Hoje (20), a seleção brasileira de vôlei venceu a argentina por 3 sets a 0 e garantiu sua classificação às Olimpíadas de Los Angeles, daqui a dois anos. A campanha brazuca foi impecável, não perdendo set algum ao longo da campanha (5 vitórias pelo mesmo placar deste domingo).
Ao fim da partida, houve uma pequena confusão entre os atletas, sem agressões física, mas um momento tenso como, aí sim, é comum na rivalidade esportiva das duas nações.
No entanto, quem procurar relatos sobre o jogo ficará em dúvida sobre a gravidade e intensidade dos fatos acima relatados.
Abaixo, mostraremos dois exemplos de matérias a respeito da partida, publicadas em dois dos mais bem estruturados e populares portais de notícias do país: UOL e Globo Esporte.
Na matéria do UOL (link aqui), o título é: "Brasil vence Argentina e conquista vaga olímpica no vôlei masculino"
Em texto de sete parágrafos, há uma mescla de descrição dos efeitos da classificação (vaga, números da campanha e número de atletas) e resumo da partida -- neste último, a única menção à "Briga" foi sutil: "Adriano fechou a conta em 25 a 20 e sacramentou a classificação. (...) os dois times discutiram, mas os ânimos logo se acalmaram…".
Nenhum momento do texto se fala sobre "culpados", "provocações", nem mesmo nomes aos bois.
Por outro lado, no GE.com (lei a íntegra aqui), a parte da confusão mereceu uma matéria a parte, que buscou claramente legitimar as ações de brasileiros (eles teriam respondido a provocações) e novamente tratar os argentinos por maus perdedores.
O título já dá o tom: "Darlan responde provocação argentina e dá "tchau" após título do Brasil"
A ênfase é total na suposta causa do que causou a confusão: "[o jogador brasileiro] esperou até o último momento para rebater as provocações da equipe argentina".
Em seguida é citado que "o oposto mandou um 'tchauzinho' aos rivais" e, na sequência, afirma que ""Os argentinos se incomodaram e foram tirar satisfação na rede", dando aos brasileiros a honra de "apaziguar": "jogadores e comissão técnica do Brasil chegaram para intervir".
O texto transfere total responsabilidade aos argentinos: "o duelo contou com tentativas de desestabilização por parte da equipe alviceleste", mas a fala de Darlan, o principal envolvido, é no mínimo dúbia, uma vez que ele chega a usar expressões como "faz parte" e "do jogo". Algo que, sabemos, é de fato normal, independentemente se iniciado por A ou B.
"Estávamos ali no 3º set num bom momento, eles começaram a afrontar, esse é o jogo deles, mas acho que a gente foi bem resiliente, não nos importamos tanto. Mas ali no final tive que retribuir, não teve o que fazer, mandei tchau. Fazer o quê, paciência, acho que é do jogo. É assim que se responde, nós apresentamos um belo voleibol hoje e com isso conseguimos sair com o 3 a 0".
Você, caro leitor do nosso blog, assistiu ao jogo? Se não, você percebe uma distância oceânica entre as duas matérias?
Se sim, em quem devemos acreditar: no UOL, que enfatizou a superioridade técnica brasileira e tratou a confusão como algo comum, em Darlan, que reconheceu sua provocação ainda que afirme não ter sido "de graça", ou no GE.com, que tratou os argentinos como arruaceiros disfarçados de atletas?

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