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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Isso é Jornalismo? (49)

O fato é um só, mas foi desdobrado em duas notícias.

A primeira: "Jornal inglês escolhe Messi como o melhor do mundo em 2013; Neymar é o 6º". Trata-se da lista elaborada pelo The Guardian. Legal. Essa "eleição" saiu no último dia 24 e foi relativamente bem divulgada. Bom para o Brasil, ter um atleta entre os 6 melhores do mundo, mostrando que ele está no caminho certo.

Porém, um dia depois, o mesmo portal do link acima dá novo destaque à referida lista, com outro enfoque, agora: "Brasil supera Argentina em lista de melhores do mundo de jornal inglês". Repetindo: é o mesmo jornal, a mesma lista, a mesma notícia de um dia antes.

Mas alguém foi lá e resolveu contar os 100 "eleitos" e notou que os três países com mais representantes são a Espanha (16), o Brasil (11) e a Argentina (8). [Importante que Diego Costa foi contabilizado como brasileiro, na versão do UOL, e a rádio CBN foi outro veículo a reproduzir a matéria].

Portanto, ainda que não seja o número 1, o Brasil está na frente da Argentina.

O texto tem um momento bastante hilário: "Mesmo com poucos nomes presentes na lista, a Argentina não fica muito atrás e mais uma vez tem Messi encabeçando o ranking do jornal.". Tão contraditório que nem merece comentário. Um típico exemplo do jornalismo receita de bolo.

Ou então, um presente de Natal para a nação: "superamos" a Argentina, afinal.

Quer orgulho maior?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Raça X Nacionalidade (37)

Algo que já mencionamos aqui no blog por diversas vezes - e somos visto como 'exagerados' ou autores de 'tempestade em copo d'água' - é que uma ação negativa por parte de um brasileiro é vista como fato isolado enquanto que a MESMA atitude por parte de argentinos é tida como sintoma. Exemplo: se um brasileiro comete racismo, ele é a exceção; se um argentino o faz, é a regra ("todos os argentinos são assim", dizem).

Coisa parecida acontece na Inglaterra com relação aos outros países (Irlanda do Norte, Gales e Escócia) integrantes do chamado Reino Unido/Grã-Bretanha: dessa vez, o tenista Andy Murray, finalista do último Grand Slam, sentiu na pele o que é esse preconceito.

E um comentário a respeito veio do grande tenista brasileiro (nascido na Argentina) Fernando Meligeni. Ele comparou a situação de Murray à que ele mesmo viveu anos atrás. O texto, "O grande desafio do Murray", foi publicado em seu blog e o reproduziremos abaixo.

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Lendo as notícias esta manha encontrei uma muito boa.

No jornal Guardian eles fazem uma pequena maldade com o Murray que eu mesmo já vivi aqui no Brasil. Na verdade antes de ser totalmente reconhecido como brasileiro eu era motivo de brincadeiras constantes. Lembro bem de uma brincadeira no casseta e planeta dizendo que quando eu ganhava era "BRASILEIRO" e quando eu perdia, o "Argentino Meligeni" perdeu seu jogo hoje.

Eu ficava puto da cara.

Não só programas de humor tiravam uma lasquinha da situação, os jornais usavam e abusavam do argentino naturalizado brasileiro quando perdia e o brasileiro por opção quando ganhava. Eu até entendia, mas eu me considerava brasileiro já naquela época e queria ser tratado assim.

Lendo a notícia do Murray nos jornais ingleses eles deixam bem claro que o ¨Briton (britânico) now faces Djokovic in the final¨. E depois do jogo... "Scot (escocês) now without a set from three grand slam finals".

Ou seja: quando vinha vencendo, era britânico; quando perdeu, 'lembraram' que ele era escocês.

Pelo visto ele vai ter que ganhar e provar para ser reconhecido por lá. Tenho que admitir que uma das minhas lutas mais duras foi essa e não adianta dar declarações bombásticas sem resultados, não adianta resultado sem mostrar o que você pensa a respeito.

Eu só posso desejar boa sorte ao britânico, ou escocês.