falando da música latino-americana.

Infelizmente, a penetração é pouquíssima. Como a própria matéria salienta, "Mercedes Sosa e Astor Piazzolla só conseguiram emplacar aqui porque se aproximaram de artistas brasileiros". Já dissemos uma vez e podemos repetir: é muito fácil reclamar dos que pensam que o Brasil "é só carnaval e futebol".

sábado, 24 de julho de 2010

Duetos (24)

Aproveitando o link com o infeliz comentário da revista Veja no post anterior, vemos mais uma demonstração de como não, de modo nenhum "nada do que vem do Brasil tem valor para os argentinos".

Notícia recente, publicada essa semana no Estado de S. Paulo.

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Os argentinos possuem uma relação de intensa admiração por Vinícius de Moraes - mais do que um visitante, o poeta é considerado um "portenho honorário". Não por acaso "Nuestro Vinicius" foi o título escolhido pela especialista em literatura Liana Wenner para relatar a presença do poeta em terras portenhas. "Cresci ouvindo na casa de meus pais um velho long play do show de La Fusa. Achava fascinante a forma de expressar a alegria e a liberdade dos brasileiros", explica Liana. O livro, da editora Sudamericana, será lançado amanhã.

"Vinicius veio em agosto de 1968 para ser a ponta de lança de uma intensa campanha dos exportadores brasileiros de café, que queriam divulgar o produto na Argentina contra seus principais concorrentes, os colombianos, que também faziam uma agressiva divulgação. A delegação brasileira era um luxo", diz Liana Wenner, relembrando os demais integrantes do grupo: "Dorival Caymmi, o Quarteto em Cy, Baden Powell e Oscar Castro Neves".

A primeira apresentação, no dia 18, começou às oito e meia da noite. Duas horas depois, o show havia terminado, mas o público não queria sair. Do lado de fora, na avenida Corrientes, mais de 3 mil pessoas pretendiam entrar para o segundo show.

No meio dessa "noite mágica", como define Liana no livro, Pelé, que participava de um amistoso contra o River Plate, apareceu na porta. Minutos depois, estava em cima do palco. O público aplaudia freneticamente. Segundo a autora, "Baden começou a improvisar uma batida de samba ao estilo Pixinguinha. Vinicius aproximou-se para abraçar o jogador. Pelé começou a chorar como um garoto."


terça-feira, 25 de maio de 2010

Duetos (20)


Esse vídeo faz parte de uma série de homenagens feitas às "Mães da Praça de Maio", famosas no mundo todo por sua luta. São mulheres que perderam seu filhos (oficialmente mortos ou desaparecidos) durante o período de 1976 a 1983, a ditadura argentina.

Nesse projeto, "Homenaje a las Madres de Plaza de Mayo", participaram os mais diversos artistas das mais diversas partes do mundo: além de vários argentinos (como Fito Páez), tivemos Sting, da banda "The Police", e Bono, do "U2". E também dois grandes brasileiros: Chico Buarque e Caetano Veloso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Isso é Jornalismo! (20)


Às vezes a Rede Globo de Televisão acerta, e não há porquê não mencionarmos isso. Um exemplo muito positivo por parte da emissora aconteceu na última sexta-feira, durante o Jornal Hoje.

Primeiramente, a emissora exibiu uma reportagem (que você verá a seguir), e depois promoveu um bate-papo com o autor da matéria, Carlos de Lannoy.

Já no video, que é um interessante panorama da vida em Buenos Aires, houve uma clara distinção entre futebol e dia-a-dia, e o jornalista afirmou que "os brasileiros são muito bem recebidos" por lá.

Mazelas e qualidades foram igualmente focadas, o que nos leva a perguntar: por que o editorial da emissora não é sempre assim?

Na conversa com os espectadores (é possível ver três exemplos clicando na imagem acima), as pessoas deviam enviar perguntas ao convidado e uma moderadora lia as mesmas para o jornalista, que dava sua resposta - por telefone. Em seguida, um resumo de questão e afirmação eram mostradas no painel.

Uma pergunta que chamou atenção foi sobre a música, coisa que já comentamos aqui e aqui. Mais uma demonstração de como a falta de conhecimento é a contribuição maior para o preconceito.

Mas aquela que, claro, não poderia faltar, foi a sobre a visão do Brasil e dos brasileiros pelos argentinos.

Lannoy respondeu da seguinte maneira: "olha, por aqui eles gostam muito dos brasileiros; eles têm bastante familiaridade com o nosso país, gostam das praias, da cultura, e somos muito bem recebidos. Logicamente, há alguns casos de discriminação, mas eles são bastante específicos, e não correspondem ao valor geral, que é muito positivo".