Mostrando postagens com marcador Feijão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feijão. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Muito Além do Futebol... (100)

Ontem, 13 de fevereiro, tivemos uma partida válida pelo Aberto de São Paulo - torneio ATP 250 - entre o brasileiro João Souza (mais conhecido pela alcunha de Feijão) e o argentino Leonardo Mayer.

João Souza, o "Feijão"
Feijão já foi mencionado em nosso blog: há quase quatro anos, depois de sua primeira convocação para a Copa Davis - o Brasil jogaria com o Uruguai -, Feijão afirmou que "tinha de estar preparado" para enfrentar a torcida local, pois era óbvio (sic) que o iriam "chamar de macaco".

Houve o jogo e nenhum relato de ofensas semelhantes. Vida que segue.

Mayer também foi tema por aqui: exatamente três anos atrás, também pelo Aberto de SP, ele foi alvo de muitas ofensas e provocações dos torcedores brasileiros presentes no ginásio. A situação foi tão clara que Thomaz Belucci, maior tenista brasileiro da atualidade, pediu-lhe desculpas.

O confronto de 2015 entre Feijão e Mayer começou antes mesmo da partida: após classificar-se para enfrentar o argentino, Feijão pediu:  "quero que ele caia nessa pilha da torcida".

Leonardo Mayer
Veio o jogo, Feijão venceu. Mayer não reclamou do adversário ou inventou desculpas para a derrota, mas criticou a torcida: "Em nenhum outro lugar no mundo a torcida é tão desrespeitosa quanto aqui. Que bom que são apenas dois torneios e depois não precisamos mais voltar para cá", disse. Segundo a reportagem, Mayer "foi vaiado, xingado, atrapalhado... A torcida no Ibirapuera (SP) precisou ser contida por diversas vezes pela arbitragem do jogo".

Feijão respondeu, dizendo: "Não tenho nada a dizer do Mayer, mas se vocês forem para outros lugares, vão ver que ninguém fica só batendo palminha. (...) Mas, se o Brasil tem a pior ou não, não acho. Ele queria o quê? A torcida do lado dele? Acha que na Argentina, contra ele, não vão aplaudir meu erro? Duvido".

Como no caso da Copa Davis, em 2011, Feijão decreta como fato uma situação hipotética, aventada por ele.

Leonardo Mayer não disse que Feijão receberia flores se disputassem uma partida no país vizinho, mas afirmou: "Gostaria sim de enfrentar o Feijão na Argentina, pela Copa Davis. Pelo menos o público lá é mais educado e entende do esporte. Aqui há muita gente que não entende de tênis".

De fato, brasileiro acha que todos os esportes, seja ginástica rítmica ou turfe, são como o futebol: é mais importante ofender o adversário do que apoiar os seus.

_______________


PS: tivemos outros dois casos bastante semelhantes envolvendo tenistas argentinos em quadras brasileiras: Juan Monaco (relembre clicando aqui) e Guido Pella (aqui).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Raça X Nacionalidade (45)

Há dois anos, justamente no primeiro post sobre racismo e afins, falamos sobre o estranho "contraatacar antes de ser atacado" que permeia o pensamento de muitos brasileiros.

Na ocasião mencionada, comentamos uma declaração do volante Ramires, jogador da Seleção Brasileira, antes da primeira partida da final da Libertadores da América, contra o Estudiantes de La Plata, tradicional time argentino. Ramires comentou que havia sofrido ofesnsas racistas em Porto Alegre, ao enfrentar o Grêmio, e disse: "na Argentina com certeza será igualzinho", e ameaçou dizendo para "eles (argentinos) se cuidarem no jogo da volta".

Agora, nos vemos diante de situação semelhante, mas não se trata de futebol, de Argentina ou da Copa América. Estamos falando da Copa Davis (torneio de seleções do tênis), que ocorre neste fim-de-semana. O Brasil irá enfrentar o Uruguai, na casa do adversário. Um dos atletas brazucas, que atende pelo apelido de Feijão (segundo a matéria, por causa da cor da pele (!) e do gosto pela comida), já tomou a frente:

- Com certeza, se eu estiver jogando a dupla, eu tenho que me preparar porque vão me chamar de macaco. É óbvio uma coisa dessas.

Esperamos que Feijão esteja errado. Mas, se estiver, não haverá nenhum destaque, é claro.