Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Isso é Jornalismo! (73)

É preciso reconhecer quando é feito correto

A história do "Não sabem perder" é uma das verdades perpetradas pela imprensa e torcida brasileiras com relação aos argentinos.

Porém, quando há autoridades envolvidas, estas sabem de sua responsabilidade. E o delegado responsável pela detenção de torcedores argentinos e brasileiros após Corinthians X Rosário Central foi taxativo:

"Os corinthianos estão detidos pela provocação do tumulto, eles iniciaram a confusão. A Polícia Militar tentou deixar que esse confronto generalizado não ocorresse. Tem dois policiais machucados, que passarão por exame de corpo e delito. Requisitamos todas as imagens para entender o que aconteceu e punir os torcedores. Todos responderão por provocação de tumulto", disse.

"A dinâmica dos fatos foi que os corinthianos iniciaram a provocação, os torcedores do Rosario Central foram responder, estavam exaltados por conta da derrota. Houve arremesso de algumas grades e foi necessária a intervenção da polícia, onde houve o confronto entre os policiais militares e a torcida do Rosario Central"

Parabéns à Radio Itatiaia por apurar e elucidar os fatos.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Isso é Jornalismo? (63)

Muito foi dito sobre a saída de Neymar do Barcelona. A crônica esportiva se dividiu em 'ganacioso' e 'alguém que busca um sonho'.

Praticamente todos falaram em 'sair da sombra' de Messi, pois o jogador argentino é, ao mesmo tempo, superior ao brasileiro e mais adaptado/idolatrado na Catalunha.

Mas o ''jornalista'' brasileiro Ricardo Jordão Magalhães -- que se gaba por ter mais de 33 mil comentários em seu blog -- foi além e percebeu que o verdadeiro motivo para Neymar sair do Barça é... racismo.

Ficando no Barcelona, os caras sempre vão dar um jeito de deixar o Neymar em segundo ou terceiro lugar.

O Neymar pisou na bola com o Barcelona? Nem a pau! Veja uma coisa…

O Instagram do Neymar tem 73 milhões de seguidores. O Instagram do Messi tem 72 milhões de seguidores.

No Instagram do Neymar você encontra várias fotos do Messi.


postagem de Messi no aniversário de Neymar
Sabe quantas fotos do Neymar você encontra no Instagram do Messi?

ZERO! NENHUMA!

O Messi nunca publicou uma foto do Neymar no Instagram dele. Nunca.

E olha que o Nessi [sic] publica trocentas fotos com uns zé manés que nem você sabem quem são. 

Não é estranho que o cara nunca publicou uma foto do principal colega de trabalho??? As pessoas não abandonam os seus empregos por causa de dinheiro. As pessoas abandonam por causa do chefe, dos colegas, etc.

Eu imagino que para esse povo do Barcelona, o Neymar – neguinho, brasileiro e pagodeiro – é um “zeca do terceiro mundo que temos que ter aqui porque ele traz público, joga bem, faz gols, mas que não necessariamente é um igual a nós. Amigos são amigos, negócios são negócios.”

Desnecessário falar sobre a teoria da conspiração. Mas vale a menção ao 'instagram do Messi'.

Além do post de aniversário [imagem acima], foram várias fotos ao longo dos 4 anos como parceiros. Principalmente, no dia do anúncio da saída do brasileiro, Messi postou uma retrospectiva de imagens com Neymar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Isso é Jornalismo? (62)

Um dos exemplos mais claros e irrefutáveis de como a imprensa brasileira -- e, em especial, a Rede Globo -- trata o assunto "Argentina" e "argentinos" da forma mais enviesada e até certo ponto maldosa.

Estampava a home do portal Globo Esporte a foto abaixo:

  Quais "torcedores"? Ah, tá... só podiam ser argentinos!
À primeira vista, obviamente todo mundo iria concluir que se trata de uma "conduta" da torcida argentina, e que a Conmebol, por sua proximidade com a AFA, precisou intervir, correto?

Não é bem assim...

Seguem dois trechos esclarecedores (a matéria original pode ser lida aqui):

"No último dia 4, a Fifa anunciou punições a 11 federações nacionais, incluindo a CBF, multada em R$ 71,7 mil pela conduta de torcedores na partida entre Brasil e Colômbia, em 6 de setembro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Houve gritos homofóbicos  no confronto contra os colombianos, na Arena da Amazônia, em Manaus."

"A punição mais pesada foi para o Chile, reincidente em manifestações homofóbicas da torcida. Já sancionada pela Fifa anteriormente, a seleção não poderá disputar o duelo contra a Venezuela, no dia 28 de março de 2017, no Estádio Nacional de Santiago, sua casa tradicional. Além disso, terá que pagar multa de 65 mil francos suíços (R$ 233 mil)."

Mas, afinal, se são 11 seleções, incluindo a brasileira, e a "pior punição" foi para os chilenos, por que o site estampou uma foto de torcedores argentinos?!

domingo, 15 de junho de 2014

Raça X Nacionalidade (82)

Dissertação de Mestrado de Ismael Pfeifer, publicado em 2008 pela Faculdade Cásper Líbero, cujo título é "OS MEIOS E AS MEDIAÇÕES NA  RIVALIDADE BRASIL­-ARGENTINA: Um estudo sobre a estigmatização da imagem do país vizinho na comunicação brasileira" (clique aqui para ler a versão completa em pdf).

Consideramos esta uma obra definitiva.

Um trecho:

"O  objetivo  deste  estudo  foi desde o  princípio  analisar,  à  luz  de estudos da Comunicação voltados às Mediações e à Análise do Discurso, de que maneira foi constituída  pelos  brasileiros a imagem  negativa da  Argentina  e  dos  argentinos  e  como  a  mídia  participou da transmissão histórica  dessa estigmatização,  principalmente  nos  dois  últimos  séculos (...) A partir desses pressupostos, que definem o escopo pelo qual esses estudos trafegaram, pode­-se dizer (...) que  a mídia brasileira  atuou  como  instrumento  de  reforço  e  legitimação dos estereótipos que estruturam hoje a visão que a maioria absoluta dos brasileiros tem dos argentinos."

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Isso é Jornalismo! (60)

Próximos de mais uma Copa do Mundo, vale mencionar mais um belo trabalho - na verdade, um compilado ainda maior do que outros que já havíamos citado - que conta com a participação o sociólogo brasileiro Ronaldo Helal.

"Observamos que a “implicância” brasileira é maior do que a argentina. Chamou-nos a atenção as provocações explícitas, muita vezes carregadas de “preconceitos”, nas reportagens e colunas de O Globo. (...) Arriscamos uma outra hipótese, a de que "talvez nós precisemos mais 'deles'" para marcar nossa alteridade que “eles” de nós”. E esta “necessidade” pode ser devida ao fato de que a ideia de “nação brasileira” foi “construída" em grande parte por meio do futebol enquanto que na Argentina o “nacional” já existia antes do futebol, principalmente por meio das escolas públicas. Certamente o futebol contribuiu para reforçar sentimentos nacionalistas, mas estes já existiam aqui antes do seu surgimento."

Aproveitamos, também, para indicar mais um excepcional livro lançado recentemente pelo autor.

domingo, 25 de maio de 2014

Isso é Jornalismo? (54)

Matéria publicada na página Convergência Digital, hospedada no UOL tem o seguinte título: "Argentina rouba mercado brasileiro na América Latina".

O texto, como era de se prever, não fala de roubo algum, e sim da ineficiência do governo brasileiro em selar acordos referentes à tecnologia.

As escolhas lexicais dizem mais sobre os jornalistas do que sobre o fato em si.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Isso é Jornalismo? (53)

Mais uma vez um clube argentino superou uma equipe brasileira na Libertadores da América. A superioridade histórica dos argentinos no referido torneio é facilmente constatada TANTO em números absolutos (títulos, aproveitamento em finais, etc) QUANTO em confrontos diretos: foram 13 finais entre times dos dois países, e em nada menos que 9 delas os vencedores foram os vizinhos. Os números vão se refletir iguais quando se tratar de confrontos eliminatórios, como foi o caso da partida de ontem [quartas-de-final].

Como conviver com isso e seguir afirmando a máxima "país do futebol" - afinal, a superioridade que se verifica no número de títulos de Copas do Mundo não aparece em praticamente em mais nenhum outro comparativo que se faça entre outros países amantes do futebol e dedicados ao desporto (e aqui não se quer afirmar que a Alemanha, a Argentina, a Itália ou a Espanha SEJAM de fato o "país do futebol")?

Alguns personagens da imprensa brasileira sabem o que fazer.

O "jornalista" Ricardo Perrone resolveu manipular alguns dados e acabar com 31 edições de Libertadores ao afirmar que "nos últimos 23 anos o incrível baile que o futebol brasileiro deu na América do Sul através da Libertadores". Perrone afirma: "desde 1991, fomos a todas as semifinais. Nestas 24 edições de Libertadores mais recentes, fomos as semi em 23. Vencemos 12. Fomos a 19 finais."

Desinformação.

Em outra matéria, Perrone faz uma análise do jogo em si, e nela afirma: "Em momento algum nos 2 jogos o San Lorenzo quis jogar bola. Argentinos quase nunca querem jogar bola." Depois, escreve: "[os argentinoa] Tem “sangue de barata”, talvez pelo parentesco, enfim". Mais adiante, outra pérola: "Fair Play é algo que demonstra lealdade no esporte. Fair Play contra argentino é atestado de otário em quase todas as oportunidades".

Piadinhas sem graça.

Após as matérias a respeito do duelo da Libertadores, ficamos curiosos sobre quão honestas - no sentido de serem sinceras, de realmente representarem o "pensamento" do Sr. Perrone - seriam essas frases e fomos procurar entender melhor. Em seu perfil no site, ele afirma: "Sobre pontos corridos você sabe o que penso. Sobre o Rio, a Argentina e o pênalti de domingo, idem. Suficiente para me odiar ou adorar."

Afinal, o que ele pensa sobre a Argentina?

Eis que chegamos ao post "Papo Reto: Argentina", de 13 de junho de 2010, portanto, feito pensando na última Copa do Mundo. Afirmações do sr. Perrone:

- "80% das coisas que digo da Argentina são pra cutucar"
- "Acha que eu trato a Argentina diferente do que as demais seleções? Tens razão. Trato mesmo. Primeiro com ironia, por mero gosto pela piada. Segundo porque eu realmente acho que a grandeza deles é menor do que pintam por aqui."
- "Eu acho, de verdade, o futebol argentino forte. Só que forte naquele patamar deles, não no nosso."
- "Venceu uma Copa da forma mais nojenta que existe, que é comprar um adversário. Caso contrário, todos sabem, não venceria. E com isso, lembrem-se, nos tiraram da final."
- "Pra mim, não se comparam ao nosso futebol de forma alguma. Pra eles, são até melhores."

Por enquanto, apenas futebol. Mas Perrone faz questão de dizer que sabe diferenciar as duas coisas.

- "Eu ODEIO a argentina no futebol, não tenho nada contra as pessoas de lá, o país, a bandeira, o tango, a picanha, nada!"
- "O que eu tenho de sério contra eles é simples: Não gosto de racismo (...) Tá explicado? Acho que sim."

Então está explicado! Grande Perrone! Ele não gosta de racismo, que cara idealista!

Já falamos de Perrone aqui no blog, outra vez: foi no post "Muito Além do Futebol... (50)", onde comentamos, além das famigeradas definições do "jornalista" (sempre entre aspas) sobre o futebol argentino, a postura patética por ele adotada ao comentar o caso de homofobia com o jogador Michael dos Santos. Com aquele post EXTREMAMENTE PRECONCEITUOSO, Perrone conseguiu mais gente que não gostasse dele - e gente que provavelmente nem saiba de suas opiniões sobre a Argentina.

Outra curiosidade: ao citar "o racismo deles" como motivo sério para não gostar de argentinos, ficamos sem entender o post "Não somos racistas" -- mesmo nome do livro do Diretor de jornalismo da Rede Globo --, escrito por Perrone recentemente, falando sobre os ocorridos com Tinga e Arouca. Palavras do próprio: "Cinco! São no máximo cinco! Estamos falando de “racismo no futebol brasileiro” porque cinco caras, provavelmente imbecis completos, chamaram alguém de macaco. Não há uma dose de exagero nisso, não?".

Ele continua sua defesa: "Será que não há uma confusão entre o que houve no Peru e os casos isolados no Brasil? (...) Porque cinco pessoas num país que dentro do futebol convive muito bem com a diferença de raças, tornam o meio do futebol racista? (...) Tenho pena de argentinos e peruanos capazes de fazer uma manifestação dessas coletivamente. Isso sim é de se preocupar. Aqueles 5 idiotas em meio a, sei lá, 30 mil pessoas, não me causam qualquer vontade de debater o tema".

É isso! Brilhante! Perrone afirma que os brasileiros NÃO SÃO RACISTAS, que os peruanos e argentinos, sim, SÃO, que aqui tudo não passa de CASOS ISOLADOS, enquanto que lá é ATAQUE COLETIVO.

Tem como levar a sério?

Em resumo, Rica Perrone está para a Argentina assim como Flávio Gomes está para Ayrton Senna (entenda clicando aqui): em poucas palavras, são dois jornalistas que fizeram fama na internet com MUITO desrepeito às vozes discordantes e que adotaram uma postura: criaram um alvo predileto e o atacam, alegando estarem sendo imparciais, a fim de polemizar, gerar mais pageviews e cliques. Além disso, buscam dados e estatísticas para "comprovar" suas ideias e tratam por "teoria da conspiração" ou "inveja" tudo aquilo que seja dito em contestação às verdades criadas por eles.

São 2 idiotas em meio a, sei lá, 30 mil pessoas.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Isso é Jornalismo? (52)

O garotinho da foto ao lado tem 10 anos de idade e se diz torcedor da Ponte Preta. Seu nome é Henrique Cubero Regi. Veste a camisa do Chelsea FC, da Inglaterra, e já está colecionando o álbum da Copa do Mundo, como se vê. Na imagem, temos as páginas onde está localizada a seleção da Argentina. Não é photoshop: as figurinhas dos jogadores foram coladas de cabeça para baixo.

Henrique afirma que fez isso somente com os argentinos, porque quer "secá-los" para eles "se darem mal no mundial": "Eu estou torcendo para eles caírem logo na primeira fase. Mas se passarem, que pelo menos não deem trabalho para o Brasil conquistar o hexa".

Você deve estar se perguntando: "pô, nada a ver o blog falar disso, é algo completamente irrelevante."

E você está certo! Mas, acredite ou não, essa "notícia" foi destaque no GloboEsporte.com. Manchete: "Anti-hermanos cola argentinos de ponta-cabeça no álbum para dar azar"

quarta-feira, 12 de março de 2014

Isso é Jornalismo! (57)

Redação Sportv, edição de 12 de março de 2014. Vale acompanhar o momento em que se debateu o preconceito racial:


Frase de Dudu Nobre, convidado do programa:

- O Brasil é um país racista. Depois de mais de 100 anos da abolição da escravatura, você vê que agora é que se está se começando a falar sobre igualdade. Graças à música, eu consegui ascender socialmente. Mas tem lugares onde o único "pretinho" sou eu.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Isso é Jornalismo! (56)

Interessante texto publicado na Carta Capital falando sobre as investigações do período ditatorial no Brasil e na Argentina.

//

Comissões da Verdade e punição: por que os resultados são tão diferentes?

Está na hora de mudar aceitar o padrão internacional de punição das violações dos direitos humanos e de rever a Lei da Anistia
Por Leonardo Avritzer
A morte do ex-ditador argentino Rafael Videla na prisão na semana passada tornou relevante responder mais uma vez algumas perguntas: por que o Brasil é tão diferente da Argentina no que diz respeito à punição das violações dos direitos humanos? Por que a nossa comissão da verdade tem resultados tão tímidos depois de um ano de funcionamento? Por que no Brasil ninguém ainda foi punido por crimes cometidos durante o período autoritário?
Neste artigo tentarei responder a estas questões.
Os regimes autoritários do Cone Sul foram muito semelhantes, na maneira como eles chegaram ao poder e muito diferentes na maneira como eles realizaram as transições para a democracia.
Todos os regimes autoritários do Cone Sul chegaram ao poder violando as regras da democracia e derrubando governos legitimamente eleitos. Ainda assim o autoritarismo variou em intensidade e isso influenciou nas transições. O Brasil, como sabemos, teve uma transição para a democracia pactada entre o regime autoritário e a oposição e a lei da anistia foi parte da transição pactada.
A anistia no Brasil foi, ao mesmo tempo, reivindicação da sociedade civil e negociação entre o regime autoritário e a oposição. Ao ser aprovada pelo Congresso Nacional ela permitiu o retorno dos exilados e a liberação de presos políticos.
A Argentina viveu um processo muito diferente. Em primeiro lugar, a dimensão do terror foi diferente e ele terminou com a morte de quase todos os desaparecidos. Mas a grande diferença entre a Argentina e o Brasil foi o colapso do regime autoritário argentino depois da guerra das Malvinas. Ele permitiu uma transição rápida pelo qual a auto-anistia concedida pelos militares foi revogada quase que imediatamente pelo governo Afonsin. Foi este ato que permitiu o julgamento dos principais membros das juntas militares, sua condenação e a anulação em 2010 da anistia aos militares decretada pelo governo Menem.
Não vou aqui afirmar que se fez justiça na Argentina, uma vez que a justiça é um conceito complexo e sabemos que muitos violadores de direitos humanos não foram punidos. Mas afirmaria que a sociedade argentina acertou contas com o seu passado e hoje é um país no qual os direitos humanos são profundamente respeitados.
Assim, se pensamos as diferenças entre os dois países, podemos localizá-las em dois pontos: a natureza da transição e a forma da anistia. Podemos apontar que a transição pactada brasileira retirou a punição das violações dos direitos humanos da nossa pauta política. Este é o motivo pelo qual não houve no Brasil punição de torturadores, julgamentos de militares. Tudo o que tivemos foi a indenização dos presos e perseguidos pelo governo na boa tradição brasileira de pactuação entre as elites com responsabilização única do estado.
O Estado é responsável pelo autoritarismo mas, ao que parece, os indivíduos não são.  No que diz respeito à anistia, é possível afirmar que no Brasil ela expressa tanto elementos das reivindicações da sociedade civil quanto também a vontade do regime de auto-anistiar os seus membros.
Neste sentido, a anistia brasileira teve um componente societário que não podemos negar. No entanto, é importante entender que a anistia brasileira expressou uma correlação de forças entre o campo democrático e o regime autoritário naquele momento, em 1979.
Neste sentido, foi possível naquele momento.
Não existe nenhum motivo para mantê-la e, especialmente, não existe nenhum motivo para manter a impunidade dos membros do regime autoritário que foi imposta à sociedade civil brasileira naquele momento.
Está na hora de mudar esta tradição, aceitar o padrão internacional de punição das violações dos direitos humanos e de rever a lei da anistia.
Este ato poderá integrar o Brasil no rol das nações que punem violações dos direitos humanos no passado, para que seja possível puni-las no presente.
Os dois temas anteriores nos trazem ao tema da avaliação da comissão da verdade. As comissões da verdade que tem origem na Argentina e na África do Sul são importantes no sentido de revelar para a cidadania dos seus países os crimes cometidos durante os regimes autoritários.
É sabido que os aparatos de repressão dos regimes autoritários agiram, quase sempre, em uma zona cinzenta impossível de ser conhecida durante o próprio autoritarismo. Os detalhes sobre os desaparecidos na Argentina ou no Brasil, ou sobre estruturas específicas da repressão políticas só são completamente apreendidos pelos trabalhos de uma comissão da verdade.
O Brasil, neste aspecto, está atrás de quase todos os países latino-americanos.
A criação tardia de uma comissão da verdade está relacionada à tradição política de pacto entre as elites que regeu a democratização brasileira. Ainda assim, a atual correlação de forças no país gerou uma comissão da verdade que pode desempenhar dois papéis: em primeiro lugar, ela pode realizar um acerto de contas mínimo com o passado ao revelar o paradeiro de pessoas desaparecidas e a situação a que foram submetidos os presos políticos no Brasil.
Em segundo lugar, ela pode reintroduzir o debate sobre o pesado legado do autoritarismo para a sociedade brasileira chamando a atenção sobre a impunidade na sociedade brasileira sobre como foi feita a transição política no país.
Em ambos os casos, há um conceito de verdade a ser explorado: aquela na qual a verdade é resultado de um debate na esfera pública. É exatamente neste aspecto que a comissão da verdade está deixando a desejar. Até Paulo Sérgio Pinheiro assumir sua coordenação, a comissão da verdade não se preocupou em se expressar publicamente. Agora que ela está se expressando, tem se mostrado pouco preparada para a empreitada.
De um lado, é verdade que o seu regimento não deixa espaço para uma ação mais incisiva.  Assim, é fundamental este momento em que a comissão da verdade vai a público no Brasil. É ele que decidirá o conceito público de verdade, aquele que a opinião pública brasileira terá acerca do que passou no nosso país entre 1964 e 1985.
O engajamento dos seus integrantes e da opinião pública neste debate poderá decidir a visão que a população terá sobreo  autoritarismo e a democracia no Brasil.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Raça X Nacionalidade (72)

No futebol, há dois tipos de manifestações de preconceito: uma, aquela que ocorre dentro de campo, e muitas vezes não se tem provas, salvo em casos onde há flagrante via áudio ou video. Importante lembrar que tais ofensas não se restringem à cor da pele, mas muitas vezes se dão com relação ao local de nascimento, à descendência ou também quanto à condição sexual.

O outro tipo de ofensa ocorre por parte de torcedores, seja por gestos isolados - atirar uma banana no campo, por exemplo - ou coletivos, como cânticos organizados.

Tanto uma quanto outra manifestações têm sido vistas nos últimos tempos de forma constante e irrestrita: acontecem várias vezes num ano, e em diversos países.

Não há racismo ou discriminação "menos pior", mas certamente aquela que vem de torcedores é mais contundente pois: 1) o ato deixa de ser individualizado; 2) não há qualquer desculpa ou justificativa como o famigerado "calor do momento", etc.

Na última quarta-feira, em jogo Real Garcilaso X Cruzeiro, válido pela Libertadores da América, o jogador Paulo César Nascimento, mais conhecido como "Tinga", foi ofendido por torcedores da equipe rival: os peruanos imitavam um som de macaco cada vez que Tinga pegava na bola.


Uma atitude PODRE. Ridícula, lamentável e completamente condenável. Personalidades do futebol e fora dele prestaram apoio a Tinga.

Chama atenção, no entanto, que na maioria das coberturas do fato, o ato dos peruanos foi lançado como sendo um erro dos locais, dando-lhes a pecha de racistas, etc, como já muito discutimos aqui: situações semelhantes ocorreram, como dissemos, no Paraguai, na França, na Espanha, na Rússia, na Argentina, etc.

Mais intrigante, porém, é que essa não é a primeira vez que a referida situação, ipsis litteris, ocorre com o próprio Tinga: e a primeira não foi no Peru.

Dos veículos com bom alcance que noticiaram o caso no peru, somente o SPORTV (clique aqui para ver matéria do SPORTVNEWS) e o Terra (leia aqui o texto do portal) relembraram a situação ocorrida em Caxias do Sul-RS, em outubro de 2005.

Abaixo, uma fotocópia da súmula do árbitro na partida Juventude X Internacional, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2005:


Esqueçamos: racismo não é coisa de peruano. Nem de gaúcho. Nem de espanhol. Nem de argentino. De nenhum país ou povo.

É coisa nossa.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Isso é Jornalismo! (55)

Uma coisa que algumas vezes já salientamos por aqui é o desinteresse (num misto de ignorância e desprezo) dos brasileiros em relação à América Latina, por muitos chamadas de América Espanhola, inclusive. O desconhecimento se dá nas áreas da cultura, especialmente. Mas não somente.

Abaixo, o artigo escrito por Wagner Iglecias e publicado no blog Carta Maior fala um pouco sobre "O que o brasileiro médio sabe sobre a América Latina?"

O que o brasileiro médio sabe da América Latina?

A elite brasileira há muito tempo tem parte nessa nossa ignorância sobre a vizinhança. A escola e a imprensa também tem sua responsabilidade por isso.

No ofício de professor universitário e ligado a um programa de pós-graduação sobre Integração da América Latina sempre que posso recomendo à garotada de graduação que assim que tiverem tempo e algum dinheiro metam uma mochila nas costas e saiam pelo nosso continente.

Nunca vi nenhuma pesquisa sobre o que e o quanto de América Latina o brasileiro médio sabe. Mas posso apostar que é muito pouco. Provavelmente menos até do que nossos vizinhos conhecem sobre o nosso país. E de maneira ainda mais superficial. E isso é sim um problema. Num mundo globalizado e dividido em grandes blocos como hoje, nada mais estratégico do que a aproximação com as nações com as quais um país tem identidades históricas, geográficas, culturais e econômicas.

Suponho que os séculos em que América hispânica e a América lusitana estiveram mutuamente de costas uma para a outra colaboraram para nossa ignorância sobre o que se passa aqui pertinho da gente.

Aliás o próprio termo América Latina é invenção forânea, européia. Coisa de franceses, no início do século XIX. Dizem que Napoleão III desejava assenhorar-se desta parte do mundo recém-liberto do jugo espanhol e português. Queria impedir que a Inglaterra, anglo-saxônica, o fizesse. Daí o recurso napoleônico à nossa latinidade em comum, entre nossos jovens países desta parte do mundo com a França. 

Mas bote-se aspas nesse “em comum”, já que naquela altura do campeonato por essas bandas talvez só a pequena elite branca descendente de espanhóis e portugueses tivesse alguma identidade cultural e linguística com a nobreza europeía. De resto, éramos nações predominantemente indígenas, negras ou mestiças. 

A França, a bem da verdade, chegou até a emplacar um governo no México já independente. Botou no poder Maximiliano de Habsburgo, um nobre austríaco, que governou aquele país entre 1864 e 1867, mas que acabou deposto e assassinado por nacionalistas mexicanos. Foi um projeto frustrado, e quem na verdade conseguiu levar a América Latina para sua área de influência foi a Inglaterra, e, mais tarde, os EUA. 

A elite brasileira, portanto, há muito tempo tem parte nessa nossa ignorância sobre a vizinhança. Mas para além de séculos de História olhando pro Atlântico e de costas para a América Latina, nossa escola e nossa imprensa também têm suas parcelas no desconhecimento quase completo que o brasileiro médio tem sobre nossos vizinhos. É pouquíssimo o que se ensina sobre América Latina para nossas crianças e adolescentes. Provavelmente o assunto mais abordado seja a Guerra do Paraguai, sempre naquela versão oficial de que Solano Lopez era um terrível ditador que pôs em risco a soberania de três jovens nações democráticas como Argentina, Brasil e Uruguai.

Heróis de esquerda ou de direita da libertação da América Latina, como San Martin, Sucre, Hidalgo, Artigas, O´Higgins ou Simón Bolívar, provavelmente jamais foram citados na maioria das nossas escolas. Bolívar, aliás, que mais do que um brilhante militar foi um pensador com sólida formação intelectual, passa inclusive em brancas nuvens em muitos cursos de Ciência Política das universidades brasileiras, os mesmos nos quais Jay, Madison e Hamilton, pais fundadores dos EUA, são leitura obrigatória. 

E a imprensa? Quantos correspondentes do jornalismo pátrio temos na América Latina? Muito poucos. Dizem que no passado foram até mais, não sei. Quais os temas historicamente recorrentes nas nossas tevês, revistas e jornais sobre nossos vizinhos? Copa Libertadores da América de futebol, crise econômica argentina, o regime cubano, o comércio popular na fronteira paraguaia, o tráfico de drogas, a Copa do Mundo de 1970 no México...e vamos parando por aí. O brasileiro médio conhece quais personagens latino-americanos? Maradona, Fidel Castro, Hugo Chávez e o Cháves, do SBT. E tirando este último, provavelmente odeia os outros três.

Fato é que não sabemos quase nada da região do mundo na qual estamos inseridos. Nossa elite branca e endinheirada sempre olhou para a Europa (primeiro Lisboa, depois Paris e Londres), e de algumas décadas pra cá tem Nova York e Miami como parâmetros. Não que as elites argentina, venezuelana ou mexicana, ou qualquer outra, sejam muito diferentes. Mas enfim, nossa elite tem como modelo os países ricos, e nutre ódio mortal por Cuba e seu regime socialista.

Detesta também governos de esquerda mais recentes da região, como nos casos de Venezuela e Argentina. Os termos venezuelização e argentinização, cada vez mais usados em nosso país, que o digam. Nossa elite talvez até nutra alguma simpatia pelo uruguaio Mujica, que apesar de esquerdista tem sua agenda liberal de governo, calcada em direitos civis como união homoafetiva e legalização da maconha. E nossa elite não tem formação e informação suficientes para compreender outros governos de esquerda do continente, como a Bolívia ou o Equador. Na dúvida, porém, dá-lhe adjetivos como populistas e caudilhos a quaisquer governantes nacionalistas que surjam na vizinhança.

Para a grande maioria de nós, brasileiros, seja nossa elite, seja o cidadão médio influenciado por ela, países como a Bolívia e o Peru são no máximo destinos turísticos exóticos. Colômbia e Venezuela, para além dos estereótipos propagados na imprensa, seriam apenas rota de passagem nas viagens aos EUA. O Equador e os países da América Central são tão conhecidos entre nós quanto a Tailândia, Moçambique ou a Bulgária. E o que dizer de Guiana e Suriname, que a rigor não são latino-americanos culturalmente falando, mas que se proclamam cada vez mais sul-americanos? Bem, para o brasileiro médio talvez a Guiana e o Suriname sejam tão familiares quanto Netuno e Plutão. É uma pena!

(*) Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Isso é Jornalismo! (54)

A matéria abaixo foi publicada pelo jornal Clarín no último sábado, 18. O texto é de autoria de Soledad Domínguez, argentina e que sempre viajou ao Brasil e hoje reside no país. O texto aponta diferenças importantes entre as duas nações e seus povos, mas, antes disso, é uma declaração de amor.

Una argentina en Río: la fantasía de vivir en el país del “tudo bem”

Desinhibidos. Muchos argentinos sienten que en Brasil existe un ambiente donde el afecto surge a flor de piel, las apariencias importan menos, la gente se arriesga a lo espontáneo y la música es diálogo. Qué hay de cierto y qué de mito en estas sensaciones.
Soledad Domínguez mora no Rio de Janeiro, atualmente
Mi decisión de vivir en Río de Janeiro nació con música. Cuando tenía entre siete y diez años escuchaba canciones de Chico Buarque, Elis Regina, Vinícius de Moraes y otros grandes. Sus voces me acompañaban en los viajes en auto que hacía con mis padres y mi hermana a Florianópolis. Quizás influyó también el mar de Brasil, no tan frío como el de Villa Gesell, las curvas constantes del camino, los morros verdes y las lluvias abundantes que Elis Regina y Tom Jobim celebran en Águas de Março: É a chuva chovendo/ É um pingo pingando/ É uma prata brilhando/ É a luz da manhã/ Fechando o verão (“la lluvia lloviendo/ la gota goteando/la plata brillando/ la luz de la mañana/ cerrando el verano”). Pronto me daría cuenta de que el tema iba más allá de la música y de la geografía. Yo percibía en Brasil una manera de ser espontánea que se conectaba mejor con mi interior. Por momentos sentía que ese modo diferente de estar en el mundo caracterizaba también al idioma. Todavía recuerdo la primera vez que escuché hablar en portugués. Yo estaba medio dormida mientras mis padres averiguaban, en forzado portuñol, si había lugar para alojarnos en una posada. Cuando el dueño respondió me pareció reconocer una sonoridad que, no sé por qué, asocié al francés que había estudiado en el colegio. Y en este caso con el agregado de cadencias rítmicas que despertaron en mí un amor a primera vista.
En viajes posteriores mi otra gran sorpresa tuvo que ver con las playas. Observé que ahí las brasileñas podían ser gordas, voluptuosas, con o sin celulitis, y que los brasileños podían ser barrigones, calvos o lo que fuera, pero que ninguna de esas condiciones físicas resultaba molesta para nadie. En todos los casos hombres y mujeres se exhibían tranquilos ya sea en biquinis mínimas o en las clásicas sungas masculinas.
No tenían vergüenza de mostrar sus cuerpos. Los adultos que me rodeaban decían que esa era una diferencia marcada con los argentinos, más recatados, siempre en shorts y hasta con mallas enterizas. Un verano, ya en plena adolescencia, compré un vestido tejido a mano. Era colorido, corto y entallado y me acompañó en toda mi juventud. Pero el vestido estuvo casi todo el tiempo colgado en el placar. Cada vez que lo veía me parecía exótico, lindo, sensual… Pero aunque tuviera muchas ganas de usarlo no me animaba en la Argentina. Me lo ponía solamente cuando me sentía segura en la informalidad de la tierra brasileña.
De regreso a Buenos Aires fui incorporando ese estilo relajado a mi cotidianidad. Lo primero que se me ocurrió fue experimentar con las danzas y me inscribí en un curso de ritmos afrobrasileños. A cada compás de percusión sentía que conectaba la música con mi cuerpo.
Al principio intentaba seguir los pasos de mi profesor bahiano –alto, moreno y con una paciencia de oro– pero mis pies sólo reproducían una secuencia de torpezas que, de a poco, fueron cediendo a movimientos más armónicos. Y cuando me olvidé de seguirlo solté por fin las caderas al son del quiebre y requiebre de los tambores de la gran banda Olodum y su alegría contagiosa.
Olodum tá hippie, Olodum tá pop/ Olodum tá reggae/ Olodum tá rock/ O Olodum pirou de vez (Olodum está hippie, Olodum está pop, Olodum está reggae, Olodum está rock, Olodum enloqueció).
Pasado un tiempo empecé a ampliar mis conocimientos sobre el país vecino. Uno de los libros que especialmente me marcó entonces fueRaíces de Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, que me acercó a una comprensión de los procesos de formación social. Y fue a partir de otras lecturas que conocí mejor una cultura que ya me estaba tomando por completo. Después de años de hablar el idioma y acumular datos y vivencias tomé una decisión: me postulé a una beca de posgrado para una especialización en Humanidades en América del Sur. Elegí como opción de lugar la ciudad de Río de Janeiro, gané la beca y me animé a dar el paso. Desembarqué en Río en 2005, comenzando así lo que llamo la etapa carioca de mi vida adulta. Poco a poco fui descubriendo similitudes y diferencias entre la realidad y la fantasía que había construido con los años. No llegué a Brasil con expectativas claras. Pero sí con la convicción de que nada podía salir mal en el país del tudo bem.
Soledad ao lado da irmã, em Florianópolis, no início dos anos 90.
Durante los primeros meses me mudé de casa cinco veces en una ciudad superpoblada donde los exigentes requisitos para alquiler de vivienda no son fáciles. Eso no era todo. También me la pasaba haciendo colas para tramitar la visa de estudiante junto a chinos, estadounidenses y colombianos. Supe así hasta qué punto era extranjera en mi Brasil querido. A eso se sumó la demora del depósito del dinero de mi beca que no llegaba por cuestiones administrativas. A mis preguntas en la Facultad, la respuesta era calma: “Está todo bien, no se preocupe, seguro que llegará a tiempo”. Reacciones de ese tipo me sonaban exageradamente optimistas. Parecía que todo iba a resolverse por obra y gracia de voluntades bien intencionadas. Pero la realidad no es así, pensaba yo con mi mente argentina. A esa altura empecé a desconfiar del tudo bem . Sin embargo, percibí luego que esas expresiones componen una forma particular de encarar los hechos sin dramatismo. Es lo que también me enseñó una sabia canción de Iván Lins.
Já tivemos muitos desenganos/ Já tivemos muito que chorar/ Mas agora acho que chegou/ a hora de fazer valer o dito popular/ Desesperar jamais (Ya tuvimos muchos desencantos/ ya tuvimos mucho que llorar/ Por eso llegó el tiempo de volver al dicho popular/ Desesperar jamás). El descubrimiento me ayudó a aliviar preocupaciones. También aprendí a escuchar al otro evitando la confrontación. Nunca vi en Brasil fuertes discusiones sobre política en las reuniones sociales. Los desacuerdos se expresan pero sin la vehemencia que observo en Buenos Aires. Las novedades sobre el dólar, la inflación, la política o el fútbol aparecen en la Argentina de manera recurrente y agotadora. No digo que Brasil se mantenga al margen de esas cuestiones. Pero todo sucede con un énfasis menos marcado.
El optimismo y la alegría me acompañaron desde que llegué. Fueron visibles por ejemplo en el trato amigable de mis compañeros de la universidad. Ellos me hicieron sentir confianza desde el primer contacto físico, tan usual en Brasil, que consiste en dar y recibir dos besos y un abrazo. Debo aclarar que esa intimidad no necesariamente significa compromiso verdadero. Se trata más bien de una calidez que se refleja incluso en los diminutivos cariñosos que se usan para nombrar a las personas. Yo siempre fui Sol (difícilmente Soledad) así como algunas compañeras son llamadas Paulinha (nunca Paula) o Gigi (nunca Gizella). Pude sentir esa proximidad, también, al experimentar el estilo frontal de los cariocas a la hora de acercarse a una mujer. Más de una vez, en una fiesta, me han tomado de la mano o de la cintura para bailar. Casi sin palabras. En esos casos, la mirada o un ligero gesto alcanzan. No obstante confieso que extraño a veces el galanteo discursivo y los gestos de caballerosidad de los argentinos.
Existe un lugar donde me reencuentro con mis ideales de un Brasil abierto y tropical. Me refiero a las playas cariocas, principalmente Ipanema. Es ahí, junto a sombrillas rojas y bebiendo caipirinha de fruta preparada al instante, donde disuelvo tensiones. Desde que vivo en Río pude entender mejor la naturalidad brasileña tan mentada por mis padres.
Hasta mi cuerpo se expresa de una manera más desinhibida. Y eso, como he dicho, nada tiene que ver con trajes de baño pequeños y exuberancia de contornos. Es algo más ligado a una actitud de comodidad y soltura al andar que también adopté. Aclaro que eso, por ejemplo en la mujer, no significa mostrar todo ni ser presa fácil, una imagen estereotipada de las brasileñas en el exterior que me molesta bastante. Sí noto un culto al cuerpo y su cuidado. En cualquier caso se mantiene una actitud razonablemente pudorosa. Por mencionar un ejemplo, nunca había visto hacer topless en el país de la supuesta desinhibición. Hace algún tiempo, un grupo de mujeres realizó en Ipanema lo que se llamó toplessazo , una acción favorable a la naturalización de esa práctica en las playas. Acudí a la convocatoria pero no estuve cómoda. Si bien no me quité la parte de arriba de la biquini, me sentí de algún modo manoseada por un ejército de ojos curiosos, fotógrafos y camarógrafos que registraban unos pocos pechos al descubierto como si fueran rarezas secretas y justificadamente prohibidas. A ese hecho se sumaron algunos comentarios agresivos que me hicieron entender que el topless no es tan natural en Brasil como sin duda lo es en Europa.
La sensualidad corporal es sólo una parte del carnaval de Río. No todo pasa por el sambódromo . De hecho la gran fiesta se da en las calles de los barrios que convocan a la gente a cantar y a bailar con los disfraces más diversos: antenas de neón, pelucas enruladas, tutú y vinchas coloridas.
Bastó ver a mis amigos disfrazados de bebés, corneta en mano, para atesorar el más lindo recuerdo que tengo de la celebración mayor. Ahí resulta suficiente saltar al ritmo de tradicionales canciones populares como mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar , evocando a la Carmen Miranda de los años ‘40. Esa alegría, cabe añadir, ayuda a amortiguar el efecto innegable de la suciedad y los olores que quedan en las calles después del miércoles de ceniza. En el Río de postal tampoco se ven las sombras de la pobreza. Pero la desigualdad social es notoria. Recuerdo que un día caminaba por la calle Barão da Torre, en Ipanema, y vi una entrada lateral a la favela del morro de Cantagalo. Observé ahí cómo, por un sendero de barro, la gente subía y bajaba en medio de una aglomeración de casas precarias. Pobreza y opulencia en la misma cuadra. Y casi nadie parecía extrañarse.
Durante todo este tiempo tuve muchas idas y vueltas entre Buenos Aires y Río de Janeiro. Por ahora, soy carioca. Hace cuatro años hice la experiencia de vivir en Porto Alegre, un punto intermedio. Allá los inviernos son duros y los gaúchos se parecen más a los argentinos. Percibí que soy poco tolerante a los días nublados y que el frío es una sensación térmica que ya perdí. Y algo más. Descubrí que me identifico más con el bullicio de Río. Es una especie de música que me hace sentir acompañada aún estando en casa. La informalidad de “aquel abrazo” apretado de Gilberto Gil O Rio de Janeiro continua lindo/ O Rio de Janeiro continua sendo la llevo conmigo en cada viaje a Buenos Aires, donde siempre me quedo esperando el segundo beso en la otra mejilla.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Isso é Jornalismo? (50)

Na última semana, em São Paulo, aconteceu um torneio Challenger (algo como uma competição classificatória) de tênis. O brasileiro Guilherme Clezar e o argentino Guido Pella se enfrentaram.

Aconteceram algumas coisas: o jogo foi muito disputado; chegou a ser interrompido por falta de luz natural; o jogador brasileiro não gostou de uma marcação do juiz quando a partida já estava no tie-break do terceiro set, gritou e disse palavrões em espanhol; o jogador argentino foi embora de quadra sem cumprimentar o atleta brasileiro; o atleta argentino foi muito vaiado/xingado e mandou "beijinhos" à torcida.

Na matéria do SPORTV, que pode ser vista na íntegra aqui, vê-se os gritos de Clezar e a reação de Pella, ao final.

A chamada destaca: "Brasileiro grita com árbitro e argentino não o cumprimenta". O texto conta que "[Guilherme Clezar] perdeu a cabeça ao se irritar com a marcação da arbitragem. Clezar gritou e esbravejou em quadra, e daí para frente não acertou mais". Sobre o argentino, diz: "Ao invés de cumprimentar o adversário, (...) Pella só agradeceu o juiz e saiu da quadra mandando beijinhos para a torcida, obviamente sob vaias."

O enfoque dado pelo portal Terra, no entanto, foi totalmente diferente. Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

A manchete destaca: "Argentino elimina Clezar, provoca torcida e sai vaiado de quadra"

O texto em NENHUM MOMENTO cita a atitude do brasileiro; pelo contrário, fala que o jogador pediu atendimento médico - o que de fato aconteceu - e que ISSO IRRITOU o argentino: "antes de disputar o desempate, Guilherme Clezar pediu atendimento médico e acabou irritando o adversário. Com a retomada do jogo, Guido Pella foi implacável, garantiu a vitória e não quis sequer cumprimentar o brasileiro, deixando a quadra vaiado pela torcida."

Afinal, o que irritou o argentino? O brasileiro ter sido atendido pelo médico ou os xingamentos e gritos do jogador brazuca?

Quem sabe, o SPORTV (que tem aqui nosso reconhecimento pela maneira lúcida e imparcial como a matéria foi conduzida) e o Terra (que, uma vez mais, ao se dedicar a falar sobre tudo acaba trazendo notícias sem esclarecer fatos) viram duas partidas diferentes...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Isso é Jornalismo? (49)

O fato é um só, mas foi desdobrado em duas notícias.

A primeira: "Jornal inglês escolhe Messi como o melhor do mundo em 2013; Neymar é o 6º". Trata-se da lista elaborada pelo The Guardian. Legal. Essa "eleição" saiu no último dia 24 e foi relativamente bem divulgada. Bom para o Brasil, ter um atleta entre os 6 melhores do mundo, mostrando que ele está no caminho certo.

Porém, um dia depois, o mesmo portal do link acima dá novo destaque à referida lista, com outro enfoque, agora: "Brasil supera Argentina em lista de melhores do mundo de jornal inglês". Repetindo: é o mesmo jornal, a mesma lista, a mesma notícia de um dia antes.

Mas alguém foi lá e resolveu contar os 100 "eleitos" e notou que os três países com mais representantes são a Espanha (16), o Brasil (11) e a Argentina (8). [Importante que Diego Costa foi contabilizado como brasileiro, na versão do UOL, e a rádio CBN foi outro veículo a reproduzir a matéria].

Portanto, ainda que não seja o número 1, o Brasil está na frente da Argentina.

O texto tem um momento bastante hilário: "Mesmo com poucos nomes presentes na lista, a Argentina não fica muito atrás e mais uma vez tem Messi encabeçando o ranking do jornal.". Tão contraditório que nem merece comentário. Um típico exemplo do jornalismo receita de bolo.

Ou então, um presente de Natal para a nação: "superamos" a Argentina, afinal.

Quer orgulho maior?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Isso é Jornalismo? (48)

Maradona assinou um contrato com a empresa esportiva Puma. Isso é um fato. Dentre os clubes e seleções que têm seu material fabricado pela marca, está a equipe iraniana. Isso é outro fato. Maradona é o responsável pela apresentação do uniforme a ser utilizado na Copa do Mundo. Isso é um terceiro fato.

Aí, sabendo que a seleção iraniana enfrentará a argentina na fase de grupos da próxima copa, e ainda mais com o recente histórico de ofensas a Messi por parte de alguns iranianos, o "Lance!" (e o Terra reproduziu-a na íntegra) faz uma matéria tosca, aludindo a um suposto "virar casaca": citam que, no contrato, "Maradona deve vestir a camisa da seleção iraniana contra a Argentina" (sendo que, uma vez que se trata de uma proposta feita ANTES do sorteio, a solicitação se referia a UTILIZAR A CAMISA num jogo da Copa).

Caso não vista a camisa na referida ocasião, Maradona "receberá menos": isso mesmo, não haverá qualquer tipo de quebra de contrato ou semelhante: simplesmente, já que terá participado de menos eventos, o pagamento será num valor menor.

A matéria, no fim, utiliza uma linguagem que só deve figurar em veículos de opinião: "E agora, Don Diego?".

Pura pegação no pé, birra. Nada de jornalismo.

PS: sobre Maradona e camisas de outras seleções, vale relembrar esta postagem aqui.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Duetos (66)

Durante a primeira semana de novembro, a cidade de Uberlândia-MG sediou a I Semana Internacional de Comunicação. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas aqui.

"Vai ter argentino falando 'uai'"
Chamou bastante atenção o slogan do evento e a imagem de divulgação (ver acima): vários profissionais e estudantes dos dois países se reuniram e fizeram um trabalho de qualidade.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Raça X Nacionalidade (67)

Em reta final de Eliminatórias para a Copa do Mundo, diversas seleções estão finalmente conseguindo uma vaga no torneio que acontecerá no Brasil, ano que vem.

Para celebrar a vinda ao país, diversas tem sido as manchetes de jornais e sites. O periódico crooata "24 Sata" - uma espécie de MEIA HORA no Brasil -  optou por fazer uma referência às brasileiras (imagem abaixo) e estampou a frase "Aqui Estamos".

Capa do Jornal croata, comemorando classificação à Copa do Mundo
De fato, trata-se de uma imagem bastante estereotipada, aludindo às mulheres (e às praias, ao carnaval, etc). O mais interessante, porém, foi ver a divulgaçsão que essa notícia teve no Brasil.

O site GloboEsporte.com foi o único grande portal a repercutir a capa e, surpreendentemente, foi sensato ao descrevê-la.

Primeiro, ao usar a expressão "não fugiu do estereótipo" ao invés de atacar falando em "preconceito". Depois, ao citar a opinião de dois jornalistas da emissora: André Lofredo (já mencionado por nós aqui) falou que o país contribui para que tal imagem seja disseminada: "Não é culpa só do estrangeiro. A gente vende muita coisa para fora."

Já Fábio Seixas opinou a respeito do que o próprio país e sua imprensa fazem quando se trata dos outros:  "Quando fomos à África do Sul, lembramos demais do racismo, coisas tribais."

Tanto uma quanto outra afirmação estão corretas: o Brasil vende (muitas vezes literalmente) a imagem de samba-praia-bunda-futebol-bebida, e é responsável por estereotipar nacionalidades, não raro de modo até mais grosseiro.

Chama atenção, porém, ver a forma como a crítica/piada quando é vinda de um argentino se torna uma situação tensa, como se estivéssemos tratando de um atentado racista e um ataque que "exige uma resposta imediata".

Isso ficou claro, por exemplo, na repercussão do episódio de "Os Simpsons", quando a família vem ao Brasil: o capítulo do seriado, bastante ofensivo, gerou menos revolta que a crítica de uma jornalista argentina, comentando o mesmo. Relembre a situação clicando aqui.

Em setembro desse ano, a Argentina conseguiu sua classificação para a Copa. E no dia seguinte o famoso jornal "Olé" estampou em sua capa: "Garotas, aí vamos nós!".

Capa do Jornal argentino, comemorando a classificação à Copa do Mundo
Isso foi tema de diversas reportagens em diversos veículos da emissora (apareceu até no Jornal Nacional!) e não teve, EM NENHUM MOMENTO, uma ponderação ou análise mais fria como as de Lofredo e Seixas.

O portal Terra foi uma das raras vozes sensatas: "Apesar de, por aqui, a rivalidade entre os dois países ser bastante alimentada, por lá os argentinos preferem limitar as picuinhas no âmbito esportivo. Não é difícil ouvir um argentino, por exemplo, elogiando os atributos das mulheres brasileiras - às quais se referem como "garotas", uma palavra que não existe em espanhol."

Deixamos como sugestão o comentário do jornalista André Henning, do Esporte Interativo: é assim que a tal "rivalidade" deve ser levada: com humor, e SEM TRANSFERIR o que acontece nos campos para a vida real.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Isso é Jornalismo! (53)

É antiga, mas vale à pena: no final de 2011, o Brasil ascendia à sexta colocação no ranking das economias mundiais. Como os argentinos lidaram com essa notícia?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Isso é Jornalismo? (45)

Mais uma polêmica envolvendo clubes brasileiros e argentinos! E, novamente, na Copa Sul-Americana  - mesma competição que foi "palco" dos lamentáveis episódios de Arsenal X Atlético-MG e São Paulo X Tigre, ano passado.

Mas dessa vez não foi por brigas dentro de campo, "catimba" ou confusões com a polícia. O jogo, na verdade, foi bastante tranquilo - e com futebol de baixa qualidade.

Matéria do GloboEsporte.com, da filial "EPTV" (Campinas e região): "Vélez não se vira para bandeira brasileira e irrita torcedores da Ponte"

O texto - e isso fica muito claro ao ler - é vazio em si mesmo, quase sem razão de ser feito, e acaba por contradizer-se.

A manchete, é claro, chama bastante a atenção: afinal, é uma chance e tanto de atrair cliques e views para a página do GE, fomentando a rivalidade entre os dois países, afirmando que "os argentinos" desrespeitaram "nossa" bandeira, pátria, hino...

O problema, mais uma vez, é que a própria matéria não consegue se sustentar: "trio de arbitragem também não se vira para a bandeira", diz a "gravata" do texto. Em nenhum momento do texto se fala da nacionalidade do juiz da partida e seus assistentes (eles são uruguaios, aliás), mas pondera: "(...) tal protocolo não precisa necessariamente ser seguido por estrangeiros - até porque, é bom ressaltar, apenas o hino do Brasil foi tocado, devido a uma lei estadual."

Pronto, o texto já perdeu sua razão de ser.

Mais adiante, lê-se: "A atitude [dos jogadores do Vélez] revoltou uma parte da torcida da Macaca, que passou a vaiar a atitude dos argentinos, mas foi logo abafada pela outra parte dos torcedores, que passou a cantar o hino nacional."

De novo, parece coisa de uma minoria, que quer achar um motivo para externar seu preconceito e seu ranço diante dos atletas do país vizinho.

foto (de qualidade muito ruim) que ilustra a matéria

Como não poderia deixar de ser, a pior parte veio nos comentários (parece que as pessoas tem uma espécie de fetiche por destilar ofensas e inverdades, carregadas de preconceito, sabendo do "anonimato" garantido pela internet):

Dom Fafito8 horas atrás
O negócio é bater de frente também e de agora em diante não respeitar mais caralha de argentina.... E fazer questão de dizer o motivo pelo qual está agindo dessa forma...
Egrojoleba9 horas atrás
falta de educação? isso é típico dos argentinos...
Marcelo Cesar7 horas atrás
Argentinos tem que cheirar em baixo dos braços dos brasileiros. Bando de invejosos e arrogantes. Nunca vão dar uma dentro contra o Brasil.
Sandra Silva8 horas atrás
pra que esperar educação de um argentino?
Ezequiel8 horas atrás
argentino é assim mesmo. chucros
Joaão Padilha8 horas atrás
depois eu falo q não gosto de argentino e é perseguição!!!
Ivens Rocha35 minutos atrás
Essa é fácil fácil de resolver. Façam o mesmo ou pior quando chegar a vez deles. Não sei porque ainda se discute isso. Sabemos da falta de caráter de argentinos, haja visto que o maior ídolo deles é um drogado traficante. Portanto esperar o que?
Rosely Cavalcante4 horas atrás
Independentemente de sermos um País pobre, sem educação, trabalho, com corruptos, etc..., está se falando de Pátria e isto tem que ser respeitada, sim. É lamentável a atitude dos IDIOTAS argentinos
Heliomar Barbosa8 horas atrás
Isto não supresa ,povo de Pais pobre e sem educação.
Caldeiraria Ltda7 horas atrás
Achei uma falta de respeito muito grande ao patriotismo de nosso povo por parte dos argentinos, não devemos seguir como exemplo atitude tão infeliz. 
Cassio Ferreira5 horas atrás
E a impressa brasileira tanto escrita como falada, ainda insiste no bordão nosso "hermanos". Este povo não respeita nosso pais, não gosta da gente , e não são , fique claro , não são nssos irmãos. Vamos parar com esta idiotice de cham argentino de hermanos. É só ver em todas as esferas que este povo é arrogante, falso, e não nos respeita.

Muita gente, porém, percebeu a incoerência - e a hipocrisia - em querer transformar a situação em algo maior do que ela é:

Vicente Almeida8 horas atrás
Gente eles não são obrigados a seguir este protocolo, já imaginaram brasileiros se virando para bandeira Argentina!!!! Que falta de matéria hem!!!!!!!
Rafael Augusto8 horas atrás
Jogo internacional deveria ter os dois hinos
Roberto Frederico8 horas atrás
Nem a comissão de arbitragem virou... Falta de assunto!
Paulo Fonseca8 horas atrás
mas nao é uma competicao internacional? nao deveria tocar o hino dos 2 paises?
Carlos Bauer
8 horas atrás
Vai entender essa hipocrisia.. Povo não conhece a própria história, não tá nem aí pro que os políticos fazem em Brasília, mas veja só: se revoltam quando alguém não respeita o hino nacional. Patriotismo só na hora do futebol? Eu, antes do jogo, quando vai tocar hino, eu simplesmente troco de canal. Que venham os demagogos falarem mal. Cambada de hipócritas! São os mesmos que tentam dar uma de espertos, furando fila ou dando um galo pra escapar daquela multa! Não sou papa-pau de argentino e nem visto camisa de outro país, mas sou realista e hino não diz se somos ou não patriotas!