As publicidades continuam num tom ameno e correto na brincadeira com a rivalidade.
O nível de qualidade é que não é lá essas coisas 😂😂😂
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quarta-feira, 27 de junho de 2018
domingo, 1 de maio de 2016
Duetos (102)
Vale muito a leitura de "Rebelde, algoz inglês: Senna causou comoção maior que Maradona na Argentina".
Um trecho:
"A morte de Ayrton Senna há 22 anos ajoelhou a Argentina. Tanto quanto o Brasil. Quem lembra daquele domingo garante: Buenos Aires chorou mais sua perda no GP de San Marino que o doping de Maradona na Copa dos EUA 55 dias depois.".
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Duetos (101)
Imagem que correu o mundo na última semana: o Papa argentino e uma católica brasileira. E viva a verdadeira "rivalidade"!
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Duetos (99)
Diego Maradona, provavelmente em 1975-76, com a camisa da seleção brasileira no que aparenta ser uma festa/reunião em casa...
Boa Copa América a todos!
PS: vale relembrar esta postagem de 2010.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Muito Além do Futebol... (98)
Deu no GloboEsporte.com, hoje.
06/10/2014 07h18 - Atualizado em 06/10/2014 09h20
Diego Tardelli relata voo com rivais argentinos: "Nem olhamos na cara"
Será que os dois atletas da seleção tomaram dois aviões diferentes?
PS: Diego Tardelli tem esse nome por causa de Maradona.
06/10/2014 07h18 - Atualizado em 06/10/2014 09h20
Diego Tardelli relata voo com rivais argentinos: "Nem olhamos na cara"
(...)No voo, que saiu de São Paulo e fez escala em Dubai, totalizando mais de 24 horas de locomoção, a delegação brasileira se encontrou com integrantes da comissão técnica argentina. Estreante no duelo, Diego Tardelli já incorporou o espírito da rivalidade desde o avião.
- Algumas pessoas vieram no mesmo voo, nem olhamos na cara porque sabemos da rivalidade que há num Brasil x Argentina. Sempre vai existir.
O volante Elias foi um passageiro mais cordial. Ele confirmou a companhia dos adversários na segunda parte da viagem, de Dubai até Pequim, mas foi mais brando sobre os parceiros de avião.
- A comissão deles estava no nosso voo, mas foi super tranquilo, amigável. Na hora do jogo, nós nos esquecemos disso. (...)
Será que os dois atletas da seleção tomaram dois aviões diferentes?
PS: Diego Tardelli tem esse nome por causa de Maradona.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Off-Topic (18)
*Postagem número 500 da história do blog.
"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...
Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".
Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:
"Maradona é maior que Pelé"
A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".
Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.
Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".
Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?
Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".
De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".
Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".
"A musiquinha deles"
"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.
Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.
Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".
Melhorada?!
Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.
O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"
No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.
"Cântico ofensivo". "Música agressiva". Muitas foram as maneiras que torcedores e imprensa brasileiros descreveram o "grito de guerra" entoado pela torcida argentina durante a Copa do Mundo.
Segue a letra:
Brasil, décime que se siente / tener en casa tu papá!
Te juro, aunque pasen los años
Nunca nos vamos olvidar!
Que el Diego te gambeteó / y el Cani lo vacunó
Están llorando desde Italia hasta hoy!
A Messi lo van a ver
La Copa nos va a traer
Maradona és mas grande que Pelé!
Traduzindo livremente os versos, temos o seguinte: "Como vocês se sentem, brasileiros, recebendo na sua casa o seu chefe? Nós juramos: passe o tempo que for, nunca esqueceremos que Maradona os driblou e Caniggia fez o gol... não pararam de chorar desde então! Vocês irão ver o Messi levantando a Copa do Mundo, e Maradona é maior que Pelé".
Qual parte (ou seria toda a canção?) é realmente ofensiva, ataca a moral e a história do Brasil e seu povo?
"Chorando desde Itália até hoje"
"Chorando desde Itália até hoje"
Um trecho que demonstra um erro de interpretação é o "desde Itália...". Muitos comentários na internet, à época, davam a entender que seria uma referência à derrota da Seleção brasileira na Copa de 1982, para os italianos, episódio conhecido como "Tragédia de Sarriá" e eternizado na imagem da capa do Jornal da Tarde.
![]() |
| José Carlos Villela Jr., então com 10 anos de idade, foi símbolo da tristeza que assolou o país naquela data. |
Não, a canção não fala sobre aquele jogo: fala das oitavas-de-final da Copa de 1990, que aconteceu em território italiano, quando a seleção da Argentina eliminou o time do Brasil após vencer a partida por 1 a 0, gol marcado por Caniggia (el Cani) concluindo jogada individual de Maradona (Diego).
"Estão chorando até hoje". Sim: imprensa e torcida ainda falam da partida sem nenhum apuro dos lances e análise das qualidades individuais: fala-se tão somente da "água batizada". Fala-se que a vitória foi imerecida. Fala-se que todos os atletas foram "dopados". Fala-se que foi um roubo. Enfim...
Muito diferente das palavras do próprio jogador envolvido na situação, o lateral esquerdo Branco: "Já falei sobre isso... tomei a água e me senti muito tonto. Mas sempre reconheci, também, que a Argentina não nos eliminou por isso, e sim pela jogada genial de Maradona".
Na verdade, a seleção brasileira foi até mesmo beneficiada pela arbitragem: em chance clara de gol de Caniggia, um impedimento absolutamente inexistente foi marcado eno primeiro tempo, e a compilação abaixo mostra a total passividade do árbitro no que tange às faltas e cartões - o próprio Branco deveria ter sido expulso, após falta violenta acontecida nos acréscimos:
"Maradona é maior que Pelé"
A segunda estrofe da canção também foi muito criticada por brasileiros: "eles vêm aqui e dizem que Maradona é maior que Pelé! Como ousam?!".
Esse assunto já foi muito, muito debatido por aqui: 1) brasileiros acham inadmissível o comparativo com outro jogador -- Pelé seria um atleta absolutamente superior, muito melhor que tudo e todos -- e 2) conta-se que só e unicamente "os argentinos" acham Maradona tão bom assim.
Não vem ao caso rebater tais afirmações. Porém, vale lembrar que a resposta da torcida brasileira à canção argentina foi uma paródia de uma melodia polonesa, e conta com a seguinte letra: "Mil gols, mil gols, mil gols, mil gols... Só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador!".
Uma comovente criatividade, e tom semelhante, certo?
Mas o estranho, mesmo, foi ver a torcida brasileira citando e exaltando Pelé. Nem na música popular, muito menos nos cânticos de estádios, o nome do rei do futebol é usado. Já Maradona, é presença constante tanto no cancioneiro argentino quanto nas músicas das "hinchadas".
De repente, a mesma nação que sempre menosprezou (e continua a fazê-lo) aquele que é seu maior ícone no esporte, o usa como escudo para enfrentar as "ofensas" argentinas.Sobre esse assunto, vale ler a excelente crônica de Bob Fernandes: "Brasil despreza e não merece Pelé".
Uma segunda canção criada por torcedores brazucas durante o torneio falava de Pelé. Um trecho: "Se você é argentino, então vai tomar no cu!".
"Eles já se foram há algum tempo. Levaram para casa seus cânticos provocativos." É assim que a reportagem do 'Bom dia, Brasil' (exibida em agosto) se referiu aos torcedores argentinos e à canção 'Décime que se siente'.
Entretanto, não se tratava de uma matéria feita para lembrar a maneira que os hermanos torceram por sua seleção durante a Copa do Mundo: a produção mostrou as mais variadas paródias feitas por torcidas organizadas dos times brasileiros.
Após serem reproduzidas as versões de corinthianos, flamenguistas, gremistas e muitos outros, a apresentadora do telejornal conclui: "finalmente aquela musiquinha irritante foi melhorada aqui pelas nossas torcidas".
Melhorada?!
Depois da exibição do programa global, outras torcidas criaram suas versões. A do São Paulo Futebol Clube, por exemplo, menciona uma suposta homossexualidade de atletas que joga(ra)m pelo Corinthians.
O jornal argentino Olé também falou da nova febre nacional, com a seguinte manchete: "Agora eles gostam". O diário grafou: "o hit argentino segue tocando, mas o que mais surpreende é que está sendo cantado pelos próprios brasileiros"
No fundo, talvez a canção argentina tenha incomodado tanto o povo brasileiro porque, diferentemente do que acontece por lá, aqui não existe a cultura de se torcer pela seleção.
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domingo, 21 de setembro de 2014
Muito Além do Futebol... (97)
Excelente material publicado na "Revista de Comunicação Midiática" (UNESP), produzido por Roberta Brandalise. O título: "Rivalidade Brasil-Argentina em uma região fronteiriça: Futebol, Pelé, Maradona, Havaianas e Guaraná na televisão brasileira".
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Propagandas (69)
Diego Armando Maradona, a nova estrela da série de comerciais da rede "Bom Negócio". Confiram:
Lembrando que essa não foi a primeira vez que Maradona fez puublicidade para marcas brasileiras.
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Propagandas (67)
Novo comercial da marca Havaianas. Tema: Copa do Mundo. Personagens: Romário e Maradona.
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
Duetos (74)
Confiram a matéria "O que Maradona pensa dos jogadores brasileiros?", do portal UOL.
Como única ressalva, a frase sobre Ronaldo foi muito pontual, da época. Basta ver o relacionamento do mesmo com Diego.
Em tempo: Parabéns, UOL!
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Muito Além do Futebol... (82)
A imagem acima é de peças produzidas pela linha de camisetas de Sergio K: a ideia é "incentivar" os brasileiros a provocar os rivais. Além dos insultos a Messi e Maradona, há outras "homenageando" Balotelli, Zidane e Cristiano Ronaldo.
Segundo matéria da revista RollingStone, as mensagens presentes nas camisetas foram acusadas de serem homofóbicas ("Cristiano Ronaldo is gay", diz uma delas).
A proposta, descrita na promoção das camisetas, foi bem clara: "Que tal cutucar os argentinos com uma frase provocativa estampada numa camiseta desconfiando da masculinidade de Maradona?"
Confira reportagem da Folha de S. Paulo, sobre a infeliz campanha.
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Duetos (67)
Em entrevista ao Esporte Espetacular ontem, 15/12/2013, o atacante Diego Tardelli, do Atlético-MG, revelou que seu nome é, na verdade, uma referência a dois jogadores que brilharam na Itália nos anos 80.
O "Tardelli", apesar de parecer sobrenome, é uma homenagem ao jogador Marco Tardelli, volante italiano, ídolo na Juventus e autor de um dos gols do terceiro título da Azzurra - uma das comemorações mais lembradas da história, aliás.
Já o primeiro nome, como 90% dos Diegos nascidos na década de 80, é uma homenagem ao grande Maradona.
Quebram-se, assim, dois paradigmas: o trauma que muitos brasileiros têm daquela seleção italiana de 1982, e a "antipatia natural" que muitos admitem ter pelo argentino.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Isso é Jornalismo? (48)
Maradona assinou um contrato com a empresa esportiva Puma. Isso é um fato. Dentre os clubes e seleções que têm seu material fabricado pela marca, está a equipe iraniana. Isso é outro fato. Maradona é o responsável pela apresentação do uniforme a ser utilizado na Copa do Mundo. Isso é um terceiro fato.
Aí, sabendo que a seleção iraniana enfrentará a argentina na fase de grupos da próxima copa, e ainda mais com o recente histórico de ofensas a Messi por parte de alguns iranianos, o "Lance!" (e o Terra reproduziu-a na íntegra) faz uma matéria tosca, aludindo a um suposto "virar casaca": citam que, no contrato, "Maradona deve vestir a camisa da seleção iraniana contra a Argentina" (sendo que, uma vez que se trata de uma proposta feita ANTES do sorteio, a solicitação se referia a UTILIZAR A CAMISA num jogo da Copa).
Caso não vista a camisa na referida ocasião, Maradona "receberá menos": isso mesmo, não haverá qualquer tipo de quebra de contrato ou semelhante: simplesmente, já que terá participado de menos eventos, o pagamento será num valor menor.
A matéria, no fim, utiliza uma linguagem que só deve figurar em veículos de opinião: "E agora, Don Diego?".
Pura pegação no pé, birra. Nada de jornalismo.
PS: sobre Maradona e camisas de outras seleções, vale relembrar esta postagem aqui.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Isso é Jornalismo? (42)
A revista inglesa "World Soccer" - uma das mais renomadas publicações especializadas em futebol no mundo - fez uma eleição, convocando 73 jornalistas de um total de 42 países (com predomínio de italianos, ingleses e franceses) para selecionarem sua 'equipe ideal', com 1-4-4-2 - com exceção de atacantes, não havia restrição para as posições: bastava que fossem meias e defensores.
![]() |
| Capa da World Soccer, de Julho de 2013. |
Pelos 73 votantes, o nome que mais apareceu foi o de Franz Beckenbauer, com 68 menções; depois, pela ordem, vieram Maradona (66), Pelé (63) e Johan Cruyff (60), os únicos com 60 ou mais votos. Zinedine Zidane, Paolo Maldini, Cafu, Bobby Moore, Lionel Messi, Lev Yashin e Alfredo di Stefano foram os restantes a integrar o "TOP 11". Dentre estes, apenas Maldini (48) e Messi (46) obtiveram mais de 30 votos.
O que se vê acima é uma descrição simples dos fatos, sem emitirmos qualquer julgamento acerca da qualidade. Este blog, por exemplo, crava que Pelé provavelmente merecesse estar na primeira posição, e também entende que Messi não esteja acima de Di Stefano e Garrincha (excluído dos onze melhores, com 16 votos).
No entanto, como foi dito, trata-se de uma eleição bastante democrática (?) e que refletiu uma opinião da maioria. Interfere, também, o fato de Beckenbauer e Maradona serem uma das possíveis escolhas dentre 4 nomes, enquanto que Pelé - e Messi - disputavam apenas dois lugares - o site "Trivela", do portal UOL, atenta para esse fato sem desdenhar da publicação.
Porém, como já é de praxe, o site GloboEsporte.com fez da ironia e do desdém uma espécie de editorial. Na matéria que comenta a eleição da publicação britânica, há indignação: apenas por Pelé não ser o primeiro ou por haver três argentinos escolhidos?
O texto está disponível na íntegra no link acima, por isso vamos aqui destacar algumas passagens que mostram aquele nacionalismo rasteiro.
Comentando sobre quem foram os 'eleitores', o texto afirma: "Ao todo, foram 73 votantes, nenhum deles do Brasil, um argentino e representantes de países com pouquíssima tradição em futebol, como Índia, Macedônia, Iêmen, Estônia, Uganda, Vietnã e República Dominicana."
Podemos perceber três vacilos ao "argumento" acima apresentado.
Primeiramente, como mencionado no início da nossa postagem, foram mais de 40 os países representados. E o texto se foca em 9 deles, como a querer explicar a presença de argentinos e a não coroação do 'rei': um argentino. Ora, seria ele o responsável pela presença de Messi, Maradona e Di Stefano dentre os escolhidos?
Elimine-se, pois, a votação do "hermano" (que atende pelo nome de Rex Gowar, correspondente da agência Reuters): Messi fica com 45 votos, Diego com 65 e Di Stefano com 25. O que acontece? todos eles permanecem nas mesmas posições, 2º, 6º e 9º, respecitvamente.
Em seguida, a matéria tenta desqualificar a eleição citando os já mencionados países de Europa Oriental, África e Ásia. Com que objetivo? Ora, são países com pouquíssima tradição no futebol, não é mesmo? Logo, só fariam escolhas insanas, irrelevantes.
Note-se, pois, que o nome de Pelé aparece em 5 dos 7 (Estônia, Uganda, Índia, Macedônia e Rep. Dominicana), o de Cafu surge duas vezes (pelos jornalistas de Iêmen e Vietnã), e ainda aparecem outros 4 brazucas: Jairzinho, Roberto Carlos (duas vezes), Carlos Alberto Torres (também duas) e Nilton Santos.
Ora, talvez Pelé merecesse ficar atrás de Johan Cruyff, já que estes 5 votos são de "nações sem importância para o mundo do futebol"?
De fato, nenhum dos 73 profissionais consultados é nascido no Brasil. Porém, Tim Vickery é citado na publicação como votante "from Brazil" (conferir imagem acima). O próprio texto, em estranho momento de 'respeito' aos eleitores, faz questão de transcrever a escolha de Vickery: "O inglês Tim Vickery, correspondente da rede britânica BBC no Brasil (...) indicou quatro brasileiros e deixou Messi fora.".
Vickery não é apenas correspondente da BBC: é um assíduo participante do programa "Redação SporTV", dentre outros do canal a cabo da mesma empresa que gere o site que publicou a matéria. A opinião de Vickery, aliás, fora recentemente consultada pelo GE, quando se tentou provar que a Seleção Brasileira de 1970 era melhor que a Seleção Espanhola atual. Coincidência ou não, foi ele o que mais citou atletas oriundos do Brasil, 4 em 11.
Ironia das ironias, porém, é que o mesmo Vickery entrou em discussão acalorada com outro profissional global (Toninho Nascimento, de "O Globo") ano passado, no supramencionado programa. O motivo: enquanto Nascimento considerava uma ofensa à moral e aos bons costumes comparar Messi a Pelé, Vickery disse que, sim, os referidos camisas 10 de Brasil e Argentina podem ser comparados.
Retire-se a opinião de Vickery, portanto. Não?!
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terça-feira, 2 de julho de 2013
Duetos (56)
Ricardo Rocha, importante zagueiro na história do futebol brasileiro, é também ídolo na Argentina, e (em matéria da ESPN Brasil) revela ter o "coração dividido" nessa semifinal entre Atlético-MG e Newell's Old Boys.
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Mentor de Heinze, Guiñazu e outros, Ricardo Rocha 'pagou' até salário no Newell's
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| Ricardo Rocha e Maradona, em 1997. |
Tetracampeão mundial, Ricardo Rocha chegou ao clube de Rosário, segundo ele, para acrescentar experiência a um grupo formado por garotos e, assim, amadurecê-los na tentativa de fazer dinheiro em futuras transferências.
A aposta foi mais do que acertada.
Daquela geração que dava seus primeiros passos pelos leprosos, como são conhecidos, entre 1997 e 1998, surgiram nomes como Walter Samuel, Guiñazu, Damián Manso, Heinze e Sebá Domínguez. Ricardo Rocha era quase como um ‘pai' para todos eles. O xerife, no sentido mais afetuoso do termo. O responsável ao menos por um mês por evitar que seus salários atrasassem.
O então presidente do Newell's, Eduardo López, não era uma das figuras mais bem vistas pelos torcedores. Comandou os semifinalistas da Libertadores por quase 15 anos. Chegou ao poder em 1994 e deixou somente em 2008, acusado de ‘boicotar' as eleições no período.
Com Ricardo Rocha, no entanto, não teve problema.
Se dependesse de sua vontade, teria trazido o defensor campeão da Copa de 1994 um ano antes. Tentou mantê-lo em Rosário até 2000, mas o corpo começava a dar mostras de cansaço, a saudade bateu e o capitão foi encerrar a carreira no Flamengo.
Antes disso, um último favor.
Dono de bingos, Eduardo López enfrentava dificuldade para manter a folha do Newell's em dia. Não havia grandes nomes no elenco. Ao lado de Ricardo Rocha, a referência era o também veterano Sergio Goycochea, goleiro. Mesmo assim, faltava dinheiro em caixa para bancar o time.
O presidente rubro-negro decidiu, então, pedir a Ricardo Rocha um empréstimo. Mais ou menos 100 mil pesos - numa época em que a moeda tinha o mesmo valor que o dólar. O brasileiro aceitou e por pouco não ficou sem reaver a grana.
Na hora de cobrá-la, veio o apelo.
"Ele me devia um dinheiro, mas, quando foi me pagar, disse que estava com uma situação difícil. Falei, então: ‘Não precisa me pagar. Paga aos jogadores'. Fiz isso para ajudar o clube. Não tinham de onde tirar naquela época. Mas, no final, me pagou", relembra o ex-jogador ao ESPN.com.br.
"O grupo era muito bom. Muitos garotos mesclando com os mais experientes. No final, vários deles acabaram indo para a Europa ou para um Boca ou River da vida. Quando cheguei, estávamos lutando contra o promédio (rebaixamento) e fomos crescendo até escapar", completa.
Ricardo Rocha fala uma, duas, três vezes das saudades de Rosário. Perde a conta. Mas ele teve a chance também de trocar de cidade, se mandar para Buenos Aires e atuar no Boca Juniors de Diego Maradona, que vinha de uma passagem pelo próprio Newell's.
"Ele me queria no Boca, tinha o Caniggia também, me ligaram e tudo, mas pelo carinho que tinha da torcida do Newell's, não poderia fazer isso", afirma.
Antes mesmo de encerrar a carreira no Flamengo, o zagueiro teve o seu nome ventilado como possível coordenador da seleção no Mundial de 1998. Zico foi o escolhido. Agora ele quer saber apenas de acompanhar a decisão contra o Atlético-MG a partir de quarta-feira. "Sempre vou torcer pelo Brasil, mas nesse caso o coração fala mais alto, também vou ficar feliz com o Newell's", diz.
A aposta foi mais do que acertada.
Daquela geração que dava seus primeiros passos pelos leprosos, como são conhecidos, entre 1997 e 1998, surgiram nomes como Walter Samuel, Guiñazu, Damián Manso, Heinze e Sebá Domínguez. Ricardo Rocha era quase como um ‘pai' para todos eles. O xerife, no sentido mais afetuoso do termo. O responsável ao menos por um mês por evitar que seus salários atrasassem.
O então presidente do Newell's, Eduardo López, não era uma das figuras mais bem vistas pelos torcedores. Comandou os semifinalistas da Libertadores por quase 15 anos. Chegou ao poder em 1994 e deixou somente em 2008, acusado de ‘boicotar' as eleições no período.
Com Ricardo Rocha, no entanto, não teve problema.
Se dependesse de sua vontade, teria trazido o defensor campeão da Copa de 1994 um ano antes. Tentou mantê-lo em Rosário até 2000, mas o corpo começava a dar mostras de cansaço, a saudade bateu e o capitão foi encerrar a carreira no Flamengo.
Antes disso, um último favor.
Dono de bingos, Eduardo López enfrentava dificuldade para manter a folha do Newell's em dia. Não havia grandes nomes no elenco. Ao lado de Ricardo Rocha, a referência era o também veterano Sergio Goycochea, goleiro. Mesmo assim, faltava dinheiro em caixa para bancar o time.
O presidente rubro-negro decidiu, então, pedir a Ricardo Rocha um empréstimo. Mais ou menos 100 mil pesos - numa época em que a moeda tinha o mesmo valor que o dólar. O brasileiro aceitou e por pouco não ficou sem reaver a grana.
Na hora de cobrá-la, veio o apelo.
"Ele me devia um dinheiro, mas, quando foi me pagar, disse que estava com uma situação difícil. Falei, então: ‘Não precisa me pagar. Paga aos jogadores'. Fiz isso para ajudar o clube. Não tinham de onde tirar naquela época. Mas, no final, me pagou", relembra o ex-jogador ao ESPN.com.br.
"O grupo era muito bom. Muitos garotos mesclando com os mais experientes. No final, vários deles acabaram indo para a Europa ou para um Boca ou River da vida. Quando cheguei, estávamos lutando contra o promédio (rebaixamento) e fomos crescendo até escapar", completa.
Ricardo Rocha fala uma, duas, três vezes das saudades de Rosário. Perde a conta. Mas ele teve a chance também de trocar de cidade, se mandar para Buenos Aires e atuar no Boca Juniors de Diego Maradona, que vinha de uma passagem pelo próprio Newell's.
"Ele me queria no Boca, tinha o Caniggia também, me ligaram e tudo, mas pelo carinho que tinha da torcida do Newell's, não poderia fazer isso", afirma.
Antes mesmo de encerrar a carreira no Flamengo, o zagueiro teve o seu nome ventilado como possível coordenador da seleção no Mundial de 1998. Zico foi o escolhido. Agora ele quer saber apenas de acompanhar a decisão contra o Atlético-MG a partir de quarta-feira. "Sempre vou torcer pelo Brasil, mas nesse caso o coração fala mais alto, também vou ficar feliz com o Newell's", diz.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Isso é Jornalismo? (41)
Notícia bombástica do dia dos namorados: "Lionel Messi está sendo acusado de sonegação fiscal na Espanha". A acusação fala sobre valores de direitos de imagem recebidos entre 2006 e 2009.
Também uma notícia, a defesa de Messi: "Nunca cometemos infrações. Sempre cumprimos completamente as nossas
obrigações fiscais".
O devido processo correrá, e vamos aguardar para ver o desfecho dessa história.
Acontece, porém, que a nossa "grande mídia", e uma empresa em especial, é master em distorcer e omitir fatos à revelia: o que for conveniente, seja falso, verdadeiro ou "pela metade", será usado.
Matéria de hoje, no famigerado GloboEsporte.com, tem a seguinte manchete: "Messi entra para lista que conta com nomes como Figo, Maradona e Eto'o". ("Poxa, que bacana!, seria algo relacionado a "ídolos do Barça"?) E a 'gravata' do texto diz: "Acusado de sonegação, craque do Barça é mais um a entrar na mira do fisco"
Maradona, sempre ele: só que o grandioso ídolo argentino já foi absolvido (!!!).
Mas nesse caso nem é esse o problema.
Mas nesse caso nem é esse o problema.
Além dos três nomes citados acima, o texto inclui os tenistas Boris Becker e Arantxa Sánchez, e ainda o pai (!?!) de Steffi Graff.
Se o propósito era mencionar futebolistas envolvidos com sonegação, e ainda houve espaço para citar atletas 'de outros esportes', por que nenhuma menção a brasileiros? "Nenhum brasileiro envolvido em qualquer coisa semelhante. Muito bom saber disso!".
Seria cômico se não fosse trágico.
Poderíamos aqui falar sobre outros casos relacionados a desvios de dinheiro ou evasão de divisas (e nisso teríamos pelo menos dois casos do exemplar Pelé e outro do tricampeão mundial 'de outro esporte' Nelson Piquet), mas já que a matéria se foca em "problemas com a receita" e "futebol", vamos também manter o foco.
Dois grandes ídolos brasileiros do esporte bretão se envolveram nas mesmas situações.
O primeiro foi o maior artilheiro da história do Maracanã.
Arthur Antunes Coimbra, o Zico, passou por fato semelhante quando foi jogar na Udinese, Itália: Contra Zico, pesaram duas acusações: sonegação de impostos e constituição ilícita de
capital no exterior. O "Galinho" teve de pagar 600 mil liras à justiça italiana. Inclusive, a transferência do jogador à
Udinese foi investigada (contrato subfaturado).
Zico foi absolvido, sim. Três anos depois.
O outro caso, esse mais recente, envolve o maior artilheiro da história das Copas.
Não se trata do terreno que Ronaldo Luiz Nazário de Lima, o "Fenômeno", comprou e teve problemas com aluguéis não pagos e construções ilegais. Trata-se de parte de uma ilha em Angra dos Reis em que Ronaldo não pagou o chamado "Laudêmio" (imposto que se paga à União pela ocupação de um terreno), de valor de R$ 500 mil.
O ex-jogador foi autuado pelo Fisco Previdenciário na 4ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro.
Por que Zico não foi citado? Seria até mesmo interessante, falando que o brasileiro foi absolvido, que provou-se inocente.
Já sobre Ronaldo, não há dúvidas do porquê:
Em tempo: A empresa referida também tem suas dívidas - e que dívidas! - com o fisco.
Em tempo: A empresa referida também tem suas dívidas - e que dívidas! - com o fisco.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Muito Além do Futebol... (67)
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Zico
sexta-feira, 15 de março de 2013
Raça X Nacionalidade (60)
Existe um programa de TV (na Bandeirantes) chamado "Mulheres Ricas" -- uma espécie de Big Brother Brasil mostrando a vida real de um determinado grupo de 'socialites'. Desse 'seriado', talvez o maior expoente seja "Val Marchiori" (nome 'artístico' de Valdirene Aparecida Marchiori).
Marchiori - além de seu "show" na Band - é bastante conhecida na internet: sua página no twitter possui aproximadamente 125 mil seguidores, e seu perfil no Facebook (aparentemente extinto) tem mais de 25 mil "curtidores". Mais importante que tudo isso, porém, ela administra um blog associado à Revista Veja.
Qualquer que seja sua opinião a respeito, não se pode negar que se trata de alguém com uma relativa e relevante notoriedade.
Isso posto, vejamos a declaração dada por Marchiori no último dia 13, repercutida inclusive pela Folha de S.Paulo: "O Brasil, sendo o maior pais católico do mundo, escolherem um papa argentino. É o fim! Me recuso a aceitar" Outro tweet, em seguida: "Acho o fim escolherem um papa argentino. Que fosse brasileiro, então. O cúmulo. Não aceito este papa. Sorry". Mais alguns minutos, e uma explicação de suas razões: "Agüentar Maradona. Drogado! Messer¹! Ainda vai. Mas Papa. Nunca."
A argentina Victoria (natural de Córdoba) escreveu três mensagens para Marchiori, questionando o porquê de sua revolta. Primeiro fez uma pergunta direta ("Por qué? É porque ele é argentino?? Xenofoba!"), e em seguida pediu: "Quero um motivo real pra que o papa não seja Jorge Bergoglio (...) ". Por fim, Victoria afirmou: "Val Marchiori fala que é 'católica praticante' mas é xenófoba... Bem! A igreja perde fiéis porque há pessoas como ela."
Marchiori respondeu a moça cordobesa da seguinte maneira: "Defina xenofoba".
Não sabemos se Marchiori realmente não entende o significado do termo ou se quis instar a argentina a "explicar tal acusação".
Um pouco mais tarde, Marchiori postou uma foto (ao lado) e a seguinte mensagem: "Estou em Milão. Os italianos tbm estão revoltados. Vou pra Roma. Amanha. Mostrar meu protesto. Me sinto desamparada."
O Vaticano informa que ainda não recebeu nenhuma contestação formal. E será mesmo que os italianos "também estão revoltados"? Não foi o que pareceu na praça São Pedro nem nos noticiários do país ao longo dos últimos dias.
E qual seria o motivo do "desamparo" de Val Marchiori? Em postagem publicada no seu supracitado blog, ela afirmou já estar "acostumada com eles no comando o Mulheres Ricas e agora comandam a Igreja", em referência ao fato de o diretor de seu programa (como boa parte da cúpula da Band) ser argentino. Mas Marchiori diz ter esperanças no Papa: "(...)apesar de ser argentino, que a humildade seja realmente um lema em seu mandato!", finaliza.
Notícias recentes dão conta de que Marchiori não terá os mesmos ganhos que esperava. Não deve ser por isso que ela esteja se sentindo desamparada: ainda é muito, muito mais, do que 99% dos brasileiros² podem experimentar.
_________________________________________________________________________________
notas do blog:
1- "Messer" seria uma referência a Lionel MESSI;
2- Não cremos que Val Marchiori represente todos os brasileiros. Representa uma minoria. Representa, aliás, pouco ou nada deste país.
Marchiori - além de seu "show" na Band - é bastante conhecida na internet: sua página no twitter possui aproximadamente 125 mil seguidores, e seu perfil no Facebook (aparentemente extinto) tem mais de 25 mil "curtidores". Mais importante que tudo isso, porém, ela administra um blog associado à Revista Veja.
Qualquer que seja sua opinião a respeito, não se pode negar que se trata de alguém com uma relativa e relevante notoriedade.
Isso posto, vejamos a declaração dada por Marchiori no último dia 13, repercutida inclusive pela Folha de S.Paulo: "O Brasil, sendo o maior pais católico do mundo, escolherem um papa argentino. É o fim! Me recuso a aceitar" Outro tweet, em seguida: "Acho o fim escolherem um papa argentino. Que fosse brasileiro, então. O cúmulo. Não aceito este papa. Sorry". Mais alguns minutos, e uma explicação de suas razões: "Agüentar Maradona. Drogado! Messer¹! Ainda vai. Mas Papa. Nunca."
A argentina Victoria (natural de Córdoba) escreveu três mensagens para Marchiori, questionando o porquê de sua revolta. Primeiro fez uma pergunta direta ("Por qué? É porque ele é argentino?? Xenofoba!"), e em seguida pediu: "Quero um motivo real pra que o papa não seja Jorge Bergoglio (...) ". Por fim, Victoria afirmou: "Val Marchiori fala que é 'católica praticante' mas é xenófoba... Bem! A igreja perde fiéis porque há pessoas como ela."
Marchiori respondeu a moça cordobesa da seguinte maneira: "Defina xenofoba".
Não sabemos se Marchiori realmente não entende o significado do termo ou se quis instar a argentina a "explicar tal acusação".
Um pouco mais tarde, Marchiori postou uma foto (ao lado) e a seguinte mensagem: "Estou em Milão. Os italianos tbm estão revoltados. Vou pra Roma. Amanha. Mostrar meu protesto. Me sinto desamparada."
O Vaticano informa que ainda não recebeu nenhuma contestação formal. E será mesmo que os italianos "também estão revoltados"? Não foi o que pareceu na praça São Pedro nem nos noticiários do país ao longo dos últimos dias.
E qual seria o motivo do "desamparo" de Val Marchiori? Em postagem publicada no seu supracitado blog, ela afirmou já estar "acostumada com eles no comando o Mulheres Ricas e agora comandam a Igreja", em referência ao fato de o diretor de seu programa (como boa parte da cúpula da Band) ser argentino. Mas Marchiori diz ter esperanças no Papa: "(...)apesar de ser argentino, que a humildade seja realmente um lema em seu mandato!", finaliza.
Notícias recentes dão conta de que Marchiori não terá os mesmos ganhos que esperava. Não deve ser por isso que ela esteja se sentindo desamparada: ainda é muito, muito mais, do que 99% dos brasileiros² podem experimentar.
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notas do blog:
1- "Messer" seria uma referência a Lionel MESSI;
2- Não cremos que Val Marchiori represente todos os brasileiros. Representa uma minoria. Representa, aliás, pouco ou nada deste país.
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domingo, 8 de abril de 2012
Isso é Jornalismo! (45)
Já muitas vezes falamos sobre como Maradona criou, além de sua genialidade nos campos, uma perniciosa associação ao povo argentino. E está cabendo a Lionel Messi manter um e modificar outro dos papéis de Diego: dar sequência à canhota furiosa e os gols mágicos, e mudar a imagem do povo: antes associados a arrogância, desrespeitos e até mesmo ilegalidades, com Messi podem ser vistos como humildes, gentis e determinados.
É esse o tom de um texto publicado no jornal "El País" - o maior da Espanha - assinado por um jornalista argentino. Pode-se encontra o texto original no link, e abaixo colocamos a tradução, publicada no "Jornal Brasileiro Gratuito".
//
Messi, o argentino diferente.
Messi, o argentino diferente (*). Messi é o argentino diferente. Se um argentino é um italiano que fala a língua Castelhana, Messi é o tipo de argentino que poderia ser inglês ou holandês. É difícil delinear essas características, sem cair em clichês ou preconceitos. Deste ponto de vista, um argentino (ou talvez deveríamos dizer um argentino de Buenos Aires: “porteño”) de caricatura é um tipo arrogante, chorão, astuto, gritão e enganador. Parece ser um personagem da comédia italiana. Por exemplo, tantos “caras de pau” como os que costumava interpretar Vittorio Gassman ou Alberto Sordi.
Por outro lado, Messi é um argentino tranqüilo, disposto, educado, calmo e digno, humilde e sereno. Existem outros "Messis" entre os argentinos? Sim, há muitos. Não sei se a metade, mas certamente muitos. Não são gênios do futebol, mas eles são artistas, atletas, ou homens de qualquer meio que praticam a sensatez e a discrição. Por exemplo, o treinador nacional Alejandro Sabella, atores como Alfredo Alcon, bailarinos como Julio Bocca e políticos como Hermes Binner.
Cada vez haverá menos “Maradonas” e mais “Mesis”. Maradona, o selvagem, o louco, o imprevisível, seria hoje re-socializado. Agora não há lugar para os loucos. É verdade que esta transformação, que vai desde o jogador em estado de matéria prima ate o craque da mídia de hoje, não é algo novo, pois Jorge Valdano, contemporâneo de Maradona, esta mais perto pela sua discrição, do Messi que do Maradona.
Barcelona e Nápoles são cidades de grande proximidade geográfica, mas de natureza muito diferente. A primeira é a cidade da ordem, harmonia urbana e da abundância com estilo. A segunda é uma cidade de paixão e loucura: sob o império insensato “berlusconiano” vive sua total decadência e encontra-se esmagada pelos escombros. Maradona, que fracasou em Barcelona, triunfou em Nápoles, onde ele é e será ídolo. Lionel Messi começou a jogar pelo Newell Old Boys, clube fundado em 1903 pelo mestre inglês Isaac Newell’s, mas se tornou o “Messi” no Barcelona Football Clube, fundado pelo suíço Hans Gamper, em 1899.
Maradona nasceu no Policlinico Evita, em Lanus, e foi criado no humilde bairro Fiorito. Estes lugares são o coração da vasta rede urbana de Buenos Aires que com 10 milhões de habitantes, muitos deles morando como em “barracas” (metáfora..), sufocam a moderna Buenos Aires. Em Fiorito, ate a ultima “erva daninha” é peronista. Por isso, os Kirchner utilizaram o Maradona (com o seu consentimento ativo) na fracassada aventura de fazer do futebol um meio do clientelismo político. O oposto é a assepsia do Messi, que, protegido pela rede institucional do Barça e pela inteligência de Guardiola, permanece alheio a essas “lamas”.
Las Heras, terra natal de Messi, está longe de Fiorito. Las Heras é bairro de classe média no sul de Rosario. Ambas as cidades são muito diferentes. Buenos Aires é o gigante Golias, tumultuoso e ingovernável. Rosario, a cidade que cresceu tranqüila ao longo do grande rio Paraná, é mais modesta. Rosario, por ser carente, não tem nem mesmo fundador, que a torna única entre as cidades da América espanhola, algo que guarda zelosamente a sua cena primitiva: o conquistador plantando a cruz e a atravessando com sua espada.
Rosario foi se fazendo sozinha aos poucos a partir de um porto de trânsito utilizado pelos cargueiros que desciam pelo Rio Paraná em busca do Rio de la Plata e a saída para o mar. Essa cidade modesta teve sua expressão política: Rosario é governada há anos por prefeitos socialistas sem que o peronismo extrovertido e confuso possa ter entrado nesse canto para ganhar.
Rosario tem muito a ver com o futebol que corre pelas veias de Lionel Messi. Porque, independentemente da identidade política da cidade, há uma identidade de futebol na cidade de Rosário, dividida em duas famílias de genes irredutíveis, “montescos e capuleros”: os “leprosos” de Newell Old Boys (entre os quais estava o menino Messi) e os “canallas” do Rosario Central. Mas ambos cultivam uma bela raça com fino estilo, simbolizada por estrelas da bola como Cesar Luis Menotti ou Santiago Segura.
Barcelona era a cidade para o Messi e o Barça era seu clube. O Barcelona Futebol Clube é uma instituição tão grande que quase parece um próprio Estado. Se assim for, seria mais parecido a um cantão suíço que a uma “república bananeira”. La Masia é a marca de algo que é mais do que um clube. O Barcelona do Barça é a quintessência do seny (a sensatez), mas no campo Messi mostra o reverso do seny, “la rauxa” (explosão).
Alguns fãs da Argentina se resistem ao Messi. Eles expressam a selvageria que prevalece no mundo do futebol argentino, que é a terra da corrupção e da violência. Nos últimos anos, nos campos de futebol, foram baleados ou mortos em intensos combates, 300 argentinos. Para esses esquisitos que têm degradado o futebol em cenas de guerras de gangster, Messi é um “pecho frio” (irresponsável). Um cara que "não sente a camisa", dizem os esquisitos fãs.
A casa dos Messi em Rosário foi alvo de tiros. Muros pintados com textos ofensivos para Lionel têm sido vistos na Argentina. Acontece que na seleção argentina Messi parece um jogador banal, já que o futebol é um jogo coletivo e Messi também é composto por seus pares, tanto como um ser humano é formado por ossos e músculos, matéria e espírito. Sabella será que consegue ser o Guardiola de Messi?
"Cara suja, cara suja, cara suja / você veio com a cara sem lavar", diz um tango de Canaro. A denominação, rosto sujo, foi por muito tempo a característica de um tipo de jogador indisciplinado, mas iluminado a partir do qual o futebol argentino fez um mito. Agora Messi mostrou que se pode ir com a cara limpa, sem diminuir a genialidade. "Tudo o que sei sobre a moral eu aprendi jogando futebol", disse Albert Camus. Deste ponto de vista, nunca os argentinos lhe agradeceremos o suficiente o está fazendo Messi por nós.
* Texto original de Alvaro Abos, escritor argentino.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Muito Além do Futebol... (58)
Já falamos muito por aqui - de diversas formas, por diferentes razões e em distintas situações - que a 'encrenca' dos brasileiros com os argentinos é 99% causada pelo futebol, e na maior parte por conta de Diego Maradona.
E uma das situações que aumentou essa raiva foi a famigerada "Igreja Maradoniana", em que dois amigos argentinos foram os fundadores.
Pessoas que não são religiosas ou que não praticam qualquer rito do tipo, falam com consternação ou indignação: "o que é isso, os argentinos dizem que ele é Deus, isso é abominável", etc.
Há três erros fundamentais em tais julgamentos: 1) fala-se, no Brasil, como se se tratasse de uma religião de fato, algo que substitui Deus no sentido da adoração; 2) é mostrado como se fosse uma unanimidade entre os argentinos e 3) como se fosse algo único e exclusivo dos vizinhos.
Na verdade, não é uma religião no sentido estreito do termo: é uma grande brincadeira -- estúpida, por sinal; Mas não chega sequer a ter grande representatividade, em termos de alcance: fala-se de em torno de 45 mil 'seguidores' no país (que possui população de 40 milhões), de um total mundial de 120.000.

Porém, o mais importante - e esquecido - é que tal congregação já possui mais de 16 mil 'fiéis' no Brasil (!) e também tem sua sede em Barcelona, cuja página do Facebook já conta com quase mil associados. Na Escócia, país onde Maradona jamais atuou, já são contabilizados 1.500 membros (!). Tudo isso sem contar que o tal endeusamento de Maradona havia começado muito antes (1990), na Itália, mais precisamente em Nápoles.
Mas, além dessas incoerências e desprezos, há um outro fato que torna ainda mais absurdas as críticas feitas à "Igreja Maradoniana", ou melhor: aos argentinos.
Parece engraçado pensarmos que o povo brasileiro acha um horror que 'os argentinos' idolatrem Diego Maradona - ou um ser humano qualquer, com mil defeitos e vitrudes - de tal forma porque é justamente no Brasil onde há imensa idolatria e veneração de seres humanos falhos.
Não é necessário entrar (ou defender um dos lados) no debate entre católicos e protestantes para que se admita que no Brasil as crendices populares - seja de homens ou mitos ou homens mitificados - é elevada a patamares maiores. Basta ver que um homem como Padre Cícero (adúltero e excomungado pela própria Igreja Católica Romana!) é considerado um 'santo' e em várias áreas do Nordeste tem uma posição maior que a de Jesus Cristo ou Maria.
No entanto, ainda assim há de se dizer que se tratava de um homem religioso, portanto a comparação com Maradona seria herética.
Há o caso do piloto Ayrton Senna, que durante a sua vida e depois de sua morte tem sido alçado à condição de ser humano perfeito muito mais que o piloto absurdamente talentoso (provavelmente o mais deles) que foi.
Inclusive, em sua biografia é mencionado que muitos brasileiros passaram a fazer 'pedidos' a ele, e há até mesmo caso de suicídio com intenção de ''reencontrá-lo''.
Inclusive, em sua biografia é mencionado que muitos brasileiros passaram a fazer 'pedidos' a ele, e há até mesmo caso de suicídio com intenção de ''reencontrá-lo''.
Porém, vamos tratar aqui de uma questão também relacionada ao mundo do esporte que tem os mesmos moldes e princípios do Maradonianismo: a canonização do ex-goleiro Marcos, campeão mundial pela seleção e ídolo do Palmeiras.
Deus X Santo
Há quase doze anos, mais precisamente em 06 de junho de 2000, Marcos passou a ter o prefixo "São" associado ao seu nome por jornalistas e torcedores palmeirenses: nesse dia, ele pegou um pênalti de Marcelinho Carioca e classificou o Palmeiras para sua segunda final consecutiva da Libertadores, eliminando também duas vezes seguidas o maior rival do clube.
Isso foi considerado um apelido carinhoso até que, no dia 14 de janeiro de 2012, após anunciar que se aposentaria do futebol (como aconteceu com Maradona, que tivera sua canonização e depois virou Diós), cinco mil torcedores do ex-Palestra Itália realizaram uma procissão para declará-lo santo de uma vez por todas.
Rezou-se um 'Pai Nosso', modificando as frases e adaptando-as aos 'milagres' de Marcos; Havia um cidadão vestido de Papa que conduzia a celebração; no local também foram vistas pessoas se ajoelhando e olhando ao céu pelas 'luvas divinas'.
Ora: nada diferente das bizarras celebrações que ocorrem na Igreja 'de Maradona'. Houve profanação e escárnio para com ritos e crenças do cristianismo católico da mesma forma. Não podemos deixar de citar que foram criados Doze - e não somente dez, em virtude do número da camisa que vestia - mandamentos de "São Marcos". Assim como se criaram os Dez (era o 10 onde atuava) Mandamentos de Diego Maradona. Vamos a eles:
Os 12 Mandamentos do São Marcos:
1 - Não serás desleal com teu adversário;
2- Jamais se curvarás e lutarás, por toda sua vida, contra os malefícios dos Corinthios Gambáticos da Marginal Sem Número;
3- Não te sentirás melhor do que ninguém;
4- Honrarás teu manto alviverde, como a ti mesmo;
5- Amarás ao Palmeiras sobre todas as coisas;
6- Carregarás em suas mãos os corações dos milhões de torcedores palmeirenses;
7- Não trocarás teu amado clube por trinta dinheiros;
8- Despertarás o respeito da torcida adversária;
9- Elogiarás teu próximo sem esperar retribuição;
10- Liderarás teu grupo mantendo a amizade e o respeito de todos;
11- Não vestirás outra camisa que não seja o manto sagrado esmeraldino do Palmeiras e da Seleção Brasileira;
12- Defenderás a meta palmeirense com todo o fervor de sua alma palestrina!
2- Jamais se curvarás e lutarás, por toda sua vida, contra os malefícios dos Corinthios Gambáticos da Marginal Sem Número;
3- Não te sentirás melhor do que ninguém;
4- Honrarás teu manto alviverde, como a ti mesmo;
5- Amarás ao Palmeiras sobre todas as coisas;
6- Carregarás em suas mãos os corações dos milhões de torcedores palmeirenses;
7- Não trocarás teu amado clube por trinta dinheiros;
8- Despertarás o respeito da torcida adversária;
9- Elogiarás teu próximo sem esperar retribuição;
10- Liderarás teu grupo mantendo a amizade e o respeito de todos;
11- Não vestirás outra camisa que não seja o manto sagrado esmeraldino do Palmeiras e da Seleção Brasileira;
12- Defenderás a meta palmeirense com todo o fervor de sua alma palestrina!
10 MANDAMENTOS DA IGREJA MARADONIANA :
2 - Amar ao futebol sobre todas as coisas.
3 - Declarar seu amor incondicional pelo futebol de MARADONA.
4 - Defender a camisa ARGENTINA, respeitando seu povo.
5 - Difundir as palavras de DIEGO MARADONA em todo o Universo.
6 - Frequentar os templos onde MARADONA jogou com seu manto sagrado.
7 - Não proclamar o nome DIEGO por um único Clube.
8 - Amar sempre os princípios da IGREJA MARADONIANA.
9 - Adotar DIEGO como segundo nome e repassá-lo para seus filhos.
10 - Jamais perder a fé no futebol da ARGENTINA.
Quantidade ou Intensidade?
A torcida palmeirense, segundo dados do IBOPE, Datafolha e outros institutos, é a 4ª maior do país e possui quase 15 milhões de torcedores no Brasil. Fazendo uma conta simples, se apenas 0,8% dos seguidores da Sociedade Esportiva Palmeiras forem também fiéis de "São Marcos de Palestra Itália", já haverá número idêntico ao total mundial de Maradonianos, e quase o triplo de argentinos 'convertidos'.
Portanto, as brincadeiras desrespeitosas e absurdas, beirando a idiotia, não são "típicas" de argentinos, nem de palmeirenses, brasileiros, catalães, napolitanos ou escoceses: é coisa do ser humano, este ser muito engraçado e contraditório, qualquer que seja a cor de sua pele, origem ou condição sexual.
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